Aracruz foi cidade onde mais choveu em 24 horas
A cidade possui o maior número de desalojados,150, e há 84 pessoas desabrigadas
A cidade de Aracruz, no litoral Norte do Estado, registrou o maior acumulado de chuvas das últimas 24 horas no Espírito Santo.
De acordo com o boletim extraordinário da Defesa Civil Estadual, publicado no fim da tarde de ontem, o município registrou 216.96 milímetros (cada 1 mm equivale a 1 litro por metro quadrado) e o risco de deslizamento de terra é alto.
A cidade possui o maior número de desalojados,150, e há 84 pessoas desabrigadas.
Segundo a Prefeitura de Aracruz, em Vila do Riacho há casas inundadas e a Defesa Civil Municipal precisou ir para o local. Também foi disponibilizada abertura de escola para receber desabrigados. Em Barra do Riacho também houve registro de alagamento e casas inundadas.
Em Jacupemba, no município, houve registro de casas inundadas e quatro barragens cederam na localidade. A prefeitura informou ainda que há várias estradas rurais do município intransitáveis. Em alguns pontos ocorreu queda de barranco.
A segunda cidade do Estado que mais registrou acumulados de chuva foi Fundão, com 200.2 mm, seguida de Anchieta, com 123 mm, e Ibiraçu, com 120.97 mm. As outras 16 cidades registraram menos de 90 mm no período de 24 horas. Em Fundão, Ibiraçu e na Serra, que choveu 82.48 mm, o risco de deslizamento de terra também é alto.
Alerta
Desde semana passada a chuva vem castigando o Estado e a quantidade de água que tem caído fez a Defesa Civil entrar em alerta máximo.
Em entrevista coletiva, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Alexandre Cerqueira, explicou que o estado de alerta máximo é baseado na quantidade de avisos de nível alto e moderado.
“Temos seis avisos de nível alto e 19 avisos de nível moderado que fazem com que entremos no estado de alerta máximo”.
Mais de 450 desalojados no Estado
No Espírito Santo, segundo a Defesa Civil Estadual, há 456 pessoas foram de casa. Até ontem, 305 pessoas estavam desalojadas e 151 estavam desabrigadas.
Aracruz é a cidade com mais pessoas fora de casa, num total de 234, seguida de Vila Pavão, com 80 pessoas.
Já o boletim da Defesa Civil Municipal de São Mateus aponta que na cidade 90 pessoas precisaram deixar suas residências.
A prefeitura precisou interditar 48 residências na avenida Cricaré, no Bairro Porto, mas apenas 11 famílias concordaram em desocupar os imóveis.
De acordo com a secretária municipal de Assistência Social, Marinalva Broedel, têm sido feitos chamados de evacuação constantes e as equipes da prefeitura estão mobilizadas.
“A maioria das famílias está resistindo, mas a situação é séria. A fissura do morro aumentou. Interditamos boa parte da avenida Cricaré, do pé da Ladeira do Besouro até o Sítio Histórico Porto. Precisamos contar com a compreensão da população”, destacou.
Em bairros mais carentes, várias casas estão alagadas. “Quem já tinha pouco, perdeu o pouco que tinha. Na zona rural, pastos estão alagados, gado ilhado, estradas intransitáveis”, informou a prefeitura.
Carro de polonês cai no valão em Cariacica
O polonês Andrzej Panasiuk, de 36 anos, passou por um grande susto após seu carro, um Jeep Renegade, cair em um valão em Sotelândia, Cariacica.
Em entrevista à reportagem, ele, que mora em Jardim Camburi, Vitória, contou que estava indo buscar seu filho para ir ao dentista, na manhã de ontem, em Jardim Botânico, quando o carro caiu no valão.
A chuva forte que caiu durante a madrugada fez com que a rua onde fica o valão ficasse alagada.
“Estava usando o GPS para me localizar e tinham algumas árvores que me impediam de passar pela rua. Como não sabia que tinha um rio no local, tentei passar do lado. Não tinha nenhuma sinalização que indicasse que ali era um valão. Estou bastante chateado com a situação”, contou.
Andrzej, que é programador e mora no Estado há três anos, recebeu ajuda de moradores para tirar o carro do valão. “Pessoas tentaram me ajudar e um caminhão auxiliou a retirada. Tive de usar um guincho para levar meu carro para oficina. Ainda nem sei qual será o valor do conserto”.
Por nota, a Secretaria de Serviços de Cariacica informa que o canal de Sotelândia recebeu duas limpezas somente este ano, nos meses de junho e julho.
Ressaltou ainda que no entorno do canal de Sotelândia está sendo realizada uma obra por parte do Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado (DER-ES) e, portanto, a sinalização do local é responsabilidade do órgão.
Procurado, o DER-ES não respondeu até o fechamento desta edição.
O município, que decretou situação de emergência desde a semana passada, montou uma força-tarefa para atuar na cidade em ações emergenciais e amenizar os estragos causados pelas chuvas.
A principal preocupação, segundo a prefeitura, é quanto a população nas áreas de risco.
“A Secretaria de Assistência Social está fazendo o levantamento e cadastrando nos programas sociais do município”, informou.
Moradores ilhados em Guarapari
Os moradores da comunidade de Jacarandá, no interior de Guarapari, estão ilhados. É que devido às fortes chuvas que caíram durante a madrugada de terça-feira, o rio que corta a comunidade transbordou, e parte dos moradores não tem como sair de casa.
O professor Luciano Coutinho, 43 anos, que foi ajudar a irmã na manhã de ontem no local, ficou assustado com o que viu. Um dos moradores, que é deficiente visual, estava sozinho em casa e não podia sair por causa da enchente.
“O pior de tudo é que ele está recém-operado, conseguiu fazer um transplante de córnea, e a casa dele é uma das que ficou sem acesso à estrada, porque o rio subiu, e ele ficou ilhado. Mas com todo o esforço da comunidade, conseguimos retirar ele de casa e levar para a casa do pai dele”, conta Luciano.
O rio que corta a comunidade é o Jacarandá, que desemboca no rio Jucu. A comunidade Jacarandá fica entre as comunidades de Baía Nova de Guarapari e Vargem Fria. Os vídeos gravados pela irmã de Luciano mostram o pasto completamente inundado pela água da chuva, e até mesmo as casas de vizinhos com risco de serem inundadas.
Um morador passou grande parte da manhã retirando água de dentro de casa com um balde, e na parte da tarde estava tentando fazer um levantamento de tudo que estragou.
O professor acredita que há cerca de 300 moradores na comunidade, que precisa de ajuda para melhorias no local. “Hoje foi a chuva que terminou de destruir a ponte que tínhamos na comunidade, mas há três anos estamos avisando a prefeitura sobre a situação da ponte, que já estava caindo. A prefeitura nos mandou postes, dizendo que era para a comunidade usar os postes para fazer a ponte, mas como iríamos manusear postes tão pesados assim?”, questiona.
Sem a ponte, os alunos também estão sem aula, porque não tiveram como chegar na escola. A reportagem procurou a prefeitura para saber se a Defesa Civil foi até o local e o que deverá fazer para resolver a situação dos moradores, mas até o fechamento desta edição não havia se pronunciado.
Comentários