30 motociclistas são multados por dia sem capacete no ES
Número de autuações é 15% maior do que o registrado no ano passado. Detran alerta para mortes causadas por uso inadequado
Equipamento obrigatório e que reduz riscos para motociclistas, o capacete ainda não faz parte da rotina de muitos condutores. De janeiro a agosto deste ano, foram registradas 7.134 infrações por falta do equipamento no Estado – uma média de quase 30 multas por dia.
O número é 15% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram 6.196 autuações. Os dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) são referentes à infração de conduzir motocicleta, motoneta ou ciclomotor sem usar o capacete ou sem a viseira, assim como conduzir a moto com o passageiro sem o equipamento de segurança.
O gerente de Fiscalização de Trânsito do Detran-ES, Jederson Lobato, afirmou que o não uso do capacete está entre as práticas que mais preocupam devido à relação com lesões graves e mortes de motociclistas. “Sem o capacete, a probabilidade de uma lesão no crânio é muito grande, e isso tende a ser fatal ou deixar sequelas permanentes”.
Para Jederson, o aumento das infrações ocorre em um cenário de crescimento significativo da frota de motos no Estado, principalmente fora da Grande Vitória. “Em muitos desses locais, há uma percepção de uma prática quase cultural de não uso do capacete. Por isso, estamos atentos e reforçando as ações também em outros municípios”.
Segundo Jederson, o órgão mantém um convênio com a Polícia Militar, com repasse de R$ 2 milhões para o pagamento de escalas extraordinárias de policiais que atuam no trânsito. “Também temos realizado toda semana pelo menos duas a três operações integradas com o Batalhão de Trânsito no interior, em municípios onde há maior número de mortes no trânsito”.
Além da falta do capacete, o Detran-ES passou a chamar a atenção para outra situação: o uso inadequado. Segundo Jederson, um estudo apresentado pela Polícia Científica mostrou casos de motociclistas e passageiros que morreram mesmo utilizando o equipamento.
O problema, segundo ele, estava na cinta jugular, que prende o capacete à cabeça. “Em diversos cenários com morte no trânsito, o condutor ou passageiro estava com o capacete, mas a cinta jugular estava frouxa. No momento da colisão, o capacete foi arremessado da cabeça daquela pessoa, que teve uma lesão fatal no crânio”.
Para ele, o uso é “inegociável”. “O principal instrumento de proteção do motociclista é o capacete. Ainda que em pequenos deslocamentos, é preciso usá-lo”.
O que diz a lei
Conduzir sem capacete
Conduzir motocicleta, motoneta ou ciclomotor sem usar capacete ou vestuário de acordo com as normas é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47. Além disso, o condutor tem o direito de dirigir suspenso.
Passageiro sem capacete
Da mesma forma, quem conduz a moto ou ciclomotor com o passageiro sem capacete ou fora do assento suplementar colocado atrás do condutor ou em carro lateral também comete infração gravíssima. A multa é de R$ 293,47 e o condutor tem o direito de dirigir suspenso.
No caso de o condutor e o passageiro estarem sem o capacete, ele é multado pelas duas infrações. No caso de o condutor estar com capacete, mas sem viseira, a multa é de R$ 130,16.
O que eles dizem
Impacto
“O capacete é o principal equipamento de proteção passiva para motociclistas. Sua função central não é apenas impedir ferimentos superficiais na face ou no couro cabeludo, mas alterar radicalmente a física do impacto para proteger a massa encefálica contra desacelerações e impactos com potencial de provocar morte.
Por isso, é importante trocar o equipamento sempre que ele sofrer alguma queda significativa. Mesmo no que se imagina ser uma “queda boba”, o impacto direto no crânio pode provocar consequências graves", diz Anthony Moraes Costa, consultor em segurança viária.
Tragédias
"Infelizmente, em nosso País, muitos motociclistas têm a percepção de que nunca vai acontecer nada com eles! É comum ainda em áreas de trânsito local e dentro de bairros encontrarmos o não uso do capacete de segurança pelos condutores e às vezes até passageiros menores de idade sem capacete na garupa. Um dos erros mais comuns é também o não isso adequado da fivela de cinta jugular e o uso da viseira levantada. A imprudência que leva a tragédias”, afirma Luiz Dias, especialista em trânsito.
Números
- 71,7% da frota de motocicletas, motonetas e ciclomotores está fora da Grande Vitória atualmente
- 44,5% das mortes no trânsito é de motociclistas
- 335 pessoas morreram este ano conduzindo motos.
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