Encontros presenciais ganham mais força em todas as idades
O famoso “olho no olho” tem se tornado cada vez mais uma forma de fortalecer vínculos afetivos
No mundo dos algoritmos e dos grupos de WhatsApp, encontros presenciais têm ganhado cada vez mais força em todas as idades.
A tendência, destaca a psicóloga Thays Babo, varia entre gerações. Aqueles da Z, nascidos entre 1997 e 2012, ainda hoje, embora estejam interagindo mais presencialmente, sentem-se mais seguros no ambiente digital. Já a geração X, nascida entre 1965 e 1980, tem organizado mais encontros presenciais.
“Aos poucos, grupos que estão cansados do isolamento têm organizado eventos presenciais. Muitos já não querem deixar suas escolhas serem feitas por algoritmos ou inteligência artificial”, diz Thays Babo.
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O aumento no número de encontros presenciais também é percebido no comércio. É o caso da Bia Del Maestro, proprietária do restaurante Caçarola Bistrot, que funciona no Barro Vermelho, em Vitória.
“Após a pandemia, houve um retorno para o presencial. Acredito que isso vem se estreitando cada vez mais. Não só com pessoas idosas, mas também com jovens”.
Um levantamento encomendado pela Heineken, em parceria com a Box 1824, escutou mais de mil brasileiros e conectores culturais e constatou que mais da metade (52,6%) afirma que o “olho no olho” é o que mais recarrega sua bateria social.
“Não tem como substituir o presencial, o calor humano e a troca. Reabastece nossa energia”, diz a social media Adryelle Santana, 29.
É ela a responsável por “agitar” o grupo de amigos para se reunirem ao menos duas vezes por mês, apesar de contar que conciliar as agendas não é fácil.
“Por conta do meu trabalho, quero sair um pouco das telas. Sinto que as redes sociais trazem uma falsa sensação de socialização. É como se, ao atualizar informação no grupo, você se mantivesse presente. E elas ajudam, mas não substituem o presencial”.
O grupo de Adryelle foi formado na infância: com ela, a irmã Kezia Santana, 27, e o amigo Ícaro Rodrigues, 31. Hoje, entre outros, conta com o Heitor Selim, 28, e Gabriel Rodrigues, 29.
“Meu pai era vizinho da mãe do Ícaro e minha mãe era vizinha do pai dele. Isso em bairros diferentes”, diz Adryelle.
A psicóloga Roberta Valory observa que encontros presenciais atendem a uma necessidade humana básica: a conexão. “Desde a infância até a velhice é nas relações presenciais que desenvolvemos habilidades sociais e fortalecemos vínculos afetivos”.
Amizade e vínculo
Viagens só para meninas
Faz quatro anos que a bióloga Raquel Spinassé e suas amigas - Cynara Possamai, Flávia Portela e Aline Pelissari - se encontram duas vezes ao ano para uma viagem de fim de semana: em julho e dezembro. “Temos esses encontros presenciais para manter a amizade e o vínculo. É quando nos conectamos mais uma na outra”, diz Raquel.
Todas têm 41 anos e se conheceram na faculdade de Ciências Biológicas em 2004, no segundo período. “Passamos a faculdade juntas. Depois cada uma seguiu com a vida. Uma foi morar na Itália e as outras casaram. Essa amiga da Itália é a única que ainda não conseguimos encontrar presencialmente”.
Elas nunca perderam o contato ao longo dos 22 anos, mas ficou restrito a conversas online e eventos importantes, como casamentos. Até que começaram a marcar viagens só delas. “Cada uma cresceu muito depois”.
Longe do celular
A fotógrafa Thais Carletti, 36, criou em seu ateliê oficinas de colagem, escrita e outras atividades manuais.
Os encontros, que já tiveram grupos de até 20 participantes, oferecem horas de convivência longe do celular.
Ela diz ter percebido um aumento na busca por atividades longe do virtual. “As pessoas têm muitas trocas de amizade e trabalho”.
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