"Em segundos, nossas vidas mudaram", conta a irmã de vítima de acidente
Família de Guilherme dos Santos Correa relata o que aconteceu na Marechal Campos e cobra responsabilização do motorista envolvido
A gargalhada, os planos para o próximo Carnaval, os tecidos e adereços espalhados pelo quarto continuam vivos na memória da família de Guilherme dos Santos Correa, de 31 anos.
Ele sofreu um grave acidente, em março deste ano, enquanto retornava para casa, em uma moto por aplicativo.
Após 14 dias de internação, Guilherme morreu, deixando um vazio que a irmã, a atendente Suellen dos Santos Silva, de 34 anos, ainda tenta compreender. “Em segundos, nossas vidas mudaram”, diz.
Em entrevista para a reportagem, ela falou também sobre a dor da perda do irmão e sobre a busca da família por justiça.
A Tribuna — Como aconteceu o acidente com o seu irmão?
Suellen dos Santos Silva — Ele estava em uma moto por aplicativo. Era um domingo em que ele tinha trabalhado o dia todo em uma distribuidora. Depois passou em casa, tomou um banho e foi na casa de um amigo. No retorno, por volta das 23 horas, ele optou por pegar a moto para ir para casa.
Quando passavam pela Marechal Campos (Vitória), um motorista, que estava saindo de um posto de combustíveis, invadiu a contramão e bateu de frente com a moto em que ele estava.
Pessoas contaram que esse motorista estava saindo de um posto de gasolina onde tinha ingerido bebida alcoólica.
O condutor da moto também se feriu?
Sim. Ele quebrou as pernas, teve que fazer duas cirurgias para reconstruir o fêmur. Guilherme ficou vivo no hospital ainda por 14 dias, em estado grave.
O condutor da moto por aplicativo ainda estava internado quando ele morreu. O tempo todo nossas famílias, por estarem no mesmo hospital, ficaram em contato.
O condutor ficou desesperado. Ele chegou a falar para minha mãe que não tinha saído de casa para causar a morte de ninguém. E ele não teve culpa mesmo.
O motorista do carro chegou a fazer teste do bafômetro?
Dizem que não. Ele nunca, em qualquer momento, procurou a gente. O que a gente busca é que o responsável pague pelo que fez.
Tem um vídeo que mostra que a moto não invadiu a contramão, ao contrário do que ele disse.
Nada que a gente faça vai trazer o meu irmão de volta, mas se o motorista do carro bebeu, ele deve arcar com as consequências.
Meu irmão era muito responsável. Ele se dedicava 100% a tudo o que fazia, trabalhava em vários empregos. Se ele começasse, ele entregava o melhor dele.
Ele também era passista na escola de samba?
Guilherme estava sempre fazendo alguma coisa. Ele era dançarino, professor de dança, participava de apresentações fora do Estado. Era passista, coreografava comissão de frente, desenhava as fantasias e bordava pedra por pedra da roupa de passistas.
Também fazia bolos para vender. Muitas coisas dele continuam aqui em casa, mas materiais doamos para a escola de samba que ele participava, que era a Andaraí.
Qual a lembrança que ficou do seu irmão?
A gargalhada dele, a alegria, a espontaneidade. Ele tinha um jeito de falar sem rodeios, sempre sincero. Nenhuma festa da nossa casa será mais a mesma. Ele que pensava em tudo: decoração, doces e arranjos.
A saudade é grande demais, porque antes ele saía e a gente sabia que ele iria voltar. Mesmo quando ele viajava, ele mandava fotos e ligava para nossa mãe.
Mas agora, ele não volta mais. Não tem mais como esperar. Ficou um vazio.
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