Famílias da Itália e dos EUA adotam crianças capixabas
Nos últimos 6 anos, foram 25 adoções por estrangeiros. Crianças mais velhas, grupos de irmãos e adolescentes são mais procurados
Vítimas da ausência de uma estrutura familiar segura, crianças e adolescentes capixabas que não encontram famílias no Brasil têm uma chance de recomeçar em outros países.
No Espírito Santo, italianos lideram as adoções internacionais, seguidos por norte-americanos. Espanha, França e Holanda também aparecem entre os países que já receberam crianças capixabas.
Desde 2019, 25 crianças e adolescentes foram adotados por estrangeiros, segundo a Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Espírito Santo (Ceja-ES).
O perfil mais buscado envolve crianças mais velhas, grupos de irmãos e adolescentes, justamente aqueles que enfrentam mais dificuldades para conseguir uma família no Brasil.
No País, pessoas maiores de 18 anos, solteiros, casados, pessoas em união estável e casais homoafetivos têm direito à adoção. A única exigência legal é que exista uma diferença de 16 anos entre o adotante e a criança ou adolescente.
Hoje, 158 crianças e adolescentes aguardam adoção no Espírito Santo e há cerca de 800 pretendentes habilitados, segundo o Ceja-ES.
O juiz da Vara da Infância e Juventude de Colatina, Ewerton Nicoli, afirmou que entende como legítimo o desejo de pessoas que querem adotar bebês ou crianças pequenas. Mas destacou desafios nesse processo.
“A adoção é feita sob a perspectiva da criança e do adolescente. O interesse é procurar famílias para quem precisa de uma família. São os pretendentes que precisam compreender essa realidade.”
O psicólogo e coordenador da Ceja-ES, Helerson Silva, destaca os perfis mais procurados. “Mesmo tendo mais pretendentes do que crianças, os perfis muitas vezes não batem. Crianças maiores, grupos de irmãos e aquelas com alguma doença ou deficiência acabam ficando mais tempo nas instituições”.
Segundo o juiz Ewerton Nicoli, o cenário ideal seria justamente o de menos crianças aptas à adoção.
“O ideal é que não existam crianças aguardando famílias. O primeiro objetivo sempre é a reintegração à família de origem ou extensa, como avós, tios e parentes próximos”, explica o juiz Ewerton Nicoli.
Irmãos
“A chegada deles foi uma bênção”
A policial militar Carla Sechin Lopes, 36 anos, é casada com a empresária Audrey Jane Dutra Boldrin, 43. Elas moram em Cariacica, e se tornaram mães dos irmãos Rick, de 5 anos, (blusa vermelha) e Davi, de 4 anos (blusa preta) há oito meses. “A decisão de adotá-los veio a partir da nossa decisão em sermos mães. A chegada deles à nossa família foi uma bênção”, revelou a policial militar.
Carla conta que as crianças estão super adaptadas e que ambas estão vivendo e realizando o sonho da maternidade. “A maior alegria é perceber o quanto eles são felizes. A maternidade se resume em amor. Independentemente de gerar ou adotar uma criança, ser mãe é amar sem esperar nada em troca”, diz Carla.
Projeto mostra o sonho e a busca por uma família
Para dar voz e visibilidade a crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e aquelas que possuem alguma deficiência ou condição especial de saúde foi criado o projeto “Esperando por Você”, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-ES).
Só participam aqueles para os quais não foram encontrados pretendentes nacionais, nem internacionais. Atualmente, no Espírito Santo, 45 crianças e adolescentes com idades entre 4 e 17 anos aguardam a chance de uma nova família.
O psicólogo e coordenador da Ceja-ES, Helerson Silva, destaca que o projeto já mudou histórias. “São crianças como quaisquer outras, com sonhos, vontades e necessidade de afeto”, afirmou.
Ele explica que mais de 40 adoções já foram realizadas a partir da iniciativa, muitas delas com perfis que dificilmente seriam escolhidos nos cadastros tradicionais.
Segundo Helerson, o objetivo é justamente romper barreiras. “Essas crianças já tiveram esgotadas todas as possibilidades de adoção. O projeto existe para dar uma última visibilidade e chance real de família”, disse psicólogo e coordenador da Ceja-ES.
Os perfis de crianças e adolescentes podem ser acessados no site https://www.tjes.jus.br/esperandoporvoce/.
Nos vídeos, eles revelam suas qualidades, habilidades, potencialidades e sonhos.
Agradecimento
Reflexão e oração
É em Jacira Maria Lourenço de Souza e Paulo Sérgio Casteluber, ambos de 51 anos, que Ester, de 1 ano e 11 meses encontra sua família.
Segundo Jacira, o desejo de ser mãe foi amadurecido por mais de 10 anos. “A decisão de adotar veio após muita oração. Agradecemos à mãe que a gerou”.
Saiba Mais
Cadastro
- O processo de adoção começa com a habilitação dos pretendentes na Vara da Infância e Juventude ou no pré-cadastro no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).
Avaliações
- Os interessados devem apresentar documentos e passam por avaliações psicossociais feitas por equipes do Judiciário, além de participarem de cursos obrigatórios.
Habilitação
- Após análise do Ministério Público e decisão judicial, os habilitados entram no cadastro nacional e podem ser chamados quando surgir uma criança ou adolescente com perfil compatível ao indicado por eles.
Internacional
- Os estrangeiros precisam ser habilitados no país de origem, comprovar condições psicológicas, sociais e financeiras.
- Toda a documentação é novamente analisada pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-ES). Essa modalidade só ocorre quando todas as possibilidades de adoção nacional forem esgotadas.
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