Saiba como adolescente responsável pela morte do cão Orelha foi identificado
Agentes analisaram cerca de mil horas de filmagens, ouviram 24 testemunhas e contaram com um software francês para analisar a localização do menor
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu na terça-feira, 3, as investigações sobre a morte do cão Orelha, cachorro comunitário de Florianópolis que morreu após ser agredido na Praia Brava no início de janeiro. Os agentes analisaram cerca de mil horas de filmagens, ouviram 24 testemunhas e contaram com um software francês para analisar a localização do adolescente.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA). A polícia pediu a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação a testemunha.
Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem, afirmaram que as informações divulgadas dizem respeito a “elementos circunstanciais”, que não podem ser considerados prova nem “autorizam conclusões definitivas”. A defesa declarou ainda que, até o momento, não teve acesso integral aos autos da investigação e que o caso está “politizado”.
Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã, na Praia Brava. De acordo com os laudos da Polícia Científica, ele sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. No dia seguinte, Orelha foi resgatado por populares e morreu em uma clínica veterinária por causa dos ferimentos.
Para chegar ao autor do crime, a Polícia Civil analisou cerca de mil horas de filmagens, em 14 equipamentos que captaram imagens. Foram 24 testemunhas ouvidas, oito adolescentes suspeitos investigados, além de provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens.
A polícia utilizou ainda um software francês para analisar a localização do responsável durante o ataque fatal ao Cão Orelha.
Segundo a Polícia Civil, o adolescente saiu do condomínio onde mora às 5h25. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga. Os investigadores tiveram acesso imagens que registraram a saída e depois o retorno do jovem ao local.
De acordo com a conclusão final da investigação, o adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina, no momento do crime. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio, segundo a polícia civil.
O adolescente viajou para os Estados Unidos no mesmo dia em que a Polícia Civil chegou ao nome dos suspeitos do caso. Ele retornou no dia 29 de janeiro. Ele e outro adolescente que era investigado tiveram celulares e roupas apreendidos ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Florianópolis.
Segundo a Polícia Civil, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava com o adolescente, além de um moletom, que também foram peças importantes na investigação. Um familiar do adolescente tentou justificar a compra do moletom na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, que foi utilizada no dia do crime.
A Polícia Civil diz que a “investigação seguiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi concluída após o depoimento do autor, durante esta semana”
“Diante dos elementos e provas, a Polícia Civil finalizou os procedimentos policiais dos casos Orelha e Caramelo e encaminhou para apreciação do Ministério Público e Judiciário. Por conta da gravidade do caso Orelha, a Polícia pediu a internação do adolescente, que é equivalente a uma prisão de adulto. Ainda, com a conclusão da extração e análise dos dados dos celulares apreendidos, serão corroborados elementos probatórios já obtidos, bem como levantadas eventuais outras informações sobre o caso”, concluiu.
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