Produtores antecipam compra de fertilizante
Agricultores de pimenta-do-reino no Norte do Espírito Santo lidam com as incertezas globais e buscam planejamento e crédito
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A tensão no Oriente Médio e os reflexos no comércio internacional já preocupam produtores de pimenta-do-reino no Norte do Espírito Santo.
Em Linhares, agricultores adotaram estratégias para reduzir custos e garantir a continuidade da produção diante do risco de aumento no preço de fertilizantes e no valor do frete internacional.
O produtor rural José de Melo decidiu antecipar a compra de adubos e buscar novos mercados para a próxima safra. Cooperado do Sicredi, ele afirma que o planejamento se tornou essencial para enfrentar possíveis impactos nas rotas marítimas que passam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais vias do comércio global.
“Grande parte dos fertilizantes usados na lavoura vem de fora do País. Se houver conflito ou bloqueio nas rotas, o preço sobe rápido. Por isso a gente tenta se antecipar e organizar as contas da propriedade”, afirma o produtor.
Segundo ele, o acesso à orientação financeira e ao crédito rural no sistema cooperativo ajuda a dar mais segurança ao tomar decisões. “O produtor precisa de planejamento e de parceria para atravessar momentos de incerteza”.
Mesmo diante do cenário internacional instável, a expectativa para a próxima safra segue positiva. “A pimenta continua com mercado forte. O desafio agora é produzir com organização para não ser surpreendido pelos custos”.
De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, cerca de 20% da pimenta-do-reino exportada pelo Espírito Santo têm como destino países da região do Golfo Pérsico.
Dados do Painel de Exportações do Agronegócio Capixaba, referentes ao quarto trimestre de 2025, indicam que os Emirados Árabes aparecem como o segundo principal destino da pimenta-do-reino produzida no Estado.
Segundo o secretário, existe preocupação com a possibilidade de aumento nos custos logísticos caso o Estreito de Ormuz seja fechado. Pela passagem marítima circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. “Podemos observar tendência de alta nos preços internacionais em razão do encarecimento da logística.
Se o estreito for fechado, rotas alternativas terão custo maior e isso acaba pressionando nossas exportações”, finaliza.
Cooperativismo
Orientação a produtor
“O cooperativismo de crédito permite que o produtor tenha orientação, crédito e planejamento financeiro com mais proximidade. Em cenários de incerteza internacional, essa parceria ajuda o agricultor a tomar decisões com mais segurança e manter a sustentabilidade da produção”.
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