Cultura asiática vira moda em todas as idades no ES
Influência ultrapassa o entretenimento e impacta diferentes áreas do cotidiano, como moda, alimentação e cuidados pessoais
Dos doramas, famosas séries coreanas, às rotinas de skincare, a cultura asiática tem conquistado públicos de todas as idades. O que antes ficava restrito a grupos nichados, hoje influencia hábitos de consumo e cria comunidades de fãs.
Segundo o professor Emiliano Unzer, que ministra a disciplina de História da Ásia no Departamento de História da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o movimento é influenciado pelas produções culturais asiáticas.
“Antes, especialmente até os anos 1990, havia um domínio muito grande das produções culturais e midiáticas dos Estados Unidos e da Europa no Ocidente. Hoje, o mundo é multipolar e com a internet conseguimos acessar qualquer coisa”, explica o professor.
Na visão do professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes, Fábio Camarneiro, o crescimento desse interesse também está ligado à busca do público por novas referências.
“As pessoas querem novidades. Existe uma sensação de saturação do modelo americano, então o que vem de fora acaba despertando curiosidade e interesse.”
Assim, essa influência ultrapassa o entretenimento e passa a impactar diferentes áreas do cotidiano, como moda, alimentação e cuidados pessoais.
“A Coreia percebeu o que Hollywood faz há muito tempo: primeiro vêm os produtos culturais, depois os produtos de consumo. As pessoas passam a desejar aquilo que veem”, diz Fábio.
A psicóloga Rachel Borges, acrescenta que esse consumo cultural interfere até mesmo na construção de uma identidade.
“Principalmente na adolescência, é comum que as pessoas busquem referências com as quais se identificam emocionalmente. Isso influencia desde preferências musicais até formas de se comunicar e se posicionar socialmente.”
Além disso, o professor Emiliano Unzer enxerga no movimento uma boa oportunidade para intercâmbio cultural.
“Isso gera intercâmbio cultural, aproxima sociedades e fortalece relações entre países para além dos governos.”
E a tendência é que a cultura asiática, que está em ascensão, ainda siga influenciando a cultura brasileira. “Isso é positivo porque oferece outras referências além do modelo euro-americano que predominava”, conclui Emiliano.
Personagens “reais”
Cada vez mais presente em eventos de cultura pop, os cosplayers transformam personagens de animes, filmes e jogos em realidade com figurinos, maquiagem e interpretação.
A auxiliar administrativa Bianca Gomes Machado, de 30 anos, conheceu esse universo ainda na infância, assistindo a animes na televisão e folheando revistas sobre cultura japonesa.
“Eu lembro que nas revistas tinha fotos de cosplayers em eventos de anime. Quando eu vi aquilo pela primeira vez, pensei: 'Um dia, eu quero fazer isso também'”, conta.
Segundo ela, a preparação de um personagem exige muita pesquisa, planejamento e também trabalho manual. “Dependendo da complexidade, um cosplay pode levar cerca de um mês para ficar pronto”, ressaltou.
Assim como ela, João Pedro Camargo, Marina Eduarda, Yuri Pereira dos Santos e Shiro Gomes também se aventuram no cosplay.
Fãs de k-pop
A paixão pelo grupo sul-coreano BTS virou até profissão para a influenciadora e produtora de eventos de k-pop Rayane Souza, de 35 anos. Ela conta que conheceu o grupo em 2023 por influência das sobrinhas e, a partir da música, mergulhou em outros elementos da cultura asiática.
“Você percebe que não está apenas sendo fã de um artista, mas de uma comunidade, uma cultura, que influencia toda a sua vida.”
Segundo Rayane, o que mais chama a sua atenção no universo do k-pop são os valores. “São mensagens de disciplina, lealdade e autoestima”.
Além dela, Rosi Muniz, Andréia Carvalho e Alice Santos também são muito fãs de bandas de k-pop.
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