X

Olá, faça o seu cadastro para ter acesso a este conteúdo

*Você não será cobrado

Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

Loja em Brumadinho é notificada por vender roupas sujas de lama

Agência Folhapress | 11/02/2022 06:52 h

Uma loja do Grupo Zema, da família do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em Brumadinho, foi notificada pela prefeitura por colocar à venda roupas e sapatos sujos de lama. A vigilância sanitária do município afirmou que os produtos poderiam provocar infecção e doenças.

Loja da família de Zema em Brumadinho é notificada por vender roupas sujas de lama.
Loja da família de Zema em Brumadinho é notificada por vender roupas sujas de lama. |  Foto: Divulgação/Prefeitura de Brumadinho
 

Brumadinho é a cidade onde, em 25 de janeiro de 2019, 272 pessoas morreram depois do rompimento de uma barragem de rejeito de minério de ferro da Vale.

A notificação aconteceu na manhã desta quinta-feira (10) depois de denúncia feita à prefeitura. Já na noite desta quarta-feira, no entanto, imagens das roupas dentro da loja já circulavam pelas redes sociais.

A vigilância sanitária municipal informou ter recolhido 179 peças de roupas e 42 pares de sapatos. Ainda segundo a prefeitura, os produtos foram levados para aterro e descartados "de maneira segura" por apresentarem risco de infecção e doenças.

O Grupo Zema afirma que a filial de Brumadinho assim como outras em Minas Gerais e na Bahia foram atingidas por enchentes em janeiro e fevereiro, o que ocasionou perda de produtos em estoque.

O grupo negou que os produtos estivessem à venda.

Loja da família de Zema em Brumadinho é notificada por vender roupas sujas de lama.
Loja da família de Zema em Brumadinho é notificada por vender roupas sujas de lama. |  Foto: Divulgação/Prefeitura de Brumadinho
 

"Na filial de Brumadinho, os produtos já tinham sido baixados no estoque, e estavam sendo organizados para serem enviados para Matriz em Araxá, para avaliação, separação e definição do destino", diz nota do grupo.

O texto acrescenta que "devido a dificuldade de espaço do imóvel e quantidade de produtos danificados pela enchente, alguns estavam alocados no salão de vendas, mas não estavam com preço ou disponível para comercialização".

Ainda conforme a nota, "em todos os casos de produtos danificados parcialmente, é procedimento da empresa realizar a baixa do estoque para que não seja mais colocado à venda, e quando possível e permitido, realizamos a doação desses produtos, e quando os mesmos não estão em estado de utilização é feito a inutilização".

Segundo a prefeitura, as roupas estavam disponíveis para venda. A notificação feita à loja afirma que, em caso de reincidência, o estabelecimento será multado e poderá ser interditado.

As enchentes na cidade ocorrem em caso de elevação do nível de água do rio Paraopeba, que corta o município. O curso d'água é o que foi poluído pela lama de rejeito de minério de ferro que desceu da barragem quando a estrutura se rompeu em 2019.

Os impactos ambientais foram registrados ao longo de aproximadamente 250 quilômetros, entre Brumadinho e Pompéu, onde o rio se encontra com o lago da barragem da represa de Três Marias, região central de Minas Gerais.

"Essa lama que sujou as roupas é proveniente do rompimento da barragem. O rio Paraopeba cuspiu a lama. É essa lama que tirou a vida de 272 pessoas. E ainda querem lucrar com isso", afirma o dirigente do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) Santiago Matos. O prefeito da cidade é Avimar de Melo Barcelos (PV), que não figura entre aliados do governador.

Grupo Zema O mergulho da família Zema, que tem raízes em Araxá (MG), no Alto Paranaíba, teve início em 1923 quando o bisavó do governador Romeu Zema, Domingos Zema, abriu uma loja de peças para carros. O pai do governador, Ricardo Zema, assumiu o comando da loja em 1961.

Em 1976, a família entrou também na área de varejo de eletrodomésticos, hoje o maior do grupo. Hoje o conglomerado vende outros produtos como roupas, celulares e equipamentos de informática. O grupo atuou ainda no setor de combustíveis. O governador Zema deixou posto de comando no conglomerado em 2016.

A assessoria do governador Romeu Zema ainda não respondeu ao contato feito pela reportagem.

Quer receber as últimas notícias do Tribuna online? Entre agora em um de nossos grupos de Whatsapp

Quer receber as últimas notícias do Tribuna online? Entre agora em nosso grupo do Telegram

MATÉRIAS RELACIONADAS