O que se sabe sobre o desaparecimento de corretora em subsolo de prédio em GO
Daiane Souza teria descido ao subsolo do edifício para verificar uma suposta interrupção no fornecimento de energia em seu apartamento e não voltou
O desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza em Caldas Novas, município turístico do interior de Goiás, completou um mês no último sábado, 17. Até o momento, os últimos registros conhecidos da moradora são imagens do elevador do prédio onde vivia.
O caso ganhou repercussão pelas circunstâncias do desaparecimento. Segundo a família, Daiane teria descido ao subsolo do edifício para verificar uma suposta interrupção no fornecimento de energia em seu apartamento.
Imagens da câmera de segurança do elevador mostram Daiane descendo até o subsolo para verificar o padrão de energia. Ela chegou a gravar o trajeto com o celular. As imagens mostram que apenas o apartamento da corretora aparentava estar sem luz — o elevador, corredores e áreas comuns do prédio permaneciam iluminados.
A situação levantou a suspeita da família de que a energia poderia ter sido desligada propositalmente. Testes feitos posteriormente indicaram que a rede elétrica funcionava normalmente, sem indícios de sobrecarga ou falha técnica. “A polícia esteve aqui no meu apartamento”, contou a mãe de Daiane, Nilse Alves. “Eles fizeram um teste pra ver se a energia elétrica poderia ter caído por algum outro problema, mas nada foi identificado”.
Segundo familiares de Daiane, ela mantinha um histórico de conflitos com o síndico do condomínio. Procurado por meio do condomínio, ele não retornou. O espaço segue aberto.
A família possui seis apartamentos no condomínio: dois deles são utilizados pela própria Daiane e pela mãe, enquanto os outros quatro são disponibilizados para locação. “O síndico cuidava de vários apartamentos e a Daiane só tinha quatro para locar”, contou a mãe de Daiane, Nilse Alves. “Mas ela tinha muita facilidade em conseguir hóspedes e, como o síndico tinha vários (apartamentos), virou uma parceria. Só que houve um desentendimento entre eles”, disse.
Desde o ano passado, Daiane move uma ação judicial contra o condomínio. Ela e o síndico participaram de uma audiência de conciliação virtual em outubro, mas não houve acordo.
No início de 2025, o síndico entrou em contato com Nilse pedindo para ela expulsasse Daiane do prédio. A mãe então deu uma procuração para que a filha pudesse administrar locações. “E aí, começou muita, muita perseguição (...) virou uma guerra, só que ele tem a caneta na mão. Então foi uma briga desigual”, conta.
Os familiares alegam que a energia já havia sido interrompida no dia anterior no apartamento da corretora e também no de uma hóspede cuja locação era administrada por Daiane. A hóspede teria avisado sobre a falta de luz, e, ao verificar o problema, Daiane constatou que o padrão havia sido desligado.
“Eu estava em Uberlândia, então ela entrou em contato comigo pelo WhatsApp e perguntou: mãe, a energia elétrica tá paga? Eu falei que sim, e mandei o comprovante de que estava pago. Então, ela mesma foi até o subsolo e ligou a energia”, relatou a mãe.
Câmeras de seguranças gravaram momentos antes do desaparecimento
Por volta das 19h do dia 17 de dezembro, Daiane entrou no elevador do edifício e foi até a recepção do prédio. A corretora filmou todo o percurso e enviou as imagens para uma amiga.
“Vou na recepção perguntar se a Equatorial (concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Goiás) veio aqui porque todas as minhas contas estão pagas, então não tem motivo para a minha energia ter sido interrompida”, diz a corretora no vídeo. Daiane deixou a porta do apartamento aberta e desceu até a recepção, mas não encontrou ninguém. O vídeo então é encerrado.
Imagens da câmera de segurança mostram Daiane retornando para o elevador e descendo até o subsolo. Ela continuou gravando todo o trajeto, mas o vídeo não chegou a ser enviado para a amiga. Depois disso ela nunca mais foi vista.
Daiane tem 43 anos e uma filha de 17 anos. A mãe de Daiane ficou sabendo sobre o desaparecimento dela por meio da neta. “Ela chegou primeiro e estava sem chave, então bateu, tentou abrir, mas ninguém respondeu. Quando eu cheguei, acho que foi umas duas horas depois que a minha neta, eu já cheguei com a chave na mão e a porta estava realmente trancada”, contou.
A família não teve acesso às imagens das áreas comuns e da portaria do prédio. Segundo a mãe de Daiane, a Polícia Civil recolheu os materiais para a perícia. “A polícia está fazendo a perícia. Agora, se alguém apagou ou desligou a imagem antes, eu não tenho como dizer”.
“Ela é uma pessoa muito decidida, com muita coragem. Ela nunca aceitou injustiça e ela se sentia muito injustiçada por tudo que a gente viveu aqui”, contou a mãe.
Itens pessoais de Daiane, como uma escova de cabelo e um caderno, foram recolhidos e encaminhados para perícia. A polícia fez buscas com cães em uma área de mata ao lado do prédio onde Daiane mora, mas, segundo a família, nada foi encontrado.
Cartazes com a foto da corretora em busca de testemunhas e informações sobre seu paradeiro foram espalhados pela Polícia Civil. A mãe de Daiane também contratou um carro de som para percorrer a cidade em busca de pistas sobre o paradeiro da filha.
Familiares relataram que a Polícia Civil de Goiás constatou que não houve movimentações na conta bancária da corretora após o desaparecimento. O carro de Daiane, que estava em uma oficina em Uberlândia na data do sumiço, já foi recuperado e está sob posse da família.
Na sexta-feira, 16, a Polícia Civil informou que o caso passou a ser investigado pelo Grupo Especial de Investigação de Homicídios. Segundo a corporação, uma força-tarefa foi montada, com diligências, oitivas, análises técnicas e outras medidas investigativas.
A polícia informou ainda que não divulgará novas informações por enquanto, para preservar o sigilo das investigações e evitar prejuízos à apuração.
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