10 mil perfis genéticos para encontrar desaparecidos
Material também é usado para solucionar crimes. Informações são comparadas com dados de laboratórios de todo o País
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Mais de 10 mil perfis genéticos já integram o Banco de Perfis Genéticos do Espírito Santo, ferramenta usada pela Polícia Científica para ajudar na identificação de pessoas desaparecidas e na solução de crimes sem autoria definida.
Os dados são armazenados no Laboratório de DNA Forense e comparados semanalmente com informações de todo o País por meio de um sistema nacional utilizado pelas polícias científicas estaduais e pela Polícia Federal.
Segundo a chefe do Laboratório de DNA Forense da Polícia Científica do Espírito Santo, a perita oficial criminal Bianca Bortolini Merlo, o banco permite que vestígios coletados em cenas de crimes sejam relacionados a suspeitos mesmo quando não há indicação inicial de autoria.
“Quando não há um suspeito para ser comparado com o vestígio coletado no local do crime, a gente insere esse material no banco de dados. Quando há coincidência, recebemos a informação para fazer as confirmações e emitir o laudo”, explicou.
O sistema utilizado é o Codis, software cedido pelo FBI (a principal agência governamental de investigação criminal e segurança interna dos Estados Unidos) e adotado em todos os estados brasileiros.
Somente em abril, o banco criminal registrou 10 coincidências genéticas que auxiliaram investigações.
“Muitas vezes o indivíduo já está preso por outro crime ou até já cumpriu pena. Já tivemos casos de pessoas que foram presas novamente após a identificação pelo banco”, disse Bianca.
A perita destaca que a genética forense mudou a dinâmica das investigações. “Antes do banco, o exame de DNA dependia sempre da existência de um suspeito. Hoje a gente consegue descobrir autoria e até ligar crimes cometidos pela mesma pessoa, mesmo sem identificação prévia”.
Além da tecnologia, Bianca enfatiza a importância da análise humana.
“O banco indica a coincidência, mas os peritos fazem todas as checagens, reanálises e confirmações necessárias para que não haja nenhum equívoco.”
O banco também é utilizado na identificação de desaparecidos. Familiares podem fornecer material genético de forma simples e indolor. “Fazemos campanhas de conscientização permanentemente”, explicou.
Robôs são usados para as análises das amostras
A Polícia Científica do Espírito Santo passou a utilizar robôs automatizados no Laboratório de DNA Forense para ampliar a capacidade de processamento de amostras usadas em investigações criminais e na identificação de pessoas desaparecidas.
Segundo a chefe do Laboratório de DNA Forense da Polícia Científica, a perita oficial criminal Bianca Bortolini Merlo, os equipamentos aumentaram a velocidade das análises e contribuíram para o avanço das investigações.
“Eles permitem a análise de várias amostras ao mesmo tempo e aumentam nossa capacidade de processamento”, explicou a chefe do Laboratório de DNA Forense.
Segundo Bianca, a legislação determina a coleta obrigatória de DNA de condenados que iniciam o cumprimento da pena em regime fechado. Além disso, a Justiça também pode autorizar a coleta de investigados antes da condenação em casos específicos.
“Isso acontece em crimes cometidos com violência grave, crimes sexuais, contra a vida e de organização criminosa.”
De acordo com Bianca, o avanço foi possível graças à contratação de pessoal e à modernização dos equipamentos utilizados nas análises. “E também o trabalho em conjunto com a Secretaria de Estado da Justiça e a Polícia Penal contribui para as coletas”.
SAIBA MAIS
Criação
> Criado em 2014, o banco estadual integra uma rede nacional que permite o compartilhamento e o confronto automatizado de perfis genéticos.
> O sistema possibilita que vestígios coletados em locais de crime sejam comparados com perfis já cadastrados, tanto no âmbito estadual quanto nacional, ampliando significativamente as chances de identificação de autores, inclusive em casos inicialmente sem suspeitos.
Crimes complexos
> A utilização de perfis genéticos tem contribuído para a elucidação de crimes complexos, especialmente aqueles sem autoria conhecida, oferecendo respostas mais rápidas e seguras à sociedade.
> A ferramenta também atua de forma decisiva na identificação de casos de reincidência criminal, conectando diferentes ocorrências e fortalecendo a atuação integrada das forças de segurança em todo o País.
Genética forense
> Outro aspecto relevante é o papel da genética forense na prevenção de condenações injustas.
> Ao fornecer evidências científicas robustas, o banco contribui tanto para a responsabilização correta de culpados quanto para a exclusão de suspeitos indevidamente implicados, promovendo mais equilíbrio e confiabilidade ao sistema de Justiça.
Resultados
> A Polícia Científica do Estado do Espírito Santo (PCIES) ultrapassou a marca de 10 mil perfis genéticos inseridos no Banco de Perfis Genéticos do Espírito Santo (BEPG-ES).
> A ferramenta tem papel fundamental na solução de crimes e na identificação de pessoas desaparecidas.
Coincidências
> Até o momento, o banco estadual já indicou mais de 150 coincidências entre vestígios e indivíduos.
> Somente no mês de abril foram registradas 10 coincidências e uma identificação de pessoa desaparecida por meio do Banco de Perfis Genéticos.
Desaparecidos
> Além disso, mais de 30 pessoas desaparecidas foram identificadas.
> Familiares podem fornecer material genético de forma simples e indolor.
> Campanhas de conscientização são realizadas permanentemente.
Coleta
> A legislação determina a coleta obrigatória de DNA de condenados que iniciam o cumprimento da pena em regime fechado.
> Além disso, a Justiça também pode autorizar a coleta de investigados antes da condenação em casos específicos.
> Por exemplo, em crimes cometidos com violência grave, crimes sexuais, contra a vida e de organização criminosa.
Tecnologia
> O programa utilizado é o Codis, software cedido pelo FBI (a principal agência governamental de investigação criminal e segurança interna dos Estados Unidos) e adotado em todos os estados brasileiros.
Fonte: Bianca Merlo, chefe do Laboratório de DNA Forense da Polícia Científica.
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