Pesquisadores da Ufes criam técnica para diagnosticar Parkinson pela voz
Pesquisadores estão buscando padrões sonoros que diferenciem pessoas com e sem a doença, facilitando diagnóstico
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Uma técnica capaz de identificar de forma precoce a doença de Parkinson a partir de sinais de voz está sendo desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
De acordo com estudos, os sintomas vocais são os primeiros a surgirem em cerca de 90% dos casos da doença. Por isso, a ferramenta pode ajudar no diagnóstico precoce de pacientes.
Patrick Ciarelli, professor orientador responsável pela pesquisa, diz que os estudos ainda estão em etapa inicial. “Contudo, ela é relevante, porque a doença de Parkinson começa de forma assintomática e, em boa parte dos casos, os primeiros sintomas são observados na voz dos pacientes”.
Ele explica que detectar a doença nos estágios iniciais é de alta relevância. “Embora seja uma doença sem cura, é possível fazer o tratamento adequado para retardar o avanço dela”.
Neste projeto, a inteligência artificial será essencial para identificar padrões no áudio de pessoas com a doença que diferem das pessoas saudáveis.
“A doença de Parkinson afeta os movimentos dos pacientes e o controle dos músculos. O aparelho fonador, que é responsável por produzir a voz dos seres humanos, é composto por vários músculos que são afetados pela doença”.
Fala monótona (sem graves e agudos), dificuldade em fazer a pronúncia adequada das palavras e voz baixa, devido à dificuldade de controlar os músculos, são sinais que os pesquisadores buscam para identificar o Parkinson precocemente.
O uso de sistemas inteligentes permitiria fazer uma triagem de pessoas com potencial de possuírem Parkinson para serem encaminhadas a um especialista para fazer exames mais rigorosos.
Peter Garcez, aluno pesquisador, relata que em um primeiro momento, em nível de mestrado, a pesquisa utilizou um banco de dados estrangeiro, já que ainda não existem bancos de dados brasileiros específicos para esse fim.
“Para que a pesquisa avance na criação de dispositivos de diagnóstico, é fundamental ter amostras de voz de falantes do português falado no Brasil, garantindo precisão no modelo”, explica.
“Os próximos passos serão criar um banco de dados com amostras de voz de pacientes brasileiros, especialmente do Espírito Santo. Para isso, já foram iniciados contatos com profissionais da área de saúde e os trâmites junto ao conselho de ética”.
Triagem inicial
“Nosso objetivo é que essa tecnologia funcione como uma forma de triagem inicial, permitindo identificar sinais precoces da doença de Parkinson a partir da voz. Com isso, pessoas que apresentarem indícios da doença poderão ser encaminhadas para um especialista, que fará uma avaliação mais aprofundada e confirmará o diagnóstico”.
Peter Garcez, aluno pesquisador
Tratamento
“A doença começa de forma assintomática e, em boa parte dos casos, os primeiros sintomas dela são observados na voz dos pacientes. Detectar a doença de Parkinson logo nos estágios iniciais é de alta relevância, pois, embora seja uma doença sem cura, é possível fazer o tratamento adequado para retardar o avanço dela”.
Patrick Ciarelli, professor orientador
Fique por dentro
O que é?
A pesquisa desenvolvida no Laboratório de Computação e Sistemas Neurais (LabCisne) da Ufes busca identificar a doença de Parkinson a partir da voz, utilizando técnicas de inteligência artificial e aprendizado de máquina.
O objetivo é encontrar padrões sonoros que diferenciem pessoas com e sem a doença, facilitando um diagnóstico precoce.
Por que analisar a voz?
O Parkinson afeta os movimentos dos pacientes, incluindo os músculos responsáveis pela fala.
Nos estágios iniciais, os sintomas são sutis e quase imperceptíveis ao ouvido humano, mas modelos de IA podem detectar pequenas alterações nos padrões sonoros antes que a doença seja perceptível.
Em estágios mais avançados, os pacientes podem apresentar voz monótona, dificuldade na pronúncia e volume baixo.
Como funciona a detecção?
Atualmente, a pesquisa utiliza um banco de dados estrangeiro, considerado o maior do mundo para essa finalidade.
Esse banco contém padrões extraídos de áudios de pacientes.
O modelo de IA é treinado com essas informações para reconhecer padrões e classificar novas amostras de voz.
Qual a próxima etapa?
A equipe pretende criar um banco de dados nacional com gravações de áudio de pacientes brasileiros.
Isso permitirá um aprimoramento na precisão do diagnóstico, já que os modelos poderão ser treinados com amostras de falantes nativos da língua portuguesa.
Os trâmites éticos e os contatos com profissionais da saúde já estão sendo iniciados para viabilizar essa fase.
Quando a população poderá ter acesso ao teste?
Ainda não há uma previsão exata para que o sistema esteja disponível para a sociedade. Estima-se que a pesquisa precise de pelo menos mais 4 a 5 anos para atingir um nível adequado de desenvolvimento, podendo levar até 10 anos para uma aplicação prática.
Como isso pode impactar a população?
Com a detecção precoce do Parkinson, os pacientes poderão iniciar o tratamento mais cedo, retardando a progressão da doença. No futuro, a ideia é que um simples teste de voz possa ser utilizado para triagem.
O que torna a pesquisa inovadora?
Diferentes abordagens já são usadas para identificar Parkinson, como análise dos movimentos involuntários das mãos e da forma de andar.
No entanto, a detecção pela voz se destaca porque cerca de 90% dos pacientes apresentam sintomas vocais nos estágios iniciais da doença.
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