ES já tem 25 ciclistas mortos em acidente este ano
Caso mais recente foi no sábado, quando um homem pedalava pela rua Henrique Moscoso, em Vila Velha, e foi atingido por uma moto
A morte de um ciclista atropelado por uma motocicleta em Vila Velha elevou para 25 o número de vítimas fatais que pedalavam no trânsito capixaba neste ano, segundo dados do Observatório da Segurança Pública.
Especialistas afirmam que o cenário reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura cicloviária, intensificar a fiscalização e promover ações de conscientização para reduzir os acidentes.
O acidente aconteceu na noite de sábado (18), quando o ciclista atravessava pedalando a rua Henrique Moscoso, no centro de Vila Velha, na altura de uma faixa de pedestres.
Imagens de videomonitoramento mostram a colisão da motocicleta com o ciclista. Com a força do impacto, o ciclista foi arremessado e morreu ainda no local.
Como ele estava sem documentos no momento do acidente, ele não foi identificado na hora. Segundo pessoas que moram na região, ele atuava como catador de materiais recicláveis e tinha cerca de 50 anos. No momento do acidente, estaria voltando para casa.
Já o motociclista caiu e arrastou pela via por cerca de 50 metros até a moto dele parar debaixo de um carro estacionado.
O condutor da moto foi levado, em estado grave, para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência, em Vitória, onde foi entubado. Devido ao quadro de saúde do motociclista, a Polícia Militar do Espírito Santo informou que não conseguiu realizar o teste do bafômetro nem colher depoimento.
A Polícia Civil do Espírito Santo informou em nota que o caso seguirá sob investigação da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito.
Para o consultor em Segurança Viária Anthony Moraes Costa, o acidente evidencia uma combinação de fatores que ainda contribuem para as mortes no trânsito: imprudência, desrespeito às normas e falhas na infraestrutura destinada aos ciclistas.
“A bicicleta é um veículo fundamental para a micromobilidade urbana e precisa ser valorizada. Mas, para que haja segurança, é necessário investir em uma malha cicloviária mais adequada, melhorar a sinalização, ampliar a fiscalização e fortalecer a educação para o trânsito. Tudo isso precisa caminhar junto”.
Idosos estão entre as principais vítimas
Mais de um em cada quatro ciclistas mortos no trânsito do Espírito Santo tinha 65 anos ou mais. Segundo levantamento do Observatório da Segurança Pública, essa faixa etária responde por 25,3% das vítimas fatais.
O levantamento também mostra que 18,2% dos ciclistas mortos tinham entre 55 e 64 anos, enquanto 16,55% estavam na faixa etária entre 45 e 54 anos.
Além da maior fragilidade física dos idosos diante de impactos, fatores como redução da velocidade de reação e a falta de infraestrutura adequada para a circulação de bicicletas podem aumentar o risco de acidentes graves nessa população.
O chefe da Subseção de Comunicação Social do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), tenente Lucas Gabriel Lourenço, afirmou que, de forma geral, os ciclistas estão em uma posição vulnerável, porque, por mais que não sejam veículos automotores, muitas vezes acabam compartilhando as vias com esses veículos.
“Isso ressalta uma preocupação que esse tipo de condutor deve ter ao sair com a sua bicicleta: é importante sempre trafegar em locais bem iluminados, utilizando equipamentos de proteção e que aumentem a sua visibilidade”.
Ele salientou que acidentes como o que ocorreu no último sábado revelam a importância que o ciclista deve dar durante o seu percurso. “Nós conseguimos perceber ainda que o excesso de velocidade por parte de outros condutores também contribui para esse tipo de sinistro”.
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