Mais de mil pessoas no ES já foram vítimas de acidente com bike elétrica
Além de escoriações leves e moderadas, foram 91 casos com ferimentos graves e 11 registros de vítimas fatais
Mais de mil acidentes com bicicleta elétrica já foram registrados no Estado, sendo que, em apenas 31 dos casos, não houve lesões. Além de escoriações leves e moderadas, foram 91 casos com ferimentos graves e 11 registros de vítimas fatais.
Os dados são do Observatório da Segurança Pública da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (SESP), que observa esse tipo de acidente desde 2024.
Do total de ocorrências, 705 foram neste ano, até agora. Em 2025, foram 303 registros e, no ano anterior, foram registrados 45 acidentes.
Dependendo da velocidade e da forma do impacto, a energia envolvida no acidente pode ser grande, e o trauma pode se assemelhar ao de um acidente de motocicleta, afirma Jefferson de Léo, médico ortopedista e membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC).
“Embora não tenhamos detalhes sobre cada uma dessas ocorrências, sabemos que quedas e colisões podem provocar lesões graves, como traumatismo craniano, hemorragias, lesões de órgãos internos e fraturas graves, inclusive de coluna e bacia”, disse Jefferson.
A lesões mais comuns, porém, são rompimentos dos membros superiores e inferiores. “Entre as fraturas que podem ocorrer nesse tipo de acidente estão as de punho, antebraço e clavícula. Mas também podem ocorrer fraturas nos ossos da perna, como a tíbia e a fíbula, e no tornozelo”, explicou o médico ortopedista.
A reabilitação para acidentados é de, em média, dois meses. Porém, a depender do caso, esse período pode se estender indefinidamente, revela Fernando Lázaro, ortopedista do Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes).
“O paciente que tem um rompimento em uma articulação, normalmente fica reabilitado em dois meses, se estendendo a até seis em lesões graves. Mas se um nervo for lesionado, a reabilitação será pelo resto da vida, com fisioterapia e ginástica”, afirma o médico.
As bicicletas elétricas demandam adequações para garantir segurança no tráfego, defende o Capitão Anthony Costa, consultor em Segurança Viária.
“Precisamos de regras para identificação dos veículos, obrigatoriedade de curso de capacitação para o tráfego urbano e responsabilização administrativa e penal aos condutores, em moldes semelhantes aos previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ”, defendeu Anthony.
Lesões graves preocupam
Além do alto número de acidentes registrados com bicicletas elétricas no Estado, as lesões graves decorrentes desses sinistros preocupam médicos que atendem esse tipo de acidente de trânsito.
A preocupação é dupla, tanto com relação ao aumento dos casos quanto pelo sobrecarregamento de hospitais, explicou Fernando Lázaro, médico ortopedista do Crefes.
“Uma coisa é consequência da outra. Já temos muitos pacientes demandando reabilitação no nosso serviço de saúde, e com o aumento dos acidentes, precisaremos dedicar ainda mais esforços. Quanto mais acidentados, uma fila vai se formando”, explicou o médico.
Outra preocupação da classe médica são casos de pessoas que podem precisar aguardar por cirurgias se houver sobrecarga do sistema de saúde do Estado.
“Fraturas de ossos são atendidas rapidamente. Mas lesões em ligamentos não são urgentes, então o paciente pode receber alta e ficar aguardando a operação em casa, às vezes sem conseguir trabalhar, com prejuízo financeiro e psicológico”, alertou.
A preocupação também envolve os pedestres, que podem ser surpreendidos por bicicletas elétricas em calçadas ou durante a travessia da rua, destaca o médico ortopedista Jefferson de Léo.
“Crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis às consequências de uma queda ou de um atropelamento. Como médico, vejo com preocupação o número de acidentes e, principalmente, a possibilidade de mortes e sequelas que poderiam ser evitadas. Um lesão grave em um paciente pode afetar toda a família”, destacou Jefferson.
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