Grupo do Ministério Público vai monitorar a qualidade da água em Vitória
Objetivo é apurar a origem de uma mancha escura identificada nas imediações da Ilha do Frade e da Guarderia
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O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) criou um grupo de trabalho com o objetivo de monitorar a qualidade da água do mar – ao longo de cinco semanas consecutivas – para apurar a origem de uma mancha escura identificada nas imediações da Ilha do Frade e da Guarderia, na Curva da Jurema. A mancha foi identificada há aproximadamente um mês.
O órgão informou na segunda-feira (16) que os estudos não se restringirão apenas ao local onde a mancha foi identificada, abrangendo também outras áreas da Baía de Vitória e bacias hidrográficas da Região Metropolitana, para permitir uma avaliação mais abrangente das condições ambientais.
O MPES, em parceria com o Ministério Público Federal, informou que o grupo de trabalho interdisciplinar terá a participação de órgãos públicos, instituições de ensino e representantes da sociedade civil.
Segundo o MPES, o objetivo é analisar a ocorrência desta mancha e avaliar possíveis impactos ambientais relacionados ao sistema de drenagem urbana da capital. A próxima reunião será na quinta-feira (19).
Presidente em exercício do Conselho Regional de Biologia do Espírito Santo, Daniel Gosser Motta explicou que a balneabilidade é a medida da qualidade das águas destinadas à recreação, que inclui atividades como banho, natação, mergulho e lazer.
“A análise quantitativa vai mensurar, por exemplo, os coliformes fecais, que estão ligados a casos de gastroenterite e infecções pélvicas, como a infecção urinária”, disse Daniel Gosser Motta.
Nélio Augusto Secchin, coordenador técnico-científico da Associação Brasileira de Oceanografia no Espírito Santo, disse que manchas escuras no mar podem estar associadas a diferentes processos que ocorrem no sistema costeiro.
Entre as possibilidades estão a ressuspensão de sedimentos do fundo, o transporte de matéria orgânica trazida por drenagens urbanas ou por correntes provenientes de outras áreas da Baía do Espírito Santo, além de processos ligados à dinâmica das marés e das correntes.
“Também é possível que essas manchas resultem da interação entre vários desses fatores ao mesmo tempo, o que é relativamente comum em ambientes costeiros complexos como o de Vitória”, afirmou Nélio Augusto Secchin.
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