Moda do crochê vira hobby e negócios entre os jovens
Técnica artesanal conquistou os mais jovens por ser uma opção longe das telas e que ainda pode render um dinheiro extra
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Não é só no universo da moda que o crochê ganhou destaque. Além de estar presente em adereços de cabeça e biquínis, a técnica artesanal conquistou os mais jovens por ser uma opção longe das telas e também pela facilidade em adquirir acessórios e aprender suas variações.
Mas algumas pessoas transformaram em negócio o que no início era apenas um hobby para relaxar. No Brasil, o artesanato é responsável por 3% do PIB Nacional, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Edilaine Lahass, 24, está no grupo que decidiu empreender a partir da arte. A capixaba viralizou recentemente nas redes sociais após presentear a influenciadora Franciny Ehlke com um vestido feito em crochê. No vídeo publicado em seu perfil, a crocheteira mostrou seu esforço para entregar a peça.
“Depois do post que ela fez vestindo a roupa, apareceram vários seguidores, cerca de 50 mil, e pessoas interessadas nos produtos, principalmente no vestido. Isso tudo em apenas dois dias”, celebra.
O crochê entrou na vida dela em 2021, depois da pintura de panos de prato, que foi sua especialidade inicial e era tratada como um hobby. “Foi uma forma de agregar mais valor às minhas peças. Aprendi a fazer crochê com a avó do meu marido e, aos poucos, comecei a vender para fora do Estado”, conta.
Hoje, ela não só vende produtos de vestuário feitos com a técnica como também oferece cursos. “É minha única fonte de renda, dá um retorno positivo. Por isso, incentivo todos a entrarem no ramo”.
Outra jovem capixaba que mergulhou a fundo na prática do crochê foi Thereza Vitória Alves Moura, 18. Ela aprendeu a técnica ainda na infância por incentivo de sua mãe, que também é crocheteira.
“Fiz minha loja on-line há cerca de um ano e vendo roupas e acessórios. Bolsa é o que mais sai. Há produtos a partir de R$ 30 e o valor muda dependendo da complexidade para confeccionar o produto”.
Bernardo Buteri, analista do Sebrae-ES, reforça a importância do profissional buscar fazer um plano de negócio ao decidir transformar um hobby em trabalho.
“Empreender não é só saber fazer crochê. É saber vender, gerir o negócio. Por isso, é importante procurar formações para começar no ramo com o pé direito. Tem que conhecer seu público-alvo e os concorrentes, e saber gerir o dinheiro”.
Tutorial na internet
Durante as férias escolares de 2023, Paula Betzel, 17, viu um tutorial no YouTube ensinando a fazer crochê e se interessou pelo assunto. Ela então comprou linha e agulha e seguiu o passo a passo.
“Gostei da experiência, então procurei mais tutoriais e aprendi a fazer mais produtos”, lembra.
Quando entrou no curso técnico em Administração, em 2024, ela conheceu outras duas jovens que também tinham interesse no crochê.
“Começamos a praticar juntas nos intervalos das aulas e em novembro passado montamos uma loja on-line. É uma atividade que desestressa, tira a gente das telas e ajuda na concentração”.
Fique por dentro
Origem pode ter sido na pré-história
História do crochê
As origens dessa arte milenar são incertas. Alguns acreditam que o seu surgimento se deu na pré-história, outros afirmam que foi 1500 anos antes de Cristo e há ainda quem diga que o crochê existe desde que o ser humano iniciou as civilizações.
O crochê como se conhece hoje tem sua origem no século 16 e uma das teorias mais aceitas sobre o seu começo mostra que teve início na Arábia, no Oriente Médio, alcançando o mundo todo em razão das rotas comerciais do Mediterrâneo.
Essa arte se espalhou pelo mundo a partir do século 19, quando a francesa Riego de La Branchardière desenhou padrões que poderiam ser copiados. Surge então o “crochê no ar”, técnica francesa que utilizava apenas linha e agulha, como se conhece.
Atualmente, o crochê tem estado muito presente não só em acessórios de cabeça e biquínis, mas também conquistou os jovens como uma opção de hobby.
Crochê como hobby
A dica para dar início à arte do crochê é adquirir agulhas próprias. Há opções em diferentes tamanhos, sendo que cada uma desempenha um papel específico. O indicado é preferir kits completos para iniciantes.
Além das agulhas, é importante também investir em tesouras próprias para tecidos. Quanto à escolha do fio, o ideal é começar por opções mais grossas e macias, que facilitam o manuseio e ajudam a visualizar melhor os pontos.
Vale acompanhar videoaulas e tutoriais em redes sociais como YouTube ou TikTok.
Para transformar em negócio
Para começar com o pé direito, a dica é buscar fazer um plano de negócio. É preciso conhecer os concorrentes, seu público-alvo e saber gerir o negócio.
Invista em cursos, palestras, oficinas e consultorias.
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