Motorista que causou acidente que matou família na BR-101 vai a júri popular
Empresário será julgado em Jaguaré por acidente na BR-101 que matou quatro pessoas da mesma família e deixou outras três vítimas com lesões.
O empresário Sérgio Bassini Masioli, de 48 anos, acusado de provocar um acidente que matou quatro pessoas da mesma família na BR-101, em Jaguaré, será julgado em júri popular. O acidente ocorreu no dia 24 de dezembro de 2025, quando a caminhonete conduzida pelo suspeito colidiu com a traseira do veículo em que as vítimas estavam.
A decisão sobre o júri popular foi divulgada nesta quinta-feira (5) pela Comarca de Jaguaré. Segundo a nota, além da morte das quatro pessoas, o acusado também responderá pelos delitos conexos de lesão corporal dolosa, omissão de socorro, fuga do local do acidente e embriaguez ao volante.
Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o réu teria assumido o risco de produzir o resultado morte ao conduzir o veículo em velocidade excessiva e após ingerir bebida alcoólica, quando colidiu contra a traseira do carro em que estavam as vítimas fatais.
Em decorrência da colisão, o automóvel atingido teria invadido a pista contrária, acertando outros dois veículos e causando lesões corporais em outras três vítimas.
Relembre o caso
O acidente que matou a família foi registrado pouco depois da meia-noite da véspera de Natal, no quilômetro 95 da BR-101, na comunidade de Água Limpa, em Jaguaré. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), todas as vítimas fatais estavam dentro de um mesmo veículo, que foi atingido na traseira por uma caminhonete.
As vítimas fatais foram identificadas como o advogado Denis Carlos Rolim, de 43 anos; a esposa Valdenice Alves de Oliveira, de 39; e as duas filhas do casal, Débora Vitória e Sara Cristina, de 10 e 7 anos, respectivamente. A família estava a caminho da Bahia, onde iria comemorar o Natal na casa de parentes.
Segundo informações preliminares apuradas no local, quatro veículos se envolveram no acidente. Uma caminhonete, que seguia no sentido Norte da via, colidiu na traseira do carro onde as vítimas fatais estavam.
Com a força do impacto, o eixo traseiro do automóvel se soltou e o veículo foi arremessado para a pista contrária, colidindo lateralmente com um terceiro veículo e, em seguida, de frente com o quarto automóvel envolvido.
O motorista da caminhonete fugiu do local logo após o acidente. Ainda de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), equipes estavam atuando para localizar o condutor.
Prisão ao tentar sair do Estado
O empresário Sérgio Bassini Masioli, de 48 anos, foi preso no dia 18 de junho, após ser interceptado dentro de um ônibus interestadual, ao tentar deixar o Espírito Santo.
Segundo a investigação, o acusado teria tentado prejudicar as apurações ao influenciar vítimas sobreviventes, arcando com despesas médicas delas. De acordo com o delegado responsável pelo caso, a equipe observou que sobreviventes do acidente se recusavam a dar informações sobre o ocorrido.
"Causou estranheza à Polícia Civil porque se você é vítima de um fato, você vai querer procurar a polícia e poder relatar e informar. E nós descobrimos que esse empresário, ele pessoalmente, por telefone, conversava com essas pessoas e subsidiava médico. Então, foi uma forma de obstruir a nossa investigação"
Cinco dias após o crime, Sérgio Masioli, que estava embriagado e fugiu do local do acidente, compareceu à delegacia. No departamento, ele alegou ter sofrido um "apagão" e não se lembrar do que havia acontecido.
Versão de “apagão” contestada
Além de dizer que não lembrava do ocorrido, o empresário afirmou fazer uso de medicamentos controlados. No entanto, a investigação refutou a defesa ao relatar que a própria irmã do homem, que é médica, indicou a necessidade de tratamento para consumo excessivo de álcool.
"Não há qualquer elemento que ele tenha juntado que informe esse acompanhamento psicológico que ele falou que possuía. Muito pelo contrário, nós conseguimos relatos de que a própria irmã, que é uma médica, não queria atendê-lo porque sabia sabia que ele era uma pessoa que tinha que procurar tratamento, porque ele realmente fazia uso excessivo de álcool"
As provas reunidas pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) também apontaram que Sérgio Masioli ligou para o advogado momentos após o acidente para relatar a ocorrência. Para os investigadores, isso contradiz a versão apresentada sobre ter sofrido o suposto apagão.
Ainda conforme as investigações, foi confirmado que o empresário estava a 143 km/h no trecho, onde havia redutor de velocidade e placa indicando limite de 60 km/h.
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