Aos 8 anos, estudantes já escrevem livros
O talento e o gosto pelas palavras são características de alunos que sonham e vivem a experiência de lançar obras
Mesmo com pouca idade, o talento e o gosto pelas palavras já levaram estudantes a viver a experiência de escrever e publicar seus próprios livros.
Aos 8 anos, o estudante Caio Rembiski lançou no ano passado seu livro bilíngue, em Português e Inglês, chamado War of the Planets (Guerra dos Planetas).
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Aluno da escola municipal Elzira Vivacqua dos Santos, em Jardim Camburi, Vitória, Caio escreveu e ilustrou sua primeira publicação quando participava do projeto de altas habilidades da prefeitura. “Gostava muito de planetas e, aos 3 anos, já conhecia todos. Por isso, escrevi o livro sobre o assunto”.
Segundo a mãe, a enfermeira Kamila Rembiski, 36, o filho sempre gostou muito de desenhar e criar histórias. “Ele ficou muito orgulhoso na noite de autógrafo. Desenhou tudo do livro, mas teve ajuda dos colegas na hora de pintar”.
A estudante Mariana Fassarella Meira, 11, também lançou seu livro “A Lua e o arco-íris” em 2021, quando participava do projeto de altas habilidades. Hoje, no 6º ano da escola Maria Madalena de Oliveira Domingues, de Vitória, ela revelou que ama ler e escrever.
“Como sempre gostei de escrever, tinha anotado em um caderno essa história, que fiz quando tinha 8 anos. Ajustamos e ilustrei. Desenhar também é uma paixão”.
Na Escola da Ilha, o projeto literário tem como resultado um livro publicado no final de cada ano, com textos criados pelos alunos.
No ano passado, o livro “Caminhos para o Futuro - Construindo Valores”, foi lançado pelos estudantes do 6º ao 9º ano.
A diretora pedagógica da instituição, Ignêz Martins, ressaltou que o projeto foi iniciado em 2017, para alunos do integral, mas se expandiu para os demais estudantes do ensino fundamental II. “A ideia é que os estudantes entendam a escrita, a linguagem textual. É uma forma de estabelecimento de relações sociais”.
Entre os estudantes que tiveram texto publicado, estão Enya Marya Guimarães, Laura Barbosa Vilaça Dutra, João Pedro de Paiva Andrade e Isabela Cerillo Moura.
“Sempre gostei muito de ler e escrever. Minha turma tinha como tema a diversidade, então foi bem legal de ver o resultado”, contou Laura, de 13 anos.
eles criam literatura
Expectativa por livros
Cleima Rabelo, bibliotecária da escola municipal Eliezer Batista, em Cariacica, foi coordenadora de projeto que trabalhou com alunos do ensino fundamental, como Renata Braga, Miguel Ângelo, Mariana Ficher e Lara Roberta, no ano passado. Eles estudaram textos de cordel, poesia, contos e crônicas.
“Tivemos a participação de 200 alunos e estamos estudando a possibilidade de fazer livros de 77 textos do projeto, com apoio prefeitura”, contou Cleima.
Obra usada em escola
Aos 11 anos, o estudante Pedro Jabor lançou seu primeiro livro, intitulado de “Pedro e Ventania, amizade sem palavras”, em 2021.
A obra, que é focada em crianças, conta a história da amizade de uma égua com um garoto por meio do esporte, e já foi até adotada em uma escola.
“Trazer para a criança essa magia da relação com o animal é muito mágico”, contou Pedro, agora com 13 anos, sobre o livro infantil.
Trecho de livro
O primeiro dia na escola
“Vejo ele passar pelo portão da sua primeira escola bem na hora que o choro vem à tona. Como assim ele já tinha crescido? É normal acontecer tão rápido assim? Tenho quase certeza de que a resposta para tudo isso era não.
E foi aí, bem aí, que os flashbacks começaram. Ele quando tinha acabado de nascer, quando andou pela primeira vez ou quando balbuciou alguma coisa parecida com um “mamãe”. Agora, estávamos ali, com ele prestes a entrar na escola. Ver ele ali, se enturmando tão rápido em um lugar totalmente diferente, fazendo amiguinhos em questão de segundos fez despertar aquela saudade de quando ele era apenas um bebê no meu colo.
Nesse momento a ficha caiu: eu precisava deixá-lo ir, por mais doloroso que isso fosse para mim. Agora, olho para trás e vejo que aquilo foi a coisa certa a se fazer, mesmo com todas as dificuldades. Hoje, sei que aquela escolha de deixá-lo ir à escola, mudou tanto a vida dele quanto a minha.
Lembro bem de como era difícil sairmos de casa, já que ele estranhava todo mundo. Mas, depois daquela pequena mudança, ele virou outra criança.
Agora, a dificuldade era ficar em casa sem aquela movimentação da creche. Ele passou a sentir falta dos amiguinhos no final de semana. Agora, qualquer pessoa nova que chegava era recebida com um sorriso. Tudo mudou.
Hoje em dia, é lindo ver uma criança tão nova com uma autonomia tão grande. E eu finalmente percebi que preciso continuar incentivando isso, já que a minha vontade é só abraçá-lo e manter ele perto de mim e protegido o tempo todo”.
Isabela Cerillo Moura, aluna da Escola da Ilha, do livro Caminhos para o Futuro.
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