Síndrome das pernas inquietas: entenda sintomas, causas e tratamento
Condição provoca desconforto nas pernas durante o repouso e pode atrapalhar o sono
Aquela sensação de desconforto nas pernas que aparece justamente quando a pessoa está tentando dormir pode ter uma causa: a síndrome das pernas inquietas. A condição provoca uma necessidade quase irresistível de movimentar as pernas e costuma aparecer principalmente durante períodos de repouso e à noite.
Nesta terça-feira (23), é celebrado o Dia da Síndrome das Pernas Inquietas, data criada para chamar atenção para a condição, que também é conhecida como síndrome de Ekbom.
A síndrome atinge entre 5% e 10% da população, segundo informações do Ambulatório dos Distúrbios do Sono (Asono) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
O desconforto pode ser descrito de diferentes formas, como formigamento, pontadas, dor, latejamento, arrepios ou uma sensação de algo rastejando pelas pernas. Em alguns casos, os sintomas também podem atingir os braços.
O movimento das pernas costuma aliviar o incômodo temporariamente. Por isso, algumas pessoas sentem necessidade de levantar, caminhar ou movimentar as pernas para conseguir diminuir a sensação.
Segundo John Winkelman, chefe do programa de pesquisa clínica em distúrbios do sono do Massachusetts General Hospital e professor de psiquiatria da Harvard Medical School, a síndrome é “um distúrbio neurológico caracterizado pela necessidade de se mover, geralmente associada a uma sensação de desconforto”, conforme explicou à CNN Brasil.
Sintomas aparecem durante o repouso
Uma das principais características da síndrome é justamente o aparecimento dos sintomas quando a pessoa está parada, principalmente à noite.
O desconforto pode dificultar o momento de pegar no sono e, em casos mais intensos, os sintomas podem aparecer várias vezes por semana e atrasar o início do sono por horas.
A condição é considerada um distúrbio do sono justamente porque pode interferir diretamente na capacidade de dormir.
Além do impacto durante a noite, a falta de descanso pode provocar consequências durante o dia, como cansaço, sonolência e irritação.
O que causa a síndrome?
As causas exatas da síndrome das pernas inquietas ainda não são conhecidas. De acordo com informações da USP, a condição parece estar relacionada a alterações em determinadas áreas do cérebro e apresenta um componente genético.
Os níveis de ferro no organismo também têm relação com o desenvolvimento da condição.
Segundo Winkelman, pessoas com deficiência de ferro apresentam maior probabilidade de desenvolver a síndrome. Entre os grupos citados pelo especialista estão grávidas, pacientes em diálise, mulheres que menstruam, pessoas com anemia e vegetarianos.
A condição também pode estar associada à doença renal em estágio avançado, ao consumo excessivo de álcool, ao uso de drogas e a alguns tipos de medicamentos.
Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina também podem aumentar a vulnerabilidade à síndrome, segundo o especialista.
Crianças também podem ter
Embora seja mais frequente em adultos e aumente com o envelhecimento, a síndrome das pernas inquietas também pode aparecer em crianças.
O diagnóstico nessa faixa etária pode ser mais difícil. Daniel Guilherme Suzuki Borges, pesquisador do Ambulatório dos Distúrbios do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirmou ao Jornal da USP que “É desafiador porque pode ser confundido com hiperatividade”.
A síndrome também é mais comum em mulheres do que em homens.
Como é o tratamento?
O tratamento depende da avaliação médica e da identificação de fatores que possam estar relacionados ou agravando os sintomas.
Quando há deficiência de ferro, por exemplo, a reposição pode ser indicada. Segundo Winkelman, o ferro pode ser administrado por via oral ou por infusão intravenosa quando os níveis estão baixos ou próximos do limite.
Mudanças de hábitos também podem ajudar a controlar os sintomas. Entre os fatores que podem contribuir para a piora estão o consumo de álcool, alguns medicamentos e o excesso de açúcares simples, segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil.
Também existem medicamentos utilizados nos casos em que essas medidas não são suficientes. Brian Koo, professor associado de neurologia da Yale School of Medicine e diretor do Yale Center for Restless Legs Syndrome, afirmou à CNN Brasil que uma das classes utilizadas atualmente é a dos ligantes alfa2-delta, como gabapentina e pregabalina.
Os chamados agonistas de dopamina, que por muito tempo foram utilizados como primeira opção de tratamento, atualmente são prescritos com menos frequência. Segundo Winkelman, esses medicamentos podem piorar os sintomas da síndrome ao longo do tempo.
Em casos mais graves, Koo citou o uso de opioides de baixa dose e ação prolongada.
Quando procurar um médico?
Quem apresenta desconforto nas pernas durante o repouso, principalmente quando os sintomas atrapalham o sono, deve procurar avaliação médica.
A investigação pode incluir exames de sangue para verificar os níveis de ferro e identificar possíveis fatores associados à síndrome.
O diagnóstico é importante para diferenciar a condição de outros problemas e definir o tratamento mais adequado.
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