Um em cada três adolescentes relata ‘vontade de se machucar de propósito’, aponta pesquisa
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Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela aspectos preocupantes sobre a saúde mental de adolescentes brasileiros, sobretudo das meninas.
De acordo com o levantamento, divulgado nesta quarta-feira, 25, 32% dos estudantes de 13 a 17 anos de idade, das escolas públicas e privadas do País, afirmaram já ter sentido vontade de se “machucar de propósito”. Entre as meninas, entretanto, a porcentagem chega a 43,4%, contra 20,5% entre os meninos.
Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID), a automutilação é uma lesão autoinfligida intencionalmente, sem intenção de morte. Em 2024, foi a primeira vez que a pergunta foi incluída na pesquisa. Entretanto, os resultados estão em consonância com outras pesquisas nacionais sobre o tema da autolesão, segundo informaram os pesquisadores do IBGE.
Tristeza, preocupação, irritação
A Pense mostrou ainda que uma a cada quatro meninas adolescentes (25%) considera que a ‘vida não vale a pena ser vivida’; mais que o dobro dos meninos (12%).
As diferenças entre os resultados das redes pública e privada também chamaram a atenção; observou-se que o percentual de estudantes da rede pública que experimentaram sentimentos de falta de sentido para a vida foi de 19,4%, comparados a 13,9% dos estudantes da rede privada, evidenciando maior vulnerabilidade dos estudantes da rede pública.
“É notável que foram as meninas a se sentirem mais tristes, mais preocupadas, mais irritadas, nervosas ou mal-humoradas, que mais se machucaram intencionalmente, que mais perceberam que ninguém se preocupava com elas e que mais sentiram que a vida não valia a pena ser vivida”, destacaram os pesquisadores.
Dentre as Grandes Regiões, o Norte (20,8%) apresentou a maior porcentagem do País para o indicador ‘vida não vale a pena ser vivida’, enquanto as Regiões Sul e Sudeste (17,6%, ambas) posicionaram-se no extremo inferior dos resultados. As Unidades da Federação do Amazonas e do Amapá (23,9%, ambas) exibiram as porcentagens mais altas e os estados do Rio Grande do Norte (15,3%) e do Rio Grande do Sul (15,1%) as mais baixas.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo um em cada sete adolescentes dos 10 aos 19 anos sofre de algum transtorno mental, o que representa cerca de 15% da carga global de doenças nessa faixa etária.
A depressão, a ansiedade e os problemas comportamentais estão entre os eventos mais frequentes. O suicídio é a terceira causa de morte na faixa dos 15 aos 19 anos.
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Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:
- Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
- Canal Pode Falar
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
- SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.
- Mapa da Saúde Mental
O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.
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