El Niño faz governo reforçar vigilância do nível dos rios
O objetivo é evitar problemas no abastecimento, caso a expectativa de seca prolongada e aumento do calor se confirmem
Mesmo com a redução na vazão dos rios no Estado dentro do cenário esperado para a época de estiagem, a expectativa de possíveis impactos do “Super El Niño” levou o Estado a reforçar o monitoramento das bacias hidrográficas.
O objetivo é evitar problemas no abastecimento, caso a perspectiva de seca prolongada e aumento do calor se confirmem.
A situação dos rios no Estado está entre os dados do primeiro Boletim de Monitoramento dos Impactos do Fenômeno El Niño, que reúne informações sobre clima, monitoramento de secas, abastecimento de água, focos de calor, incêndios e ações desenvolvidas.
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O boletim é resultado da reunião de representantes de órgãos que integram o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño, que teve participação do governador Ricardo Ferraço.
Com relação aos níveis dos rios no Estado, o diretor-geral da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, explicou que as principais bacias hidrográficas apresentam tendência de redução da vazão. No entanto, disse que o comportamento é considerado normal para o período de estiagem, que se estende de abril até o fim de outubro.
“Ainda não é possível atribuir a redução da vazão ao El Niño, mas, se o fenômeno vier com a intensidade prevista, poderemos observar uma diminuição mais acentuada da vazão nos próximos meses.”
Para acompanhar a evolução, a Agerh intensificou o monitoramento dos rios, reforçou a manutenção das 28 estações automáticas e ampliou medições em campo para garantir informações atualizadas utilizadas na tomada de decisões.
O Estado acompanha diariamente as bacias hidrográficas também por meio de dados da Agência Nacional de Águas e de pequenas centrais hidrelétricas.
Embora não haja, até o momento, necessidade de restringir o uso da água, a Agerh estuda publicar uma resolução de atenção para reforçar medidas preventivas durante a estiagem. “Queremos intensificar recomendações de uso racional da água para a população, agricultores e indústrias”.
A coordenadora estadual adjunta de Proteção e Defesa Civil, tenente-coronel Lorena Sarmento Rezende, explicou que, além do monitoramento da vazão dos rios, os órgãos que integram o CICC estão todos adotando medidas de preparação para os possíveis efeitos do El Niño.
“Não esperamos o fenômeno ficar intenso para agir. A estratégia é antecipar as ações de preparação”, disse.
Saiba mais
Boletim
Como parte dos esforços para monitoramento e prevenção dos efeitos do El Niño, foi publicado nesta semana o primeiro Boletim de Monitoramento dos Impactos do Fenômeno El Niño.
O documento técnico reúne informações sobre prognóstico climático, monitoramento de secas, abastecimento de água, focos de calor, incêndios em vegetação e as ações desenvolvidas pelos órgãos que integram o Centro.
O boletim é resultado da segunda reunião do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño, realizado na última terça-feira, na sede da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec-ES), em Vitória.
Projeções de impacto
As projeções climáticas indicam a intensificação gradual do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com elevada probabilidade de atingir intensidade forte a muito forte.
Os impactos mais significativos no Espírito Santo são esperados a partir da segunda quinzena de agosto, especialmente nos meses de setembro e outubro, com previsão de temperaturas acima da média histórica, expansão das condições de seca e aumento do potencial para ocorrência de incêndios em vegetação.
Vazão dos rios
De acordo com o monitoramento hidrológico realizado pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), as principais regiões hidrográficas do Espírito Santo apresentam redução das vazões, refletindo os efeitos da estiagem característica do período seco.
Todas as estações hidrológicas registraram, nos últimos 30 dias, vazões inferiores às médias históricas mensais, evidenciando redução da disponibilidade hídrica no Estado.
As bacias dos rios Doce (estações Colatina Ponte e Santa Joana), Jucu, Santa Maria da Vitória, Itabapoana e Benevente encontram-se em estado de alerta.
A bacia do rio Benevente apresenta a situação mais crítica.
Já os rios São Mateus, Itapemirim e Guandu, embora apresentem vazões inferiores às médias históricas para o período, permanecem acima do estado de alerta.
Os rios Itapemirim e Guandu operam com vazões próximas ao limite de referência.
O rio São Mateus está em condição mais favorável.
Apesar do cenário, a Agerh reforça que essa tendência de redução da vazão é característica do período de estiagem. Os efeitos do El Niño só poderão ser confirmados nos próximos meses.
Prevenção
o boletim reforça a importância da adoção de medidas preventivas pela população, como o uso consciente da água e a prevenção de queimadas.
A orientação é evitar qualquer prática que possa provocar incêndios em áreas de vegetação, sobretudo durante os períodos mais secos e quentes do ano.
Ações em andamento
Entre as ações, órgãos estaduais mantêm o monitoramento permanente das condições climáticas, dos níveis dos rios e mananciais utilizados para abastecimento público, além do acompanhamento das ocorrências de incêndios em vegetação.
Também estão sendo desenvolvidas ações voltadas ao fortalecimento da infraestrutura hídrica, ao apoio aos produtores rurais e ao emprego de recursos operacionais destinados à prevenção e resposta em situações de emergência.
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