Chuva em Juiz de Fora: voluntários se mobilizam no resgate de animais
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A forte chuva que atingiu Juiz de Fora no fim da tarde de segunda-feira, 23, já caia havia mais de cinco horas. Algumas ruas estavam alagadas e os rios começavam a transbordar. Voluntários da associação Amor Não Tem Raça tentavam atravessar a enxurrada para chegar à sede da entidade de proteção aos animais que abriga cães e gatos. Com as águas subindo rapidamente, a preocupação era evitar que se afogassem.
Já passava de 1h da madrugada quando, com a ajuda do Corpo de Bombeiros e um bote, os voluntários conseguiram chegar ao canil. A água já havia invadido as instalações, mas todos foram salvos. Dois cachorros estavam machucados e um terceiro chegou a ser internado, mas já estão fora de perigo.
A tempestade que arrasou Juiz de Fora entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça-feira deixou pelo menos 46 mortos e mais de 400 desabrigados. Muitas pessoas ainda estão desaparecidas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu naquela noite mais do que era previsto para todo o mês de fevereiro.
A cidade enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 589 milímetros acumulados até o momento - mais de três vezes o volume esperado para o mês, de 170 milímetros.
Segundo o relato da coordenadora da associação, Miriam Neder, quando o resgate foi feito, por volta de 1h30 de terça-feira, alguns cachorros já não conseguiam colocar os pés no chão e outros tinham escapado para o pátio de uma empresa localizada ao lado da sede da associação.
“O gatil também foi inundado, mas, como os gatos têm muitos nichos nas paredes e a bancada, foi mais tranquilo”, relatou. “Perdemos tudo que tínhamos, mas estamos todos salvos. Agora é limpar a sujeira e começar tudo de novo.”
A voluntária informou em suas redes sociais estar precisando de ração para os cachorros e material de limpeza e pede ajuda aos internautas.
“Força não nos faltará”, concluiu.
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Em meio a tragédias como a de Juiz de Fora, os gestos de solidariedade tendem a se multiplicar. A Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora convocou seus associados a disponibilizar seus serviços para ajudar na distribuição de doações. A Tropa Solidária, como estão sendo chamados, estão buscando doações e fazendo entregas.
Conforme mostrou o Estadão, Juiz de Fora tem a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco. Dos 540 mil habitantes do município, cerca de 130 mil pessoas estão suscetíveis a deslizamentos, inundações e enxurradas, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência.
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