Fortes emoções podem desencadear infarto, alertam médicos
Especialistas explicam que a descarga de hormônios, como a adrenalina, altera os batimentos cardíacos e a pressão arterial
Gatilhos emocionais agudos, como um susto intenso, uma notícia trágica ou até mesmo uma grande alegria, podem desencadear eventos cardiovasculares graves, incluindo o infarto.
O alerta é de especialistas, que explicam que a descarga de hormônios, como a adrenalina, altera os batimentos cardíacos e a pressão arterial, colocando em risco indivíduos com pré-disposição.
O assunto veio à tona após, no último domingo (14), Alexandre Roriz, de 38 anos, sofrer uma parada cardíaca fatal após presenciar as complicações cardíacas que tiraram a vida de sua mãe, Maria do Carmo Roriz, de 70 anos. O caso aconteceu no bairro Nova Rosa da Penha, em Cariacica, e eles morreram com poucos minutos de diferença.
Cirurgião cardiovascular e coordenador de transplante da Rede Meridional, Melchior Luiz Lima explica que o impacto de uma emoção intensa ativa o sistema nervoso de forma imediata e avassaladora.
“Em uma explosão de emoção intensa, como raiva, medo, ansiedade extrema ou tristeza profunda como o luto, por exemplo, podem ser liberadas grandes doses de adrenalina e a noradrenalina, que provocam efeitos em cadeia, que sufocam e sobrecarregam o coração”.
Embora a dor no peito seja o sintoma mais comum, o sofrimento do coração pode se manifestar de maneiras mais sutis e perigosas. Thaina Soares, coordenadora do Pronto Atendimento da Unimed Sul Capixaba, chama a atenção para o risco de ignorar outros indicativos do corpo.
Entre eles estão falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações frequentes, cansaço excessivo e persistente, tonturas ou episódios de quase desmaio, alterações importantes da pressão arterial e distúrbios do sono associados a sintomas cardiovasculares.
Além do infarto, o estresse agudo é capaz de provocar, de acordo com Rovana Agrizzi, cardiologista do Hospital Vitória Apart, uma condição muito específica.
“O estresse intenso pode precipitar a chamada cardiomiopatia induzida pelo estresse, conhecida como síndrome do coração partido (Takotsubo), que acontece sem obstrução das artérias”.
Augusto Neno, cardiologista da MedSênior, mapeia quem são os indivíduos mais vulneráveis a essas descargas de adrenalina: pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, histórico cardiovascular, fumantes e idosos.
Mortes por infarto agudo do miocárdio no Espírito Santo
Faixa etária 2024 - 2025 - 2026
- 80 anos e + - 909 - 849 - 49
- 70 a 79 anos - 599 - 527 - 69
- 60 a 69 anos - 510 - 488 - 69
- 50 a 59 anos - 254 - 260 - 38
- 40 a 49 anos - 119 - 140 - 24
- 30 a 39 anos - 37 - 29 - 06
- 20 a 29 anos - 07 - 09 - 02
- 15 a 19 anos - 01 - 01 - 01
- 1 a 4 anos - 01 - 00 - 00
Fique por dentro
Estresse repentino
- Estresse repentino e fortes emoções podem realmente causar infartos do miocárdio. Aproximadamente 1 em cada 12 infartos pode ser atribuído a gatilhos emocionais agudos.
Indivíduo vulnerável
- Nem todos que experimentam estresse agudo desenvolvem infarto. A suscetibilidade individual influencia o grau de resposta cardiovascular ao estresse.
Fatores que aumentam a vulnerabilidade
- Incluem doença arterial coronariana pré-existente, depressão e transtornos de ansiedade, estresse crônico (estresse laboral, baixo status socioeconômico), tipo de personalidade, adversidades na infância e sexo feminino.
- Emoções negativas e positivas podem atuar como gatilho
- Entre as situações mais frequentemente associadas a eventos cardíacos estão:
- Morte ou adoecimento grave de um familiar.
- Separações e conflitos familiares ou acidentes.
- Assaltos e situações de violência.
- Desastres naturais.
- Perdas financeiras importantes.
- Notícias extremamente impactantes.
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