Copa do Mundo: capixaba comanda grife que fez look usado por Virginia
Marca do Estado que produz roupas em crochê de forma artesanal ganha visibilidade e aumenta as vendas por vestir mulheres famosas
Um vestido de crochê produzido por uma marca capixaba foi um dos looks mais comentados da Copa do Mundo. A peça, nas cores da bandeira do Brasil, foi usada pela empresária e influenciadora Virginia Fonseca para assistir à vitória da Seleção Brasileira sobre a Escócia, na última quarta. A publicação ultrapassou 28 mil curtidas e ganhou um comentário do jogador Vinícius Júnior.
Por trás do vestido está a Fave Brasil, marca criada pela empresária Lívia Sampaio, de 26 anos. Desde 2021, a empresa produz peças artesanais que misturam crochê com linho, jeans e algodão e já conquistou clientes em diversos países.
Não foi a primeira vez que uma celebridade escolheu uma criação da marca. Em 2024, Anitta usou uma peça da Fave durante uma viagem. Neste ano, Virginia também usou um conjunto da marca na apuração do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro e outro num safári com a família no mesmo estado.
A história da empresa começou de forma despretensiosa. Enquanto cursava Medicina Veterinária, Lívia vendia para colegas da faculdade as peças de crochê produzidas pela avó Sônia Leão, 75, como hobby. A graduação foi concluída, mas a jovem decidiu seguir outro caminho.
“A virada de chave foi quando a Anitta usou, em 2024. Tivemos nossa primeira viralização e o negócio explodiu. Recebemos muitos pedidos, um faturamento muito grande em pouquíssimo tempo e descobrimos que precisávamos estruturar a empresa”, diz.
Filha da Renata Leão, 57, Lívia administra uma marca que veste celebridades e exporta para diferentes países. Mesmo assim, evita dizer que alcançou o sucesso. “Acredito que já alcançamos lugares muito legais e vestimos pessoas incríveis, mas sempre fico com aquela sensação de que poderíamos ter feito mais. Sei que é uma autocobrança”, diz.
Um dos diferenciais da marca é mostrar nas redes sociais os bastidores da produção artesanal. “O nosso grande diferencial para crescer foi compartilhar os bastidores. O crochê é um produto feito à mão por pessoas reais, que passam por problemas e vencem desafios todos os dias”, afirma.
Hoje, a avó já não é responsável por toda a produção. A Fave tem um time de crocheteiras formado por cerca de 10 artesãs. A Lívia não tece peças, mas administra o negócio. “Quando cursava veterinária, meu coração não palpitava, hoje ele faz. Meu trabalho é minha identidade. Praticamente acordo trabalhando.”
Lívia Sampaio empresária: “Quase 27 mil em vendas”
A Tribuna Como foi saber que mais um look da sua empresa tinha sido usado pela Virginia Fonseca, influenciadora com 56 milhões de seguidores?
Lívia Sampaio É sempre um prazer muito grande ver nossas peças alcançando celebridades gigantes. Nesse caso, uma pessoa que tem acesso a marcas tão grandes e mesmo assim escolheu usar uma peça de uma produção pequena. Isso é muito importante pra gente, reconhece e traz muito valor ao nosso trabalho.
Qual foi o impacto da publicação nas vendas?
Nós somos uma pequena empresa com um produto sazonal, nosso forte é o verão. É quando não fazemos nenhum esforço para vender. Passa o Carnaval e nossa demanda fica mais tranquila. No inverno é mais devagar. Em dois dias, depois que a Virginia usou nossa roupa, conseguimos bater 25 vestidos, quase R$ 27 mil em vendas.
Quanto tempo as roupas da Fave Brasil demoram a ficar prontas?
Depende do grau de dificuldade e tamanho da peça. Em média, são 10 dias. Foi o tempo que o vestido usado pela Virginia demorou para ficar pronto. Nós falamos que nossas peças são handy made, ou seja, feitas à mão do início ao fim. Nosso time é 100% capixaba, com predomínio de mulheres.
É você quem faz as peças?
Não. Eu cuido da parte administrativa. A Fave Brasil começou em 2021, no meio da pandemia. Quem começou com o crochê foi a minha avó, ela fazia os produtos e eu vendia para minhas colegas de faculdade e criei o negócio.
A Fave cresceu e a gente tem um grupo de crocheteiras, elas ficam com a maioria da demanda. Ninguém trabalha sozinha, cada uma constrói um pouquinho, depois juntamos e montamos a peça. Minha avó, hoje, trabalha conosco em escala menor, um ou outro pedido apenas.
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