Gerente de vendas perde R$ 12 mil em golpe na saída de show
Ambulante trocou o cartão de Bruno Castro pelo de outra pessoa durante a venda de bebidas. Golpistas usaram crédito e débito
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A oferta simpática de bebidas – que seriam as últimas vendas de um ambulante na saída de um show em Cariacica, no último domingo (12), – fez um gerente de vendas, de 51 anos, parar para comprar.
O pagamento, no entanto, virou um prejuízo que ele não imaginava: ele teve o cartão trocado, com saques e compras que somaram R$ 12 mil em poucas horas.
O chamado “golpe da troca do cartão” também foi registrado em outras regiões do País nos últimos dias, nas proximidades dos shows da banda Guns N' Roses.
No Estado, o gerente Bruno Serge de Almeida Castro contou que foi ao show com a esposa, Juliana Tristão, 47.
Segundo ele, a noite transcorreu normalmente, até o momento de ir embora. “Perto do carro, um ambulante ofereceu bebida dizendo que eram as últimas vendas dele”.
Bruno afirmou que tentou pagar por aproximação, mas o vendedor alegou problemas na conexão. “Ele disse que a internet estava ruim e pediu para inserir o cartão. Ele ficou levantando a maquininha, como se estivesse procurando sinal, e aí pediu a senha”, relatou.
Após algumas tentativas, o ambulante disse que a transação não havia sido concluída, devolveu o cartão e sugeriu que o pagamento fosse feito via Pix.
O golpe foi percebido no dia seguinte, quando Bruno tentou usar o cartão e teve a compra recusada. “Achei estranho e conferi no aplicativo do banco. Já tinham feito saques e compras. Foi um susto”.
Ao verificar o cartão foi que ele percebeu que estava em nome de uma mulher. “Os criminosos conseguiram acessar tanto o saldo da conta quanto o limite do crédito”.
Ele registrou boletim de ocorrência em Cariacica e contestou as transações junto ao banco. “Agora é aguardar a análise, mas fica a indignação. A gente nunca imagina que vai passar por isso”.
O titular do 7º Distrito Policial de Vila Velha, delegado Carlos Vitor Almeida, explicou que esse tipo de crime pode ocorrer em qualquer lugar. “Criminosos se aproveitam da distração da vítima. Então, em locais de grande aglomeração, isso é mais fácil”.
Segundo ele, há tantos crimes de oportunidade quanto quadrilhas especializadas, que viajam o Brasil inteiro aproveitando os grandes shows. “Para a vítima, é importante ficar atenta e nunca entregar o cartão ou a máquina com o cartão na mão do vendedor”.
Bruno Serge de Almeida Castro gerente de vendas
“Falou que a internet estava ruim”
A Tribuna — Como foi a abordagem do golpista?
Bruno Serge de Almeida Castro — A gente estava saindo normalmente do show, que ocorreu sem nenhum contratempo. Quando estava chegando no carro, na avenida Mário Gurgel, alguns ambulantes estavam oferecendo bebidas, diziam que estava acabando. Eram muitos ambulantes.
E parou para comprar?
Sim. Pedi duas bebidas. Encostei o cartão, que era por aproximação, mas o rapaz falou que a internet estava ruim – e estava mesmo. Por isso, falou para inserir o cartão. Foi quando ele começou aquele teatro, se levanta e abaixa a máquina, como se estivesse procurando sinal.
Você digitou a senha?
Sim. Mas ele ficou naquele vai, não vai, e ele mostrando que não estava dando certo. Eu conferi e realmente não tinha passado. Minha esposa até saiu de perto. Então ele pediu para que fizesse um Pix para um outro vendedor ao lado.
Tinha outra pessoa junto?
Não sei se estava com ele. Ele só pediu para que passasse o Pix para que ele recebesse. Fiz e fui embora.
Não percebeu a troca do cartão na hora?
Não. Era igual ao meu. No dia seguinte, acordamos tarde, nem olhei o telefone. Fui na padaria e tentei passar um valor baixo, mas a compra foi recusada. Foi quando eu liguei para o banco e eles mandaram conferir o nome do cartão e vi que estava em nome de uma mulher.
Aí percebeu o golpe?
Sim. Eles fizeram vários saques da minha conta corrente, porque de alguma forma tinham a senha e o cartão. Acredito que quando eu digitava, ficava gravada a senha. Também fizeram outras compras no crédito e no débito.
E o que fez na hora?
Bloqueei e contestei as compras, mas o banco informou que analisa em até 90 dias.
Por que resolveu falar sobre o que aconteceu?
Porque o golpista que fez a troca do cartão estava até falando que estava acabando com as vendas naquele dia e que ainda seguiria para Salvador, em outro show. Deu a entender que eles estão rodando. Depois vi que tem várias reportagens em outros shows com o mesmo tipo de golpe nos últimos dias. Queria chamar a atenção para que isso não ocorra mais. É revoltante demais.
Outros casos
Médico perdeu R$ 41 mil
Um médico de 57 anos perdeu R$ 41 mil após cair em golpe com troca de cartão no dia 9 deste mês, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A vítima tinha comprado bebida de um vendedor ambulante quando seguia com a família para o show do Guns N' Roses, que aconteceu no Autódromo Internacional. Segundo ele, na hora do pagamento na maquininha, teve o cartão trocado por um semelhante.
Horas depois, já perto das 23h, o médico recebeu mensagens do banco com alertas de compras. Parte das transações ocorreu na função débito e outra no crédito. Mesmo com o bloqueio do cartão, compras foram feitas.
Ele disse que só no dia seguinte percebeu que o cartão que tinha em mãos estava no nome de outra pessoa.
Seis vítimas
O show da banda Guns N’ Roses realizado no dia 7 deste mês em São José do Rio Preto (SP) teve pelo menos seis registros de golpes da troca de cartões, em um prejuízo total de R$ 36 mil.
Todas as vítimas relataram que seus cartões haviam sido trocados durante compras nas proximidades do show. De acordo com os depoimentos, os golpistas agiam disfarçados de vendedores ambulantes.
Ao utilizarem máquinas de cartão, eles simulavam um erro no sistema e pediam que o cliente inserisse o cartão novamente e digitasse a senha.
Aproveitando-se do fluxo de pessoas e da distração dos compradores, trocavam o cartão original por outro idêntico antes de devolvê-lo. Em um dos casos, uma única pessoa teve perda superior a R$ 18 mil.
Saiba mais
Golpe da troca de cartão
Como funciona
Criminosos se aproveitam do momento do uso da maquininha de cartão, principalmente em comércios informais, em shows e grandes eventos, para pegar o cartão da vítima e trocar por outro semelhante.
Problemas
Para conseguir fazer a troca, eles alegam problemas operacionais, principalmente diante da dificuldade com a rede de internet no entorno de grandes shows.
Por isso, dizem que não está passando por aproximação, pedindo que as vítimas insiram o cartão e digitem a senha.
Mesmo assim, levam um tempo para passar, mexendo na máquina, afirmando que não estão conseguindo.
Esse tempo, eles usam para fazer a troca, sem que a vítima perceba.
Roubo da Senha
Golpistas prestam atenção quando a vítima insere a senha na maquininha de compra ou se aproveitam de alguma distração para que, sem perceber, a vítima digite os números no campo do valor.
Compras
Com o cartão e a senha em mãos, o caminho está pronto para que os golpistas façam compras.
Como se proteger
Para facilitar a identificação do seu cartão, é possível fazer uma marca visível no plástico ou colar um adesivo para identificá-lo.
Cheque constantemente a sua fatura ou ative o serviço de notificações, para ser informado a cada compra/pagamento realizado.
Ao realizar pagamentos em maquininhas, insira ou aproxime você mesmo o cartão e o mantenha sempre sob sua supervisão.
Não permita que observem a senha na hora de digitar.
Confira seu nome no cartão.
Se identificou algum lançamento que não foi você que realizou ou solicitou, entre em contato com seu banco para realizar a contestação e bloqueio.
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