Especialistas explicam o que esperar do El Niño este ano
Previsões indicam que até agosto deve haver um El Niño moderado, mas que no verão o fenômeno pode chegar à categoria forte
Com a possibilidade de formação de um novo El Niño nos próximos meses e projeções indicando que o fenômeno pode ganhar força até o verão, a reportagem ouviu especialistas para entender quais impactos podem ser esperados no Brasil e no Espírito Santo. Será que ele tem características para ser considerado um “super El Niño”?
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento, acima da média, das águas do Oceano Pacífico. E embora parte das projeções aponte para a possibilidade de um evento forte ou até muito forte, especialistas alertam que ainda é cedo para cravar a intensidade do fenômeno.
O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Melquizedek Duarte, explica que o El Niño pode ser classificado em quatro categorias: fraco, moderado, forte e muito forte. E o que muitas pessoas chamam de “super El Niño” corresponde à categoria muito forte, quando a anomalia de temperatura ultrapassa 2°C acima da média.
“As previsões indicam com mais certeza é que no cenário de três meses, devemos ter um El Niño moderado. Já para daqui seis meses ou no próximo ano é que previsões estão mostrando que as temperaturas podem ser superiores a 2°C. A intensidade deve ser moderada, não podemos dizer ainda que será muito forte, porque ainda é cedo para ter essa certeza.”
Wesley Correa, professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) explica que no Brasil o fenômeno tem um comportamento mais ou menos esperado: Regiões Norte e Nordeste com menos chuva, e mais chuvas na Região Sul. Já as Regiões Centro-Oeste e Sudeste são de transição.
No Espírito Santo, segundo o professor, ainda não há estudos que mostram essa relação direta do El Niño. “Cada fenômeno terá um comportamento diferente”.
O meteorologista do Incaper Hugo Ramos explica que a relação entre El Niño e chuva no Estado não é tão direta quanto em outras regiões do País. “Historicamente, não existe uma correlação muito forte entre o fenômeno e a quantidade de chuva no Espírito Santo. O que observamos com mais frequência é um aumento das temperaturas médias”.
Alerta mostra Rio Grande do Sul como mais sensível
Sob risco de chuvas intensas para a Região Sul do País com a chegada do El Niño nos próximos meses, autoridades políticas de Santa Catarina já preparam um pacote de medidas para conter possíveis enchentes na região.
Há alertas indicando que o Rio Grande do Sul é o estado mais sensível à chegada do fenômeno. Em 2024, o estado sofreu grande impacto com as chuvas que causaram destruição e deixaram mais de 180 mortos.
Durante episódios de El Niño, a chance de enchentes nessa área pode crescer em até 160%.
Já Santa Catarina apresenta um “sinal relevante de impactos compostos”, entre inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos. Por conta disso, municípios do Vale do Itajaí, região de Santa Catarina entre mais suscetíveis a eventos extremos, anunciaram o cancelamento de festas tradicionais visando ampliar ações de prevenção para o fenômeno.
Por outro lado, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo federal e os estados da Amazônia e do Pantanal informem quais medidas estão em curso para evitar e conter incêndios florestais nesses biomas, que podem ser causados pela seca provocada pelo El Niño.
O último El Niño se formou em 2023 e durou até junho de 2024.
Fique por dentro
El Niño
- O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele é oficialmente caracterizado quando a temperatura da superfície do mar fica pelo menos 0,5°C acima da média, conforme explica o professor do Departamento de Geografia da Ufes, Wesley Corrêa.
Quando vai começar?
- Os especialistas afirmam que há uma alta probabilidade de formação do fenômeno entre o segundo semestre deste ano e o início de 2027.
- De acordo com o meteorologista do Inmet, Melquizedek Duarte, as chances de ocorrência durante a primavera e o verão ultrapassam 90%. No entanto, ainda não é possível afirmar qual será sua intensidade, mas com chance de ser moderada.
Teremos um “super El Niño”?
- Esse termo não é uma categoria oficial, mas uma expressão usada para se referir aos eventos muito fortes, quando a temperatura das águas do Pacífico ultrapassa 2°C acima da média. Apesar de algumas projeções apontarem essa possibilidade, os especialistas reforçam que ainda não há evidências suficientes para confirmar um evento extremo.
Impactos
- Regiões Norte e Nordeste: tendência de chuvas abaixo da média.
- Região Sul: aumento de chuva.
- Espírito Santo: a consequência mais provável é o aumento das temperaturas médias.
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