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Economia

Pablo Lira: “Foi o dia do início da ruína da economia americana”

Medidas de Trump podem afetar a economia global e refletir no Espírito Santo


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Imagem ilustrativa da imagem Pablo Lira: “Foi o dia do início da ruína da economia americana”
Lira disse que “rearranjo” pode ter impactos positivos ao Brasil e ao Estado |  Foto: Kadidja Fernandes

Quase um século atrás, os Estados Unidos promulgaram uma lei tarifária que desencadeou uma guerra comercial global e prolongou e aprofundou a Grande Depressão.

Agora, otimista, o presidente Donald Trump aposta que o mundo mudou o suficiente para que isso não volte a acontecer e está prestes a importar as chamadas tarifas recíprocas e outras taxas no que ele intitulou de “Dia da Libertação”.

Se por um lado o governo americano acredita que foi uma decisão assertiva, para alguns especialistas o entendimento é diferente. A convite da reportagem, o diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, fez uma análise sobre as medidas anunciadas por Trump e falou sobre os impactos para o Brasil e o Estado.

A Tribuna — No seu entendimento, quais são os impactos da taxação anunciada pelo governo americano?

Pablo Lira — O tarifaço do Trump, chamado Dia da Liberdade nos Estados Unidos, já saiu na The Economist, publicação especializada na área de economia. Vários economistas estão apontando que, na verdade, não foi o Dia da Liberdade, foi o início da ruína da economia americana, interpretação com a qual concordo.

Por que?

Essa medida de Trump, em primeiro lugar, não é boa para os Estados Unidos. O discurso ideológico dele é para agradar os seus eleitores. Só que o resultado prático disso é inverso ao que ele está querendo. É uma medida protecionista.

E, quando a gente olha os dados científicos, até no primeiro governo dele, ele tentou implementar essa medida de taxação do aço e do alumínio, entre 2017 e 2018.

O que aconteceu lá atrás? A indústria norte-americana começou a ter problema com a compra do aço. Eles não são autossuficientes em aço e alumínio. O preço ficou mais alto. Aumentou a inflação nos (EUA) e ele começou a ter pressão interna para derrubar as medidas.

Além disso, tem economistas que fizeram estudos com base em metodologias robustas da economia e analisaram lá atrás, no governo do George W. Bush, que as medidas protecionistas adotadas, que era a taxação do aço, duraram apenas alguns meses.

Aumentou a inflação?

Exatamente. Desacelerou a economia americana e, o pior de tudo, gerou desemprego. Aquelas indústrias que dependiam da compra do aço mais barato, vamos pegar o aço brasileiro e de outros países, passaram a ter que pagar um preço mais caro ou até mesmo deixar de comprar. Agora, a pergunta que fica para o Trump é: quanto tempo ele vai conseguir bancar esse tarifaço?

Isso deve se repetir com a taxação anunciada?

O aço que é comprado do Brasil vai aumentar. A geladeira e os carros que eles produzem lá com o nosso aço, vão aumentar. Aumenta a inflação. Aí o FED, que é o Banco Central Americano, vai ter que aumentar a taxa de juros. Olha o cenário que ele está criando.

Se ele mantiver essas taxas elevadas, os outros países vão chegar a outro ponto de equilíbrio do comércio exterior. Então, aqueles países que eram muito dependentes dos EUA vão passar a negociar com outros países mais atrativos.

Com essa medida, Trump conseguiu unir ontem (quarta-feira) o Japão, a China e a Coreia do Sul. Eles vão reforçar o comércio entre eles.

E o Espírito Santo deve ser muito impactado?

No curto prazo isso pode postergar investimentos no Brasil e no Estado não é diferente. Apesar da taxação brasileira ser de 10%, essa medida de Trump gera incertezas e instabilidades.

Então o empreendedor que quer aportar recursos, construir uma fábrica, por exemplo, ele pode postergar alguns meses para ver como o mercado vai reagir e se vai chegar a esse novo ponto de equilíbrio, esse rearranjo do comércio exterior.

Mas o Espírito Santo está fazendo o dever de casa. Temos investimentos em execução na nossa logística e o nosso comércio exterior tende continuar em expansão. A gente não pode olhar essa medida de maneira catastrófica.

Podemos dizer que a inflação deve aumentar, mas agora tem de ver como vai se comportar. É preciso ter cautela, olhar o rearranjo do comércio global. E o Brasil e o Espírito Santo podem ter impactos positivos dessa medida. Não é o pior de tudo.

De que forma?

Agora a gente vai ver acordos, como o Mercosul com a União Europeia acelerando para se concretizar. É interesse mútuo do Brasil, que responde por cerca de 70% da economia do Mercosul, fortalecer essas parcerias com a Europa. Olha o lado bom da coisa.

Mas vamos ter cautela, pois discurso de Trump, no mundo real dos fatos e das evidências científicas, não encontra lastro de veracidade. Então, ele provavelmente vai ter que rever essa posição.

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