Aventuras e desafios sobre prancha em alto-mar no ES
Em cima de um equipamento de stand-up paddle, Gabriel Rocha Afonso já fez travessias de até 65 quilômetros
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Imenso, indomável e repleto de mistérios, o alto-mar pode ser fascinante. O universitário Gabriel Rocha Afonso, de 19 anos, sabe muito bem disso.
É em alto-mar que ele encontra, a bordo de uma prancha de stand-up paddle, seu palco de aventuras e desafios.
Em suas redes sociais, que somam mais de 1 milhão de seguidores, ele mostra suas travessias, iniciadas, na maioria das vezes, pela madrugada.
Foi ainda na infância que a paixão de Gabriel pelos esportes radicais teve início, influenciado por seu pai.
“Meu pai sempre foi atleta, praticou todo tipo de esporte, principalmente corrida e mountain bike. A partir dele eu recebi influências para a prática de esportes ao ar livre, principalmente os que envolvem adrenalina. Assim, eu conheci o stand-up paddle, o kitesurfe, a escalada, o downhill (ciclismo de montanha), a canoagem e o mergulho. Todos esses esportes eu pratico com frequência atualmente”.
Mas foi no stand-up paddle – prática que consiste em ficar de pé em cima da prancha e remar – que Gabriel viu seus vídeos viralizarem. Se no início o esporte foi levado como lazer, hoje, Gabriel considera o stand-up paddle um treinamento de resistência física e mental, chegando a fazer travessias de 65 quilômetros, sem apoio de embarcações.
“Estou fazendo treinos intensos. Têm treinos em que eu saio de casa às 3 horas da madrugada e só chego às 20 horas. Tudo isso com o objetivo de, talvez algum dia, entrar para história, faz travessias que nunca foram realizadas pelo ser humano. Se eu não me engano, já realizei uma ou duas travessias que nunca foram realizadas por ninguém. Quero que essas travessias sejam cada vez mais longas e desafiadoras”.
Temporais intensos e ventos fortes estão entre os desafios que Gabriel já teve de enfrentar durante as remadas em mar aberto.
“Cheguei a pegar temporais intensos no mar, em que a ausência de uma proteção térmica poderia me levar a ter um hipotermia, porque tomei muita chuva e ainda tive de remar. Outro desafio é quando os ventos viram, não estando de acordo com as previsões”.
Segurança
Para realizar o esporte em alto-mar, o universitário afirma que tem investido cada vez mais em segurança.
Tempos atrás, Gabriel chegou a realizar travessias até navios cargueiros gigantes, mas, após receber orientação da Capitania dos Portos, as travessias foram suspensas.
“Sempre que tem uma boa condição estou indo para o mar" - Gabriel Rocha
Foi aos 15 anos que o universitário Gabriel Rocha Afonso, hoje com 19 anos, fez sua primeira travessia em alto-mar. De lá para cá, sua paixão pelo esporte só aumentou e agora o estudante de Direito tem se dedicado ainda mais aos treinos. O objetivo: realizar travessias nunca realizadas pelo ser humano.
A Tribuna - Como planeja seus percursos?
Gabriel Rocha Os treinos dependem das condições das marés, do vento, das ondas e também das correntezas. Tem semana que eu vou remar todos os dias, tem semana que eu vou remar seis, cinco ou quatro dias, tudo vai depender dessas condições. Mas sempre que tem uma boa condição estou indo para o mar treinar intensivamente.
Quais os maiores desafios já enfrentou nessas travessias?
Já cheguei a pegar temporais intensos no mar, em que a ausência de uma proteção térmica poderia me levar a ter um hipotermia, porque tomei muita chuva e ainda tive de remar. Outro desafio é quando os ventos viram, não estando de acordo com as previsões, me levando a remar o dobro.
Há também questões burocráticas, porque não é toda ilha que eu posso entrar e nem toda área que eu posso navegar. No passado, quando era iniciante, não tinha tanto conhecimento e já parei para descansar em reserva natural, o que eu não sabia. Mas hoje tudo é muito bem planejado.
Para ter segurança, quais medidas você adota?
Além do colete salva-vidas, tenho alguns rádios-comunicadores que ficam em contato direto via satélite com pessoas que estão no continente. Eles recebem a atualização minha a cada 30 minutos. Se por um acaso houver algum problema, eles acionam imediatamente a minha própria equipe de resgate particular, que efetuam o resgate, se necessário.
No futuro, para travessias que serão o dobro das que realizo atualmente, planejo ter uma equipe de resgate para me acompanhar no mar, com embarcações, lanchas e jet-skis. Mas, hoje, não tenho nenhuma equipe no mar, todos os vídeos são gravados por mim.
Recomendações
A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos do Espírito Santo, reforça que o stand-up é contraindicado para ser praticado em alto-mar.
Esta modalidade de esporte aquático é mais segura quando praticada em águas interiores, como lagoas e baías, desde que o local não seja uma área com movimentação de embarcações motorizadas. Para garantir mais segurança da prática esportiva, recomenda-se:
1- Que o adepto tenha uma boia de cores vibrantes amarrada ao calcanhar, pois em caso de queda na água, enquanto estiver submerso, ainda poderá ser visto por alguma embarcação que precise desviar a rota para evitar um acidente.
2- Use colete amarrado e justo ao corpo.
3- Por ser uma atividade que requer bastante esforço físico, mantenha-se próximo de terra para sair da água imediatamente em caso de câimbras.
4 - Em nenhuma hipótese pratique a atividade entre o pôr e o nascer do sol.
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