"Ainda sinto medo ao olhar para uma moto”, diz ex-motoboy vítima de acidente
Sobrevivente e pai dedicado, ele enfrenta as marcas de um acidente que mudou sua vida
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Aos 63 anos, Santos Ribeiro Corrêa carrega no corpo e na rotina as marcas de um acidente sofrido há mais de uma década.
Ex-motoboy, ele precisou se aposentar por invalidez após perder os movimentos do braço direito.
Mais que a perda física, o acidente também tirou dele a esposa, com quem tinha três filhos. “Até hoje sinto medo ao olhar para uma moto”, contou.
A Tribuna — O senhor trabalhava como motoboy há muitos anos quando sofreu o acidente?
Santos Ribeiro Corrêa — Sim. Eu trabalhei por um tempo como motorista de carreta e, depois de 2000, eu passei a trabalhar como motoboy, com carteira assinada, para uma lanchonete.
Já tinha sofrido acidente?
Já tinha sofrido um acidente trabalhando, mas não me feri gravemente. Continuei trabalhando.
E nesse último acidente, como foi?
Eu estava em Coqueiral de Itaparica, levando minha mulher para fazer o exame admissional. Ela começaria no emprego novo no dia seguinte. Quando estava na avenida Saturnino Rangel Mauro, um caminhão passou direto no cruzamento e atingiu a moto.
Quando caiu, o senhor lembra de algo?
Nada. Eu fiquei desacordado e fui resgatado. Já minha esposa foi parar com a moto embaixo do caminhão e morreu na hora. Ela deixou três filhos, sendo o mais velho com 13 anos e a caçula com apenas 3 anos. Foi muito difícil para todos nós.
Ainda tem sequelas do acidente?
Sim. Eu perdi o movimento no braço direito. Isso impactou totalmente minha capacidade de trabalhar, então me aposentei por invalidez na época.
Além disso, depois do acidente minha carteira, que antes era E, ficou apenas para categoria B. Recentemente tiraram minha autorização para dirigir.
Como foi a adaptação depois disso tudo?
É difícil. A vida muda muito. Mas não pode ficar parado, senão a depressão vem forte mesmo. Mas sempre digo que temos que colocar Deus na frente de tudo e não desistir. Meus filhos hoje estão bem, estudaram. Tenho muito orgulho deles.
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