Experimento de engenheiro capixaba simula terremotos em casa real
Pesquisador do Espírito Santo criou uma tecnologia que permite observar como construções se comportam diante de forças extremas
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Uma casa comum por fora, mas capaz de simular terremotos em escala real por dentro. Esse é o projeto desenvolvido pelo empresário, engenheiro e pesquisador Rondnelio Magno, de 48 anos, que permite observar, na prática, como construções reagem aos tremores.
A iniciativa, que foi exibida em reportagem na TV Tribuna/Band, surgiu da vontade do pesquisador de comprovar a resistência das construções industrializadas feitas com steel frame, sistema que utiliza estruturas pré-fabricadas em substituição ao modelo convencional com tijolos, cimento e areia.
“Esse tipo de construção ainda é vista como frágil e sem resistência. O objetivo foi provar que as técnicas evoluíram e essas construções suportam até terremotos”.
Segundo Rondnelio, enquanto estruturas convencionais suportariam apenas tremores de até grau dois na escala Richter — que mede a intensidade dos abalos —, casas em steel frame podem resistir a terremotos de até grau sete, em uma escala que vai até nove.
Para comprovar a resistência, o pesquisador desenvolveu uma tecnologia capaz de reproduzir as frequências reais de um terremoto.
“Consegui recriar as ondas primárias e secundárias, que são as mesmas geradas em um terremoto real. Quando essas ondas se cruzam, a gente tem a sensação exata de um tremor”, explica.
Um dos diferenciais do simulador, segundo Rondnelio, é o tamanho. Com 36 metros quadrados, a estrutura, que fica em Vila Velha, permite testes em escala real, reproduzindo com mais fidelidade o que acontece com uma casa durante um terremoto.
Para a doutora em Geologia e professora da Ufes Luiza Bricalli, esse tipo de estudo contribui para o desenvolvimento de construções mais seguras em regiões de risco.
“Com dados reais sobre o comportamento das estruturas, é possível projetar edificações mais resistentes, reduzindo danos e dando mais segurança às pessoas”.
Luiza destaca que o projeto ajuda a enfrentar desafios nos estudos dos terremotos, como a dificuldade de reproduzir os efeitos dos abalos em ambientes controlados e a escassez de dados em algumas regiões.
O pesquisador diz que já tem sido procurado por universidades e que seu desejo é ceder a estrutura para pesquisas acadêmicas, ampliando o uso científico da plataforma.
Fique por dentro
A construção
O pesquisador Rondnelio construiu uma casa de 36 metros quadrados em steel frame, um sistema que utiliza perfis de aço galvanizado e substitui a alvenaria tradicional.
A estrutura, além de mais rápida de se executar, apresenta boa resistência, eficiência térmica e acústica, e serve como base para os testes de simulação de terremotos.
Ao todo, foram três anos de estudos e seis meses de construção.
A tecnologia
O sistema utiliza placas metálicas e inversores de frequência instalados na base da estrutura para gerar vibrações controladas.
Esses equipamentos reproduzem as ondas sísmicas primária (P) e secundária (S), responsáveis pelos tremores de um terremoto real.
Ao combinar essas duas ondas, o simulador consegue reproduzir com mais fidelidade o movimento de um abalo sísmico, permitindo testes mais precisos em uma estrutura em tamanho real.
Resistência
A estrutura projetada consegue suportar tremores de até grau sete na Escala Richter, considerado de alta intensidade.
Segundo o pesquisador, construções convencionais resistiriam apenas a abalos leves, de até grau 2.
Aplicação
A tecnologia pode ser utilizada para testar a resistência de construções e auxiliar no desenvolvimento de projetos mais seguros, especialmente em regiões com risco de terremotos.
Próximos passos
O projeto já começou a ser utilizado por estudantes e pesquisadores de universidades federais.
A expectativa é ampliar o uso da estrutura em pesquisas científicas, além de firmar novas parcerias com instituições e governos, inclusive de outros países.
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