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Expor crianças nas redes sociais pode causar traumas?

| 22/10/2020 16:44 h

"Grande parte dos golpes aplicados tem como alvo vítimas da terceira idade”, disse Eduardo Pinheiro, especialista em Tecnologia da Informação
"Grande parte dos golpes aplicados tem como alvo vítimas da terceira idade”, disse Eduardo Pinheiro, especialista em Tecnologia da Informação |  Foto: Divulgação

O acesso à tecnologia possibilita aos pais registrar as etapas de crescimento dos filhos. Desde o nascimento até as primeiras palavras, passando pelos primeiros passos ainda um tanto quanto cambaleantes tudo é documentado e, muitas vezes, compartilhado nas redes sociais para que familiares mais distantes e amigos acompanhem a evolução da criança.

Apesar da tecnologia e das redes sociais aproximarem esses laços, alguns cuidados devem ser tomados pelos pais na hora de exibir imagens dos filhos na internet. Especialistas alertam que o excesso de exposição e determinados conteúdos podem produzir traumas futuros para as crianças.

O médico psiquiatra Jairo Navarro destaca que a exposição em excesso pode fazer mal para os filhos no futuro. “Expõe em excesso a intimidade da criança e pode ser lembrado mais à frente. Os pais precisam preservar a intimidade dos filhos e tomar muito cuidado com as exposições”.

Já o especialista em Tecnologia da Informação, Eduardo Pinheiro, ressalta que os pais precisam ser muito conservadores com a exposição dos filhos no ambiente digital, porque na internet não existe a lei do arrependimento.

“Depois que você postou, fez a publicação de uma foto ou imagem, a gente não sabe onde ela vai parar, quem compartilhou, quem copiou. Então em um futuro não muito distante essa imagem, se for constrangedora, pode sim causar problemas para um adolescente sim e depois até levar ao bullying”.

Pinheiro cita o exemplo de uma mãe que publicou foto do filho quando ele tinha 3 anos, usando uma calcinha de uma personagem infantil chamada Moranguinho. A peça íntima era da irmã gêmea dele e foi colocada por engano no menino pela babá.

“A mãe viu, achou engraçadinho e tirou a foto. Depois trocou e colocou a cuequinha nele. Mas ela publicou a foto. O que aconteceu depois de uns anos? Ele tinha 10 anos e um coleguinha teve acesso a foto e compartilhou no grupo da turma. O menino virou alvo de bullying e todos os dias o pessoal perguntava qual calcinha ele estava usando”, lembrou o especialista sobre o caso.

De acordo com ele, os pais também precisam ter cuidado com esse tipo de conteúdo para que não caíam nas mãos de pedófilos na internet. “Os pais precisam ser conservadores, essas fotos sensuais de crianças de calcinha, cueca, biquíni não é recomendado porque isso alimenta a indústria da pornografia na internet”.

O especialista frisa que o Estatuto da Criança e do Adolescente tutela essa reputação das crianças nas redes sociais, por isso a maioria dos aplicativos são proibidos para menores de 13 anos por não terem condições de zelar pela reputação deles.

Segundo ele, os pais têm esse papel de vigilância e proteção e podem ser punidos com a peda da guarda do filho e até mesmo com a prisão no caso de exposição dos filhos ou de “abandono” no mundo digital. A pena para o crime de abandono de incapaz é de até 12 anos de prisão, lembra Pinheiro.


Análise – Jairo Navarro, médico psiquiatra


Jairo Navarro compara pandemia à guerra.
Jairo Navarro compara pandemia à guerra. |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
“Recomendo sempre que monitorem com quem os filhos falam, cuidem para que a intimidade não seja exposta, inclusive muitos adolescentes encaminham imagens íntimas que depois causam grandes problemas e constrangimentos.

A longo prazo, isso pode gerar uma série de problemas e contribuir para o surgimento de transtornos mentais como depressão, ansiedade etc.

Recomendo supervisão tradicional mesmo, olhar as redes dos filhos, conversar sempre, criar boa relação com eles, conhecer os filhos profundamente. Assim, quando alguma coisa ocorrer, os pais perceberão logo”.


Análise – Paula Santos, psicóloga infantil


Paula Santos , psicóloga infantil
Paula Santos , psicóloga infantil |  Foto: Leone Iglesias/AT
“Quanto à exposição dos filhos, a orientação aos pais é que eles tentem proteger ao máximo porque a gente não sabe, não tem o controle de como a criança vai lidar com aquilo no futuro. Por enquanto, ela não tem esse controle, foi um parente, o pai ou a mãe que postou, mas e aí depois qual a proporção que isso tomou?

A internet ela tem uma proporção enorme, quando viraliza então a gente perde o controle. A orientação é que os pais protejam porque não tem como saber se a pessoa vai reagir bem ou mal a isso. Se a pessoa reagir mal, sofrer bullying, é importante que os pais protejam os filhos e não coloque eles em tanta exposição nas redes”.
 

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