Biografia de Tom Brady trata divórcio de Gisele como maior erro de sua carreira
Biografia retrata divórcio como ponto de inflexão que marcou o declínio do ex-quarterback na vida pessoal e profissional.
Tom Brady nunca mais foi o mesmo desde que se divorciou de Gisele Bündchen, em 2022. Para além do fim do casamento em si, a separação do ídolo do futebol americano deu início à sua derrocada: ele não soube lidar muito bem com a carreira pós-aposentadoria, e sem uma mulher forte como Gisele ao lado, acabou virando até motivo de piada.
Esse seria um breve resumo do que a revista New Yorker destaca em uma resenha do livro "Brady: Uma História Americana e o Preço da Grandeza", de Lars Anderson, ex-jornalista da Sports Illustrated. A publicação descreve a biografia como um relato particularmente íntimo da relação entre o ex-quarterback da NFL e Gisele, apesar de o autor não ter tido acesso direto ao casal.
Sobre o período em que Brady tentou, digamos, se reinventar, após deixar o esporte e voltar aos tempos de solteiro, Anderson afirma: "Desde então, sua imagem sofreu um golpe mais duro do que qualquer um que ele tenha levado em campo. Ele saltou de um caixão numa esquete cafona inspirada na W.W.E. durante o Fanatics Fest. Apareceu em um comercial da Pizza Hut gritando: "Hut!" (Entendeu?) Suas tentativas de trabalhar como comentarista esportivo na televisão têm decepcionado".
A nova função também mereceu críticas de experts no esporte. "Como comentarista, Tom Brady não é apenas o Capitão Óbvio", publicou no X o ex-comentarista da Fox Sports Skip Bayless. "Ele é o Comandante em Chefe do Óbvio."
No livro, o autor diz que Brady havia virado mesmo um pastiche de si mesmo, motivando várias piadas --e elas sempre pareciam estar ligadas à separação de Bündchen. Um fã chamou suas estripulias pós-aposentadoria de "missões paralelas de pai divorciado".
A biografia trata o divórcio como um dos principais pontos de inflexão da trajetória do atleta e o define como uma pessoa obcecada com a busca permanente por mais títulos, recordes e conquistas. A New Yorker vai além e exalta fortemente o fascínio que a modelo exercia em todos à sua volta. Um "olha lá o que ele perdeu" dos mais classudos.
"Em 2009 Brady se casou com Gisele Bündchen, uma mulher para quem o título de 'supermodelo' foi considerado insuficiente. A revista New York chamou a glamourosa amazona brasileira, que teria um patrimônio líquido de US$ 400 milhões e 1.200 capas de revista no currículo, de 'ubermodel'. Ela frequentemente publicava nas redes sociais fotos em que aparecia fazendo ioga na praia, como a mais rica ninfa das águas da lista da Forbes", diz um trecho.
Em outro, vem a lembrança de um dia em especial, quando Gisele conheceu os parceiros de equipe do então marido após uma vitória no Super Bowl.
"Ela cumprimentou todos os jogadores de verde que encontrou ao sair, deixando-os tão maravilhados que era de admirar que os Patriots não a tivessem mandado para o túnel antes do jogo. E ela não era apenas bonita; era afetuosa e espirituosa. Bündchen, que teve dois filhos com Brady, disse à revista People: 'Meus filhos nunca ficavam doentes quando eu os amamentava. Se aparecia alguma coisa nos olhos deles, eu pingava leite nos olhos'. Ela era, por assim dizer, a conquista definitiva.
Brady e Gisele se conheceram em 2006, quando o jogador ainda consolidava seu lugar entre os maiores nomes da NFL. Na época, ele já havia conquistado títulos pelo New England Patriots, mas estava longe de encerrar a carreira. Gisele, por sua vez, era uma das modelos mais conhecidas do mundo.
O primeiro encontro aconteceu em um bar de vinhos em Nova York, o Turks & Frogs, no West Village. De acordo com a narrativa de Anderson, Brady falou sobre seus planos para o futuro e disse que pretendia jogar por mais dez anos, com a intenção de conquistar pelo menos mais um Super Bowl.
O plano acabou sendo levado muito além do que ele próprio imaginava.
Brady se tornou um dos atletas mais vencedores da história da NFL. Selecionado pelo New England Patriots apenas na sexta rodada do draft de 2000, na 199ª posição, ele terminou a carreira com sete títulos de Super Bowl e uma série de recordes.
Para Anderson, o fato de Brady ter chegado à NFL como uma escolha pouco valorizada ajudou a construir sua mentalidade competitiva. O jogador passou a ser conhecido pela preparação obsessiva, pela disciplina e pela disposição de trabalhar mais do que os demais.
Essa característica, que ajudou a construir sua carreira, também aparece na biografia como um dos elementos que pesaram no casamento.
Quando Brady e Gisele começaram a se relacionar, ambos já tinham carreiras consolidadas e uma rotina marcada pela exposição. O casamento aconteceu em 2009, em uma cerimônia pequena em Santa Monica, na Califórnia. Dois meses depois, eles renovaram os votos na Costa Rica.
A modelo passou a acompanhar de perto a carreira do marido e, segundo o livro, tentou convencê-lo em diferentes momentos a encontrar um equilíbrio entre o futebol e a vida familiar.
O casal formou uma das famílias mais conhecidas do mundo do esporte e da moda. A vida dos dois, entretanto, continuou sendo organizada em torno de uma agenda profissional extremamente intensa.
Gisele chegou a falar publicamente sobre a preocupação com a saúde do marido e com o impacto de anos de futebol americano em seu corpo. Em 2017, em entrevista a Charlie Rose, afirmou que Brady sofria concussões e que desejava que ele pudesse permanecer saudável para aproveitar a vida com a família no futuro.
A aposentadoria também se tornou um ponto de tensão. Brady anunciou que deixaria o futebol americano em 2022, mas voltou atrás apenas algumas semanas depois. A decisão de continuar jogando ocorreu pouco antes de a relação com Gisele chegar ao fim.
Os dois anunciaram o divórcio em outubro daquele ano, depois de 13 anos de casamento.
É justamente nesse momento que a biografia ganha seu principal argumento, segundo a The New Yorker. A revista afirma que Anderson constrói a narrativa como uma espécie de história sobre o preço da grandeza - e questiona se todas as conquistas de Brady tiveram um custo pessoal alto demais.
A obsessão do jogador por desempenho aparece em diferentes momentos do livro. O autor recupera episódios de sua rotina de treinamentos, a dieta rígida associada ao método TB12 e a disposição de chegar à academia antes dos companheiros de equipe.
Em um dos relatos, um jogador dos Patriots conta ter chegado à academia às 5h30 da manhã acreditando que seria o primeiro. Brady, porém, já estava em uma sala assistindo a vídeos de jogos e fazendo anotações.
Para a revista, é justamente essa imagem de sucesso absoluto que torna o divórcio tão significativo na narrativa da biografia. Brady poderia acumular títulos e recordes, mas não conseguiu manter a vida pessoal nos mesmos termos.
Depois da separação, Gisele seguiu sua vida e, em 2025, notícias apontaram que ela havia se casado com o instrutor de jiu-jitsu Joaquim Valente, com quem já mantinha relacionamento.
Brady, por sua vez, encerrou definitivamente a carreira nos campos e passou a investir em outros projetos. Aqueles que viraram piada e outros mais bem-sucedidos.
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