Experimento simula abalo de terremoto em casa construída em Vila Velha
Tremor dentro da residência pode chegar a 7.0 na escala Richter
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Por fora uma casa como outra qualquer, mas por dentro uma estrutura que pode suportar um abalo sísmico de até 7.0 na escala Richter. Esse experimento foi criado pelo engenheiro ambiental e empresário capixaba Rondnelio Magno, que instalou o imóvel no bairro Cobilândia, em Vila Velha.
Em entrevista ao Tribuna Notícias, o idealizador explicou o objetivo de construir a casa que simula abalos extremos causados por terremotos. A estrutura do imóvel é inovadora, com perfis de aço galvanizado que dispensam o uso de tijolos e concreto na obra.
"Eu desenvolvi essa plataforma para mostrar que a casa construída de forma industrializada é mais resistente do que as casas em construção convencional. O segundo objetivo é poder contribuir com a comunidade acadêmica, poder oferecer para os estudantes, cientistas e pesquisadores uma ferramenta que possa dar para eles exatidão nos estudos, que possa validar testes e pesquisas".
Alunos da UFES já estão visitando o espaço depois que professores atestaram a simulação feita no local. "A importância dessa plataforma, do ponto de vista científico, é que faz com que as pessoas sintam dentro da casa como se estivesse ocorrendo um terremoto de verdade. E essa estrutura em aço faz com que a estrutura da casa não ceda", explicou Luiza Bricalli, doutora em Geologia da Ufes.
"No Brasil nós não temos terremotos de grandes magnitudes, mas temos movimentos de massa, desmoronamentos, deslizamentos de terra, então essa tecnologia pode ser importante. Temos locais onde nós temos falhas geológicas se movimentando", destacou a professora.
Entre outras vantagens deste tipo de construção estão a montagem rápida, até 3 vezes mais veloz, conforto térmico/acústico e durabilidade superior a 90 anos, com acabamento idêntico à alvenaria convencional.
"Essa casa foi projetada para suportar terremotos de até 7.0 graus na escala Richter, é uma casa muito resistente. Não é comum isso no Brasil, mas aqui é para fazer a validação das estruturas", defendeu ainda o idealizador.
O equipamento que simula terremotos fica em um dos quartos da casa montada e o tremor balança todos os objetos soltas na casa, mas sem abalar a estrutura. Além de resistir, a casa foi projetada para dissipar a vibração, o que faz com que as pessoas sintam menos o abalo. "Se nós fizermos uma regulagem e tirarmos o cálcio hidráulico você consegue sentir uma sensação de desiquilíbrio mesmo", explicou Rondnelio.
A tecnologia é inédita no Estado e inovadora na América Latina. No Brasil, esse tipo de construção pode ajudar pessoas que moram em beiras de estradas ou linhas férreas, cujas casas acabam sofrendo danos. A inovação também pode ajudar outros países, que são atingidos por terremotos e ainda sofrem com deteriorações em estruturas.
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