Estudo associa consumo de conservantes em excesso a maior risco de pressão alta
Pesquisa com mais de 112 mil pessoas associa consumo frequente de conservantes a maior risco de hipertensão e doença cardiovascular
Considerada uma das condições cardiovasculares mais prevalentes na população brasileira, afetando cerca de 30% da população adulta, a hipertensão arterial funciona como principal gatilho para o infarto. E a má alimentação pode ajudar a desencadear o quadro.
Estudo recente associa o consumo total de oito conservantes presentes em alimentos processados a um aumento de 24% no risco de hipertensão.
Os pesquisadores acompanharam a saúde e a alimentação de 112.395 pessoas. Durante os quase oito anos de acompanhamento, 5.544 participantes desenvolveram hipertensão e 2.450 tiveram doenças cardiovasculares, apontou o estudo francês publicado no European Heart Journal.
Entre os conservantes estão o sorbato de potássio, presente em pães e queijos; o nitrito de sódio, usado principalmente em carnes processadas, como presunto, mortadela, salame, linguiça e salsicha; e o ácido cítrico, encontrado em refrigerantes, sucos, doces, geleias e molhos.
A nutricionista Dalyla Formagine explica que os conservantes são aditivos alimentares utilizados pela indústria alimentícia para ajudar a preservar o alimento, retardando alterações causadas por fungos e bactérias e aumentando validade.
A profissional, entretanto, faz um alerta: “Alimentos ultraprocessados não devem ser consumidos diariamente. Priorizar alimentação mais natural, na maior parte do tempo, é fundamental para prevenir doenças crônicas”.
Dalyla ressalta, porém, que o estudo é observacional, não mostrando causa e efeito. “Isso quer dizer que os pesquisadores identificaram um aumento (no risco de hipertensão), mas não podem garantir que esse aumento se dá pelo consumo desses alimentos, podendo ter outros fatores, como os genéticos e tabagismo”.
Ainda que não seja possível concluir a causalidade direta, o cardiologista Diogo Barreto, coordenador do serviço de cardiologia do HEVV, explica que alguns desses aditivos contêm sódio, que pode favorecer a retenção de líquidos e contribuir para a elevação da pressão arterial.
O cardiologista Emilio Pereira Jr. destaca que pessoas que consomem mais alimentos industrializados podem, por exemplo, consumir menos frutas, verduras e outros alimentos in natura, além de praticar menos atividade física, dormir pior ou apresentar obesidade e estresse, levando a doenças cardiovasculares.
Pressão alta
A hipertensão arterial afeta cerca de 30% dos adultos brasileiros e é um dos principais fatores de risco para o infarto. A alimentação inadequada pode contribuir para o desenvolvimento e o agravamento do problema.
Estudo
Uma pesquisa francesa publicada no European Heart Journal associou o consumo de oito aditivos alimentares presentes em produtos processados a um aumento de 24% no risco de hipertensão.
A pesquisa é observacional, ou seja, identificou uma associação entre o consumo dos aditivos e o risco de hipertensão, mas não permite afirmar que um seja a causa direta.
Foram acompanhadas 112.395 pessoas por quase oito anos. Nesse período, 5.544 desenvolveram hipertensão e 2.450 tiveram doenças cardiovasculares.
Quais aditivos foram associados ao risco?
- Sorbato de potássio (E202): Aumento associado a risco de 39%. Presente em pães e queijos de pacotinhos.
- Ácido cítrico (E330): Risco de 25%. Presente em refrigerantes, sucos, doces, geleias e molhos.
- Metabissulfito de potássio (E224): Risco de 16%. Presente em bebidas e alimentos processados.
- Nitrito de sódio (E250): Risco de 16%. Presente em presunto, mortadela, salame, linguiça e salsicha.
- Ácido ascórbico (E300): Risco de 14%. Presente em bebidas e produtos de frutas e vegetais.
- Eritorbato de sódio (E316): Risco de 14%. Presente em carnes processadas, como salsicha e presunto.
- Ascorbato de sódio (E301): Risco de 12%. Presente em produtos cárneos processados e industrializados.
- Extratos de alecrim (E392): Risco de 10%. Presente em carnes processadas, produtos com gordura e salgadinhos.
Aditivos conservantes
são aditivos usados pela indústria para aumentar a durabilidade dos alimentos e preservar sua segurança e qualidade, retardando a ação de fungos e bactérias.
Alguns também têm função antioxidante, ajudando a evitar alterações de sabor, odor, cor e valor nutricional causadas pela oxidação.
O aditivo antioxidante, porém, é diferente de um alimento natural com propriedades antioxidantes.
Alimentos in natura ou pouco processados na dieta
A alimentação tem papel importante no controle da hipertensão. Entre as estratégias recomendadas estão a dieta DASH – específica para quem tem pressão alta – e a dieta do Mediterrâneo, que priorizam alimentos in natura ou pouco processados, como frutas, verduras, legumes, carnes magras e outros alimentos nutritivos, reduzindo o consumo de ultraprocessados.
Segundo o cardiologista Diogo Barreto, substituir produtos industrializados por alimentos mais naturais é uma das medidas que podem contribuir para o controle da pressão arterial, assim como a prática de atividade física.
O cardiologista Emilio Pereira Jr. explica que tanto a dieta DASH quanto a do Mediterrâneo são recomendadas pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para auxiliar no controle da hipertensão, além de trazer benefícios para pessoas com diabetes.
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