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Até que ponto briga entre irmãos é normal?

| 21/10/2020 20:12 h

Maria Antônia e Maria Eduarda viralizaram nas redes sociais
Maria Antônia e Maria Eduarda viralizaram nas redes sociais |  Foto: Reprodução / Redes Sociais

O vídeo em que duas irmãs aparecem brigando durante a festa de aniversário de uma delas gerou bastante repercussão na internet nos últimos dias. Além dos memes, também há preocupações de internautas sobre o comportamento das crianças.

O Tribuna Online ouviu especialistas para saber até que ponto as brigas entre irmãos são normais e saudáveis. No caso das duas irmãs, a família informou que logo após a briga, as duas fizeram as pazes e a mais velha, que assoprou as velas do bolo da caçula, ajudou a distribuir o doce aos convidados.

A psicóloga especialista em terapia cognitiva comportamental na infância e na adolescência, Lana Francischetto, explicou que o modo com que os irmãos se relacionam na primeira infância principalmente, deve ser bem observado e manejado pelos seus cuidadores, pois estão ligados a uma parte que se conecta a estruturação da personalidade das crianças.

“Conflitos são mais comuns sim, já que a chegada de uma outra criança no ambiente familiar faz com que as emoções possam ficar mais sensíveis e por isso expostas de diversas maneiras, sendo uma delas conflitivas. Como possuem um pensamento mais concreto, a capacidade de reflexão ainda é prematura na infância, então lidar com raiva, ciúmes, frustração dentre outras emoções consideradas negativas é um desafio para elas, que vão, portanto, agir muitas vezes no impulso, segundo o modo com que experienciam estas emoções dentro de si”, explica ela.

A psicóloga infantil, Paula Santos, também explica que as brigas entre irmãos são comuns e os pais não podem menosprezar esses conflitos e precisam ficar em alerta para perceber como as crianças reagem.

“A criança vai muitas vezes repetir um comportamento que ela ver em casa. Então, muitas vezes, a maneira como os pais lidam com a resolução de um conflito reflete a maneira como a criança vai lidar quando ela tem um conflito. Não é 100% dos casos, mas é a maioria dos casos em que a criança lida com agressividade é porque ela vê os pais ou quem mora com ela lidando com os problemas de uma maneira muito agressiva”, afirma.


Análise – Lana Francischetto, psicóloga infantil


Lana Francischetto, psicóloga infantil
Lana Francischetto, psicóloga infantil |  Foto: Leone Iglesias/AT
“O necessário é que os responsáveis se atentem quando as situações conflituosas aparecerem para que seja resguardada a integridade física e nenhuma das crianças seja posta em risco. Por fim, e um dos pontos mais importantes, é que podemos considerar ainda que os conflitos podem vir a ser uma oportunidade para que pais ou cuidadores trabalhem com as crianças o que são as emoções e a maneira saudável de expressá-las, proporcionando a elas um espaço empático de acolhida, escuta e aprendizado.

Os sinais que os pais podem observar se dão a partir da forma com que as crianças expressarão as emoções diante das situações vivenciadas, e, se mesmo mediante a momentos de diálogo e espaço para que elas tenham voz e aprendam com suas emoções, comportamentos repetitivos e que coloquem em risco alguma das partes apareçam com frequência, principalmente, se forem agressivos ou indiferentes ao que está sendo ensinado.

Os pais devem estar atentos, caso as atitudes conflitivas ou de desafeto, apareçam continuamente denegrindo psicologicamente ou fisicamente os irmãos. As medidas principais devem ser a de proporcionar as crianças sempre um espaço onde ambas sejam escutadas a fim de ensiná-las e corrigi-las de modo saudável, pois ambientes sem acolhimento e com teores frequentes de agressividade, interferem diretamente em um comportamento disfuncional da criança.

É necessário também que seja oferecido a elas a oportunidade de reflexão, colocando, claro, os limites necessários para cada situação, de modo que se sintam inseridas no processo, por exemplo, da criação de regras.

As correções mais assertivas são aquelas que despertam a empatia nas crianças e não as diminua ou ofenda. Evitar comparações também é um ponto que os pais podem observar, à fim de que não se crie ainda mais rivalidade ou diminuição da estima das crianças. Os pais devem ser os responsáveis para oferecer as soluções e, sempre que necessário, não excitar em procurar ajuda profissional”.


Análise - Paula Santos, psicóloga infantil


Paula Santos , psicóloga infantil
Paula Santos , psicóloga infantil |  Foto: Leone Iglesias/AT
“A briga entre irmãos é algo muito comum e a gente tem que ficar alerta quando isso começa a gerar prejuízos tanto para a pessoa quanto para terceiros. Então, por exemplo, quando a criança começa a comparar muito as suas atitudes com as atitudes do irmão, falas de ciúmes excessivos, de achar que o outro é melhor do que ele, isso pode gerar baixa autoestima na criança.

Às vezes, os próprios pais comparam e falam que o irmão não faz assim. Tem que tomar muito cuidado, às vezes, até a chegada de um irmão mais novo gera ciúmes. A criança era filho único, chega um bebê e as atenções vão todas para o bebê.

A gente trabalha muito isso no consultório que a criança vem para somar e não dividir. A gente trabalha isso muito com a criança e com a família, porque muitas vezes acaba gerando essa divisão e esse não é o objetivo. O objetivo é somar. A gente precisa ficar em alerta para a chegada desse irmão mais novo porque até certo ponto é normal ter discussões e brigas, mas perceber quando isso vira algo acima da média, se acontece com muita frequência, como a criança está lidando com isso?

Os pais precisam estar sempre em alerta para as atitudes dos filhos e não menosprezar, achando que é apenas briga de irmãos. Tudo bem, é briga entre irmãos, mas até que ponto está causando um malefício, como aquela criança está lidando e se sentindo com a briga com o irmão.

É bom os pais sempre estarem observando os sinais e sintomas, sempre com bastante diálogo para saber como aquela criança está se sentindo, como ela reage àquela situação e vê essa situação. Os pais precisam sempre estar interferindo para apaziguar e disciplinar sobre aquilo que errou, sempre sendo muito justo, independente de o irmão ser mais novo.

Uma coisa que vejo são os pais sempre passam a mão na cabeça do irmão mais novo, tem uma disciplina mais frouxa porque o outro é mais novinho e o mais velho já entende.

Esse “tem que entender”, muitas vezes, é motivo para vir para consultório para ser tratado, porque o irmão mais velho tem que ceder, tem que ceder, tem que ceder a todo momento e o ego dele fica fragilizado e ele não quer nem crescer porque começa a ver prejuízos em crescer”.
 

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