Ciclistas temem acidentes com inclinação na Terceira Ponte
Especialistas sugerem pontos de parada para amortecer velocidade
A inclinação média de 4,5% da Ciclovia da Vida, em construção na Terceira Ponte, já preocupa ciclistas: eles temem o risco de acidentes durante as descidas das pistas. Embora esteja de acordo com manuais técnicos, especialistas questionam a inclinação e alertam para a necessidade de patamares nos trajetos.
O ciclista e servidor público Célio da Penha, de 56 anos, afirma que se sente inseguro com a inclinação prevista no projeto. Para ele, é preciso pensar em formas de diminuir a velocidade das bicicletas nas descidas da ciclovia.
“Precisamos garantir a segurança de usuários. Vai ser difícil vencer essa inclinação, tanto na subida quanto na descida, que pode envolver o risco de acidentes, caso não tenham paradas e formas de amortecer a velocidade dos ciclistas. Queremos ser ouvidos nessa situação”.
Já a artesã Luciene Gozzer Alvarenga, 56, conta que já pedalou na Terceira Ponte e alerta para a fiscalização das condições de bicicletas que irão acessar a ciclovia.
“É preciso garantir um freio bem regulado para evitar acidentes na descida. Quem não tem preparo físico, certamente terá dificuldade em vencer essa inclinação”.
O ciclista e servidor público Fernando Braga, de 62 anos, explica que o projeto é uma reivindicação da sociedade, mas critica a falta de transparência sobre a operação e o projeto.
“A ciclovia foi uma briga nossa, mas precisamos entender o projeto. A obra está acontecendo, mas existem questionamentos sérios”.
O professor da Ufes e diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil no Estado (IAB-ES), Tarcísio Bahia, analisa que a inclinação de 4,5% é viável, mas se torna um problema pela distância da ciclovia.
“Uma desatenção já pode causar acidentes. É preciso construir patamares para paradas nos trechos. Como alternativa de mobilidade urbana, é complicado. Imagina enfrentar aquela ladeira antes e depois de trabalhar?”, questiona.
Conselheiro do IAB-ES, Eduardo Pasquinelli, 55, avalia que a inclinação da ciclovia pode ser, inclusive, maior do que o divulgado pela Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi).
“Se a ciclovia acompanha o desenho da Terceira Ponte, essa inclinação me parece até maior. Os patamares são essenciais, tendo em vista a inclinação”, disse.
Medo de “invasão” de bicicletas elétricas
Outro medo de ciclistas na operação da Ciclovia da Vida é de que haja uma invasão de bicicletas elétricas. Para eles, alguns modelos deveriam até ser proibidos.
O ciclista e servidor público Fernando Braga pondera que não se pode desestimular o uso da ciclovia e não vê problemas no uso de bicicletas elétricas no espaço, desde que com cuidados. A exceção, para ele, são os modelos ciclomotores, que atingem alta velocidade.
“É algo digno de preocupação. As bicicletas elétricas são silenciosas e, quando estamos pedalando, levamos até um susto com a chegada delas. Vejo algumas em velocidade excessiva, o que pode ser perigoso na Ciclovia da Vida. Alguns modelos (ciclomotores elétricos) deveriam ser proibidos”, explica.
A conscientização sobre as condições de circulação no local deve ser contínua, argumenta o servidor público.
“Precisamos de campanhas permanentes de conscientização para todos, inclusive ciclistas. Só assim vamos garantir bons comportamentos no uso da ciclovia. As condições das bicicletas, por exemplo, precisam ser fiscalizadas”.
O diretor do IAB-ES e professor da Ufes Tarcísio Bahia explica que os ciclomotores elétricos nem poderiam transitar por essa via.
“Ainda não há uma fiscalização efetiva sobre o uso desses veículos, embora tenhamos legislação, mas eles deveriam circular com placas e deveria ser exigido habilitação do condutor. Na ciclovia, esses ciclomotores devem ser proibidos”.
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