Anvisa alerta contra “Mounjaro” em pó vendido pela internet
Anvisa e especialistas apontam que a diluição caseira do princípio ativo irregular traz risco de erros na dosagem e pode provocar infecção
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Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um alerta contra vídeos nas redes sociais que anunciam a venda de “tirzepatida em pó” – princípio ativo do Mounjaro – e ensinam os usuários a diluir o produto para fazer a aplicação em casa.
Médicos procurados por A Tribuna esclarecem que o uso dessas versões vendidas de forma irregular pode trazer uma série de riscos à saúde.
A endocrinologista Mariana Furieri Guzzo explica que o maior risco é não saber se o produto contém realmente a substância anunciada nem se a concentração corresponde à informada.
“Pode haver uma concentração diferente da esperada, impurezas e outros contaminantes. A própria qualidade do princípio ativo pode ser ruim, porque não há um controle como existe com a medicação regularizada.”
A incerteza sobre a procedência do produto é ainda maior porque a tirzepatida continua protegida por patente, como destaca a endocrinologista Flávia Tessarolo.
“Quando a patente de uma droga cai, a fórmula fica disponível para que outros laboratórios possam produzi-la. Mas, no caso da tirzepatida, isso ainda não aconteceu. Então, fica a dúvida: em qual modelo essas versões irregulares estão se baseando para serem produzidas?”
Outro perigo está na própria preparação da dose em casa. Segundo a endocrinologista Camila Pitanga Salim, da Rede Meridional, erros na diluição podem fazer com que o paciente aplique uma quantidade maior ou menor do que a necessária.
“Uma dose acima da planejada pode aumentar a incidência de efeitos adversos, que podem se tornar graves dependendo da quantidade aplicada. Já uma dose menor pode não atingir os objetivos esperados.”
A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Seccional Espírito Santo (SBEM-ES), Maria Amélia Julião, reforça ainda que a falta de esterilidade na preparação pode provocar infecções.
“Fazer a reconstituição em ambiente doméstico, sem técnicas adequadas, abre espaço para bactérias e fungos. Isso pode causar desde infecções no local da aplicação até sepse, uma infecção generalizada.”
Por isso, a orientação é desconfiar de preços muito abaixo do mercado. “É um medicamento sério, que exige acompanhamento médico”, conclui Maria Amélia.
Riscos
- Concentração diferente da informada, com possibilidade de dose maior ou menor que a esperada.
- Produto não conter realmente tirzepatida ou ter baixa qualidade.
- Impurezas e outras substâncias desconhecidas no frasco.
- Contaminação por bactérias e fungos na hora de fazer a solução.
- Infecção no local da aplicação que também pode evoluir para um quadro generalizado.
- Reações alérgicas, inclusive potencialmente graves.
- Erro no cálculo da dose durante a diluição e aplicação em casa.
- Maior incidência de efeitos adversos em caso de superdosagem.
- Armazenamento e transporte inadequados, que podem comprometer a qualidade do produto.
Orientações
- Não comprar versões anunciadas de forma irregular pela internet nem fazer diluição e aplicação em casa.
- O uso da tirzepatida deve ser feito com indicação e acompanhamento médico, e o produto deve ser adquirido em estabelecimentos regularizados, seguindo todas as normas da Anvisa.
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