Veja o que se sabe sobre operação que prendeu policiais do Rio por extorsão de traficantes do CV
Siga o Tribuna Online no Google
RIO – A Polícia Federal deflagrou nesta terça, 10, a segunda fase da Operação Anomalia, com o objetivo de desarticular um núcleo criminoso composto por policiais civis do Rio de Janeiro e operadores financeiros. O Estadão busca contato com as defesas.
O grupo é investigado por utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, além de corrupção e lavagem de dinheiro.
Cerca de 40 policiais federais cumprem nesta manhã quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Quem são os alvos desta terça-feira?
Entre os alvos estão Franklin José de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus, ambos policiais civis, e o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, que foram presos nesta terça. Também é citado Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, apontado como traficante e que já estava encarcerado.
O Estadão busca contato com as defesas. O espaço está aberto.
Desdobramentos de operação
Além das prisões e buscas, a Corte deferiu a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos investigados.
A ação desta terça-feira, que integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, foi deflagrada um dia após a primeira fase da Operação Anomalia, que prendeu o delegado da Polícia Federal Fabrizio Romano, no Rio, e o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena. Ambos são suspeitos de vender influência política ao crime organizado.
Como funcionava o esquema?
De acordo com a PF, as apurações revelaram que o esquema era liderado por uma autoridade policial – titular de uma delegacia da capital – e por outro policial civil. De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício.
“A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas e manter um distanciamento físico das lideranças da facção criminosa, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários”, diz a PF.
Por quais crimes os investigados são acusados?
Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais.
Ex-secretário do Rio preso:
Carracena já tinha sido preso no ano passado junto com o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias (MDB). A PF aponta que o ex-secretário teria recebido mais de R$ 90 mil do Comando Vermelho.
De acordo com a PF, a operação tem como objetivo desarticular o núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas - que não teve o nome revelado pelos federais.
O esquema contava com a articulação do ex-secretário de Esportes do Rio, do delegado da PF, além de advogados, que atuavam como intermediários para viabilizar favores e pagamentos indevidos em espécie ao agente federal envolvido no esquema, em troca de informações e influência interna.
Comentários