Governo do Acre diz que vai acionar Justiça contra construtora após queda de ponte
Uma das quatro vítimas continua internada em estado gravíssimo
O Governo do Acre afirmou neste sábado (6) que pretende adotar medidas judiciais contra a Construtora Cidade, responsável pela construção da ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou na noite de sexta-feira (5) em Sena Madureira, no interior do estado. Uma das quatro vítimas continua internada em estado gravíssimo.
A Folha de S.Paulo tentou contato com a Construtora Cidade, por meio de ligações, às 12h50 e 14h50 deste sábado, mas ninguém atendeu. O site da construtora também estava fora do ar. Até a publicação deste texto, a empresa não havia se manifestado.
Câmeras de segurança registraram o momento do desabamento. As imagens mostram a estrutura cedendo rapidamente sobre o rio Iaco e levantando uma nuvem de poeira.
A ponte havia sido interditada preventivamente na quinta-feira (4), após identificação de problemas na estrutura. Segundo o governo estadual, as vítimas estavam nas proximidades no momento do desabamento. Testemunhas relataram que ao menos uma delas caminhava sobre a estrutura apesar da interdição.
Inaugurada em dezembro de 2023, a ponte custou R$ 36 milhões aos cofres públicos. Construída sobre o rio Iaco, tem 232 metros e ligava o primeiro e o segundo distrito de Sena Madureira. Antes da obra, o trajeto entre as duas regiões era feito pela BR-364 ou por embarcações.
Em nota divulgada neste sábado, o governo afirmou que a Construtora Cidade era responsável pelo projeto e pela execução da obra.
O governo afirmou que a Procuradoria-Geral do Estado estuda medidas para obrigar a empresa a reparar os danos decorrentes do acidente, reconstruir a travessia ou apresentar solução alternativa para o acesso ao segundo distrito do município. Também avalia solicitar à Justiça o bloqueio cautelar de bens da construtora.
As causas do desabamento ainda são investigadas. O governo afirmou que informações preliminares apontam que alterações nas margens do rio Iaco podem ter contribuído para o colapso da estrutura, mas ressaltou que a apuração técnica está em andamento.
A Polícia Civil informou que peritos especializados em engenharia realizam novas análises no local neste sábado. Três delegados foram designados para conduzir a investigação, cujo prazo inicial é de 30 dias.
Segundo a corporação, as perícias vão analisar as circunstâncias que levaram ao colapso da ponte e apurar eventual ocorrência de falhas na execução, fiscalização, manutenção ou interdição da estrutura. A polícia afirmou que as causas do desabamento só serão apontadas após a conclusão dos laudos periciais.
A governadora Mailza Assis (Progressistas) esteve em Sena Madureira após o acidente e afirmou que o foco imediato é prestar assistência às vítimas e apurar as causas do desabamento. Segundo ela, representantes da empresa responsável pela obra foram acionados para colaborar com as investigações.
O governo informou ainda que não há registro de desaparecidos em decorrência do acidente. Segundo o Corpo de Bombeiros, equipes especializadas permanecem no local realizando avaliações da estrutura remanescente e monitorando riscos nas áreas atingidas.
Após o desabamento, a navegação no trecho do rio Iaco onde ocorreu o acidente foi interrompida. De acordo com os bombeiros, a medida foi adotada devido à presença de escombros e ao risco representado pela parte da estrutura que permanece sobre o rio. O governo afirma que já iniciou estudos para a retirada dos destroços.
JUIZ ESTÁ EM ESTADO GRAVÍSSIMO
Segundo boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde, o juiz aposentado e advogado Edinaldo Muniz dos Santos, 54, permanece internado em estado gravíssimo na UTI do Pronto-Socorro de Rio Branco. Ele passou por cirurgia para correção de uma fratura na pelve, sofreu traumatismo cranioencefálico grave e respira com ajuda de aparelhos.
Outras duas vítimas continuam hospitalizadas. Ednei Muniz dos Santos, 51, sofreu fratura no antebraço, apresenta quadro estável e aguarda cirurgia. Antônio Morais Lima Filho, 36, também está estável e deverá passar por procedimento cirúrgico após sofrer fratura no fêmur.
Weverton Murieta, 34, recebeu alta hospitalar neste sábado.
Weverton relatou à Secretaria de Comunicação do Governo do Acre que voltava para casa com Antônio Morais quando encontrou os irmãos Edinaldo e Ednei Muniz sobre a ponte. Segundo ele, Edinaldo, que fazia uma transmissão ao vivo nas redes sociais sobre a interdição da estrutura, pediu que lhe mostrasse o local onde teria sido identificada uma falha. Enquanto caminhavam pela ponte, a estrutura cedeu.
"Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para eu ir com ele. Aí, quando eu passei na frente para mostrar, a ponte desabou", disse.
O sobrevivente afirmou ainda que caiu no rio Iaco durante o desabamento e conseguiu retornar à superfície. Em seguida, localizou Antônio ferido sobre parte da estrutura e pediu socorro.
Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio. Depois, eu consegui boiar debaixo da ponte e fiquei procurando um canto. Acabei conseguindo subir", contou.
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