Moradores cobram regras para crescimento de Iriri
Balneário que faz parte do município de Anchieta tem sofrido impacto ambiental e na infraestrutura com o crescimento urbano
O avanço da construção civil em Iriri, um dos balneários mais procurados do Sul do Estado, tem mobilizado moradores que defendem um crescimento mais planejado e sustentável.
Com cerca de 20 a 30 prédios de pequeno porte em construção, a comunidade cobra maior diálogo com o poder público e contrapartidas das construtoras para reduzir impactos na mobilidade, infraestrutura e preservação ambiental.
Em busca de conciliar o desenvolvimento com a sustentabilidade, a Associação Iriri Vivo tem reivindicado uma participação mais ativa das empresas em ações como limpeza das praias, melhorias na infraestrutura e ordenamento dos espaços públicos, explica a presidente da entidade, Sirlene Ferreira.
Duas reuniões chegaram a ser realizadas com a participação de 12 construtoras, representantes da Prefeitura de Anchieta e membros da associação. Apesar das discussões, nenhuma medida prática foi definida até o momento.
“A comunidade não é contra as construtoras nem o progresso, mas ela pede que seja um crescimento ordenado, para que a comunidade faça parte desse desenvolvimento”, defende Sirlene.
Entre as principais reclamações estão a ocupação de calçadas durante as obras, problemas de fiscalização e impactos sobre a infraestrutura de um balneário que tem 4.500 moradores permanentes.
Para a associação, além de minimizar os transtornos durante as construções, as empresas também poderiam colaborar com investimentos voltados à comunidade.
Segundo o prefeito de Anchieta, Léo Português, o processo impulsiona a geração de empregos, fortalece o comércio, os serviços e o turismo, além de ampliar a arrecadação municipal. Por outro lado, ele reconhece que o avanço exige planejamento para acompanhar o aumento da demanda.
“Entre os principais desafios estão a ampliação da infraestrutura urbana, a mobilidade, a oferta de serviços públicos e a preservação das características ambientais e paisagísticas que fazem de Iriri um dos principais destinos turísticos”, afirma.
O município ainda disse que acompanha o crescimento do balneário com investimentos em infraestrutura e cita como exemplos as obras da nova orla da Praia da Costa Azul e da Praça Central de Iriri, além de informar que novos investimentos seguem sendo planejados conforme as prioridades e a disponibilidade orçamentária.
Empresários defendem plano conjunto
Representantes das construtoras confirmaram à reportagem que, após as reuniões com moradores e prefeitura, ainda não houve avanço nas propostas apresentadas pela comunidade. Eles defendem, no entanto, a construção de um plano de ação conjunto para enfrentar os principais desafios do balneário.
“Nós estamos nos organizando para trazer uma resposta no que cabe às construtoras. Existe um descontentamento dos moradores e, inclusive, dos empresários, sobre a gestão do balneário. Acho válido a realização de mais reuniões e, após isso, montar um plano de ação”, afirmou Rodrigo Otoni, da RR Costa, que possui seis empreendimentos na região.
O diretor comercial da Riviera Construtora, Marcos Volponi, afirma que participa das discussões desde o início e defende a adoção de medidas para reduzir os impactos das obras.
“Fomos uma das primeiras empresas a levantar a necessidade de disciplinar a circulação de caminhões pesados durante a alta temporada e também defendemos a implantação de um sistema binário de trânsito para melhorar a mobilidade de Iriri”, disse.
De acordo com a prefeitura, ações de fiscalização, ordenamento urbano e do trânsito são realizadas durante todo o ano e reforçadas na alta temporada.
Segundo o município, novos empreendimentos são analisados conforme a legislação urbanística e ambiental vigente e, quando previsto em lei, podem ser submetidos a condicionantes e estudos técnicos relacionados aos impactos na mobilidade, infraestrutura e meio ambiente.
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