97 baleias nasceram no Estado em um ano
Características como tamanho e coloração são suficientes para que pesquisadores identifiquem e monitorem os filhotes
Um levantamento inédito realizado no Estado estimou que 97 filhotes de baleia-jubarte nasceram nas águas capixabas ao longo de 2025. O estudo foi desenvolvido pelo Projeto Amigos da Jubarte, em parceria com o Laboratório de Nectologia do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Além dos nascimentos, a pesquisa apontou que cerca de 2 mil baleias, entre machos, fêmeas e filhotes, utilizaram o litoral capixaba durante a temporada reprodutiva. Os dados foram obtidos a partir de monitoramentos sistemáticos realizados entre os municípios de Serra e Guarapari, área onde também são avaliados os riscos de interação entre cetáceos e grandes embarcações.
O oceanógrafo e professor da Ufes Agnaldo Martins explica que embora os nascimentos não sejam observados diretamente, é possível identificar filhotes recém-nascidos pelas características físicas.
“A gente consegue identificar quando o filhote acabou de nascer pelo tamanho e pela coloração. Pelas características observadas, temos certeza de que esses filhotes nasceram aqui”, explicou.
De acordo com o coordenador do Projeto Amigos da Jubarte, Sandro Firmino, os resultados confirmam a relevância do Espírito Santo para a conservação da espécie.
“Nós somos o maior berçário de baleias do Atlântico Sul. O Espírito Santo é a porta de entrada para mais de 30 mil baleias que utilizam o litoral brasileiro para cumprir seu ciclo de vida”, destacou.
As baleias deixam a Antártida e percorrem cerca de 4 mil quilômetros até chegar às águas mais quentes do litoral brasileiro, onde ocorre o acasalamento, o nascimento dos filhotes e a amamentação.
Segundo Firmino, a recuperação populacional observada atualmente é resultado direto das medidas de proteção adotadas nas últimas décadas.
“Nos anos 1980 existiam entre 800 a mil indivíduos. Elas quase foram dizimadas pela caça. Com a proibição da atividade e os esforços de conservação, já esperávamos esse crescimento populacional, mas a pesquisa permite comprovar isso com dados consistentes”, afirmou.
De acordo com os especialistas, o monitoramento contínuo é fundamental para compreender como as baleias utilizam a costa capixaba e para garantir que atividades como navegação, turismo e exploração econômica ocorram de forma compatível com a preservação da espécie.
Saiba mais
Por que escolhem o Espírito Santo?
As baleias-jubarte migram todos os anos para o litoral brasileiro em busca de águas mais quentes e calmas para se reproduzir.
A partir do litoral capixaba, a plataforma do Banco de Abrolhos se estende em direção ao Norte e serve como uma das principais áreas de reprodução da espécie, oferecendo condições ideais para o acasalamento, o nascimento dos filhotes e os primeiros meses de vida dos bebês.
Muitos desses animais acabam ficando em águas capixabas.
Viagem de 4 mil quilômetros
Todos os anos, as jubartes deixam a Antártida e percorrem cerca de 4 mil quilômetros até chegar ao Espírito Santo.
A viagem pode durar entre 40 e 60 dias e faz parte de um ciclo migratório realizado há milhares de anos.
Restaurante das baleias
Embora passem vários meses no litoral brasileiro, as baleias-jubarte se alimentam principalmente na Antártida.
Lá, consomem grandes quantidades de pequenos crustáceos e acumulam gordura que permite que sobrevivam durante os cinco meses da temporada reprodutiva em que permanecem nas águas brasileiras.
Filhotes já nascem gigantes
Um filhote de baleia-jubarte nasce medindo cerca de quatro metros de comprimento e pesando aproximadamente uma tonelada.
Crescimento acelerado
Nos primeiros meses de vida, os filhotes ganham peso rapidamente. Eles podem consumir cerca de 150 litros de leite por dia e ganhar aproximadamente 100 quilos diariamente.
Leite supergorduroso
O leite das baleias possui uma concentração de gordura muito superior à do leite humano. Essa característica ajuda os filhotes a crescer rapidamente.
“Digital” das baleias
pesquisadores conseguem identificar baleias individualmente por meio da parte inferior da nadadeira caudal.
As manchas e marcas presentes nessa região são únicas em cada animal, funcionando como uma impressão digital.
Baleias na praia
Embora passem boa parte do tempo em mar aberto, as jubartes podem se aproximar bastante da costa.
Uma das baleias observadas recentemente em Vila Velha estava a cerca de mil metros da praia, podendo ser vista facilmente a olho nu.
Um gigante dos oceanos
Uma baleia-jubarte adulta pode atingir até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas.
Elas estão chegando mais cedo
Tradicionalmente, as baleias eram observadas no Estado a partir de junho. Nos últimos anos, porém, os pesquisadores registraram animais chegando ainda em maio.
O fenômeno está sendo estudado para entender se essa mudança está se tornando uma tendência.
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