Dentista indiciada por deformar pacientes tem registro profissional cassado
CRO-ES cassou o registro de Marian Laranja, mas a defesa recorreu, contesta a responsabilização e diz que penalidades não estão em vigor
A dentista Mariana Laranja teve o registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO) do Espírito Santo. Ela foi indiciada pela Polícia Civil, junto com o sobrinho e sócio, Nathan Laranja Roeder Holz, após pacientes relatarem deformações, infecções e complicações decorrentes de procedimentos realizados por ela.
Por meio de nota, o CRO-ES disse não poder divulgar detalhes sobre o que ficou decidido e que as decisões tomadas pelo conselho não são definitivas até o último recurso.
"O CRO-ES reafirma seu papel institucional de fiscalização do exercício da Odontologia no Espírito Santo, atuando em defesa da sociedade e da qualidade dos serviços odontológicos prestados à população, em observância aos princípios do Código de Ética Odontológica", disse o conselho.
O que diz a defesa da dentista?
A defesa da dentista Mariana Laranja afirmou ter recebido com “absoluta perplexidade” a decisão do Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) e classificou como equivocada a responsabilização da profissional. Segundo os advogados, Mariana não realizou o procedimento que motivou o processo ético, não participou do ato e sequer estava no estabelecimento no momento em que ele ocorreu. A defesa afirma ainda que, na ocasião, a dentista estava em viagem profissional para participar de um curso no exterior.
Os advogados também questionam a condução do processo e alegam que o CRO-ES utilizou processos distintos, alegações relacionadas a terceiros e reportagens jornalísticas para agravar a penalidade, sem individualizar adequadamente a conduta atribuída à dentista. A defesa afirma ainda que não foi realizada perícia técnica sobre o equipamento utilizado e sobre a causa da intercorrência investigada.
A defesa informou que já recorreu da decisão ao Conselho Federal de Odontologia. Segundo os advogados, o recurso tem efeito suspensivo, o que, na avaliação deles, significa que as penalidades de suspensão e cassação não estão atualmente em vigor. A defesa sustenta, portanto, que não há decisão administrativa definitiva contra Mariana.
Ainda de acordo com a nota, a clínica permanece funcionando regularmente e possui licença sanitária válida até agosto de 2029. A defesa também afirma que Mariana continua exercendo atividades acadêmicas e educacionais, incluindo a realização de cursos.
Por fim, os advogados classificaram a apuração do CRO-ES como marcada por “falhas” na identificação da autoria e afirmaram que o caso será levado às instâncias competentes. A defesa também negou que a dissolução de uma pessoa jurídica ligada a Mariana tenha relação com o processo ético, afirmando que se tratava de uma empresa distinta, criada para um projeto que não chegou a ser implementado.
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