Aulas são suspensas e escolas viram abrigo
O município de Viana suspendeu as aulas nas escolas, que se tornaram abrigos para aqueles que ficaram desalojados
A situação em Viana por causa da chuva é grave. O prefeito Wanderson Bueno decretou estado de calamidade pública a partir de hoje e, por conta disso, o município suspendeu as aulas nas escolas, que se tornaram abrigos para aqueles que ficaram desalojados.
Segundo o relatório da Defesa Civil Estadual, de quarta-feira para ontem choveu 171,8 milímetros, sendo a segunda cidade com maior quantidade acumulada de chuva em todo o Espírito Santo, ficando atrás apenas de Fundão, onde caiu 225,8 milímetros.
Ao todo, a Prefeitura de Viana instituiu 17 pontos de abrigos em unidades escolares da cidade.
Foi estabelecido ainda pela prefeitura o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil (Plancon) e, junto ao Comitê Municipal de Proteção e Defesa Civil, o município está em alerta para prestar socorro, assistência e restabelecimento às vítimas das chuvas.
“As equipes de Defesa Civil estão dando apoio às famílias que precisam de ajuda, encaminhando-as para um local seguro”, esclareceu o prefeito da cidade, Wanderson Bueno.
O município também tem feito manutenções, reparos e vistorias em diversos pontos da cidade, como desobstrução de bueiros, limpeza de rios e córregos e a retirada de entulhos, lixos e árvores que caíram em córrego.
As chuvas têm assustado muito os moradores de Viana. Uma encarregada administrativa, de 42 anos, que não quis se identificar, relatou a situação em um posto de gasolina em Ribeira. Ela conta que a água chegou a derrubar postes, invadir ruas e causar um transtorno grande nas vias e rodovias.
“Foi a primeira vez que vi tanta água por aqui. Tem vizinhos com água no pescoço. Na entrada da Polícia Federal parecia um mar correndo. Os funcionários não conseguiram chegar para trabalhar, só cheguei porque moro do lado do serviço”, conta.
Em Campo Verde, outro relato de desespero. O autônomo Charles Ribeiro, de 36 anos, relata que a água atingiu 1,70 metro de sua casa e o estrago foi enorme.
“A água estava batendo no meu queixo. Meus dois carros estão cheios de água até no teto, perdi tudo dentro de casa, como um armário novo, os três guarda-roupas dos meus filhos, uma geladeira e um sofá grande. O caminhão que eu utilizo para trabalhar ficou alagado, está cheio de água dentro dele”, conta o autônomo.
Charles mora com a sua esposa, Jocasta da Boa Morte, 30 anos, e com três filhos, Ágata, de 4 anos, Gutierres, de 14, e Giovana, de 16. Ele tenta acalmar a família neste momento difícil. “As crianças estão assustadas, mas eu falo para elas que vai dar tudo certo”.
Risco de inundação em 50 cidades
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso de grande perigo para 50 municípios do Espírito Santo, informando sobre o risco de grandes alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas.
O alerta do Inmet foi emitido na tarde de ontem, às 15h23, e é válido para até as 10 horas de hoje. Apenas as regiões Sul, Caparaó e parte da região serrana escaparam do risco.
O alerta também é válido para municípios da região do Vale do Rio Doce e Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e para o Sul da Bahia.
Além disso, o Estado inteiro está sob alerta de perigo. O Inmet prevê chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 milímetros por dia. Também há risco para ventos intensos, que podem atingir até 100 quilômetros por hora.
O Inmet também registra a possibilidade para os riscos de cortes de energia elétrica, quedas de galhos de árvores, além de alagamentos e de descargas elétricas em todo o território do Espírito Santo. O alerta foi publicado na manhã de ontem, às 9h45, e é válido até as 10h da manhã de hoje.
O instituto chama a atenção dos moradores de todo o Estado, orientando que, se possível, as pessoas possam desligar os aparelhos elétricos e o quadro geral de energia, observar alterações nas encostas, além de permanecer em locais abrigados.
Foi orientado também que, em casos de inundações, as pessoas devem proteger os seus pertences do avanço da água envoltos em sacos plásticos.
Em caso de rajadas de vento, o Inmet orienta a não se abrigar debaixo de árvores, por conta do risco de queda e de descargas elétricas. Por fim, a recomendação aos motoristas é de não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
Cenas da chuva
Vala para escoar água
Cerca de 80 moradores da Barra do Riacho, no litoral de Aracruz, se uniram para cavar uma vala e escoar a água da chuva que atinge o vilarejo em direção ao mar. A ação começou ontem e cinco barcos ajudaram na ação.
Um morador, que preferiu não se identificar, contou que o objetivo é impedir que a água da chuva alague a comunidade. “O rio não está suportando escoar toda a água, nós cavamos a praia para evitar que as casas de moradores sejam alagadas”, informou.
Alagamento na Ufes
O Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) amanheceu alagado ontem, após as fortes chuvas.
O professor de Filosofia Wander de Paula se deparou com o CCHN alagado no momento em que ia dar aulas. E outras unidades da Ufes também tiveram alagamentos na universidade.
Fundão suspende aulas
A Prefeitura de Fundão decidiu suspender as atividades escolares do município por causa das chuvas fortes que atingem todo o Estado e dificultam o acesso às instituições de ensino.
A decisão, que partiu da Secretaria de Educação, estabeleceu o cancelamento das aulas ontem e hoje durante todo o dia. Em Fundão, a prefeitura também declarou situação de emergência.
Muro desaba em Linhares
Um muro desabou e deixou famílias desabrigadas na manhã de ontem, no bairro Aviso, em Linhares, na região Norte do Espírito Santo. Apesar do susto e dos prejuízos, ninguém se feriu nessa ocorrência.
De acordo com a prefeitura do município, o desabamento aconteceu em uma região conhecida como Beco da Junal. Para o atendimento dessa ocorrência, foram mobilizadas equipes das secretarias de Assistência Social, Segurança Pública e Defesa Social, além do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.
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