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OPINIÃO ECONÔMICA

Valorização amplia escolhas para quem vive nas cidades

Valorização dos imóveis pode ampliar o patrimônio de proprietários, mas também traz desafios para a permanência de moradores

Alecsandro Casassi, Colunista A Tribuna | | Atualizado em
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Valorização amplia escolhas para quem vive nas cidades
Alecsandro Casassi, presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef-ES) |  Foto: Divulgação

Quando uma cidade se desenvolve, atrai investimentos, recebe novos empreendimentos e melhora sua infraestrutura, é natural que esse movimento também se reflita no valor dos imóveis.

A valorização imobiliária costuma acompanhar uma economia mais dinâmica, novos negócios, empregos e melhoria dos espaços urbanos. Para proprietários, pode representar ganho patrimonial.

É nesse ponto que o debate sobre gentrificação precisa ser analisado com cuidado. A valorização de uma área costuma ser associada ao aumento dos preços e à dificuldade de permanência de parte dos moradores.

Mas existe outro lado: o proprietário de um imóvel valorizado também passa a ter um patrimônio maior e, consequentemente, mais escolhas.

Quem comprou um imóvel há anos e vê seu patrimônio se valorizar pode optar por vendê-lo e usar os recursos para adquirir uma residência em outra região, maior, mais confortável ou adequada às suas necessidades.

Também pode permanecer onde está, se considerar que os benefícios compensam os custos. A decisão depende da renda, das prioridades e do valor que cada pessoa atribui ao local onde vive.

Essa dinâmica faz parte do funcionamento de uma economia de livre mercado. Recursos são realocados de acordo com oferta, demanda e capacidade de pagamento. Da mesma forma que uma região pode se tornar mais valorizada, outras áreas podem oferecer alternativas de moradia com custos menores.

O desenvolvimento urbano não precisa ser uma disputa em que alguém necessariamente ganha enquanto outro perde.

O que não é possível, em muitos casos, é esperar que uma pessoa mantenha determinado padrão de localização e tenha acesso aos mesmos custos de uma região que passou por intensa valorização, sem que exista renda compatível. Essa relação entre renda, preço e escolha está presente nos mercados.

Isso não significa ignorar os desafios do crescimento. A expansão urbana exige planejamento, infraestrutura, mobilidade, serviços e diferentes alternativas de moradia para famílias com diferentes rendas.

Por isso, é importante olhar para a valorização imobiliária não apenas como aumento de preços, mas como parte de um processo maior de criação de valor. Para proprietários, pode significar patrimônio ou capital para novos projetos.

Para quem compra ou aluga, pode exigir a busca por outras regiões conforme sua capacidade financeira. No fim, desenvolvimento também é ampliação de escolhas. Uma cidade que cresce oferece novas possibilidades de trabalho, negócios e moradia.

O planejamento urbano deve criar condições para que essas possibilidades sejam diversas e para que o crescimento venha acompanhado de infraestrutura e qualidade de vida.

A valorização de um território não precisa ser vista apenas como ameaça a quem já vive nele. Para muitos proprietários, representa patrimônio construído ao longo de anos e a possibilidade de novos caminhos.

Em uma economia de livre mercado, preços mudam, regiões se transformam e as pessoas fazem escolhas a partir de seus recursos e prioridades.

O desenvolvimento urbano segue essa mesma lógica. O desafio não é impedir que uma cidade se valorize, mas permitir que ela continue criando oportunidades para que seus moradores possam decidir, de acordo com sua realidade, onde e como querem viver.

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