O que a ciência mudou no combate ao câncer de mama
Exames que ajudam a evitar quimioterapia desnecessária e cirurgias menos agressivas estão entre as novidades
Medicamentos que atacam o tumor de forma mais direcionada, exames genéticos que ajudam a evitar quimioterapias desnecessárias e cirurgias menos agressivas. Esses são alguns dos avanços da ciência que estão transformando o tratamento do câncer de mama e ampliando as possibilidades de controle da doença.
Neste Outubro Rosa – mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama –, especialistas destacam que, além da importância do diagnóstico precoce, os avanços da medicina estão permitindo tratamentos cada vez mais personalizados, com melhores perspectivas e mais qualidade de vida para as pacientes.
A médica oncologista clínica Morgana Stelzer Rossi, coordenadora da Unimed Oncologia, explica que uma das maiores transformações foi a compreensão de que o câncer de mama não é uma doença única, mas apresenta diferentes subtipos e características biológicas.
“O grande avanço foi sair de um tratamento mais igual para todas para um tratamento cada vez mais individualizado, tratando mais quando precisamos e menos quando podemos”, destaca.
Entre as novidades estão as terapias-alvo, a imunoterapia e os anticorpos conjugados a drogas – capazes de levar a substância utilizada no tratamento de forma mais direcionada às células tumorais.
Mas a evolução da medicina também trouxe outra mudança importante: a possibilidade de evitar tratamentos e procedimentos mais agressivos quando eles não são necessários.
A médica oncologista da Unimed Sul Capixaba Mariana Novaes também destaca que o tratamento do câncer de mama passou por uma verdadeira revolução na última década, principalmente com o desenvolvimento de medicamentos mais precisos.
Um dos avanços que tem mudado a vida das pacientes é a possibilidade de identificar quem realmente precisa passar pela quimioterapia.
Por meio de testes genômicos, os médicos conseguem analisar características do tumor e avaliar, em determinados casos, se o tratamento trará benefícios. “Com isso, é possível poupar algumas pacientes de fazer quimioterapia”.
Ela também aponta que a ciência continua investigando novas possibilidades. Entre elas estão medicamentos capazes de agir sobre alterações genéticas específicas dos tumores e combinações de terapias para ampliar a eficácia contra a doença.
“Escolhi transformar a dor em arte”
Antes de transformar prata em joias, a gestora de RH Josérica Verenice Bausen, 51 anos, precisou lapidar a própria coragem. Em 2024, o câncer de mama trouxe dor, medo e tristeza. Ela passou por quatro cirurgias e pela retirada completa da mama. Durante o tratamento, conheceu o projeto “Toda Mulher é uma Joia Rara”, da Unimed Vitória em parceria com o laboratório de Gemologia Ufes, onde encontrou acolhimento, afeto e novas amizades.
Nas peças, descobriu uma forma de ressignificar a dor e recomeçar. “Escolhi transformar a dor em arte”, conta. Ainda em tratamento medicamentoso, sonha em tocar o sininho da Unimed Oncologia, símbolo da alta para as pacientes.
Principais mudanças da última década
1) Tratamentos personalizados
O câncer de mama deixou de ser tratado como uma doença única. Hoje, os médicos identificam diferentes subtipos e características biológicas dos tumores para escolher tratamentos mais adequados a cada paciente, aumentando as possibilidades de eficácia e cura.
2) Medicamentos mais direcionados
Novos medicamentos – anticorpos conjugados a drogas (ADCs) – funcionam como uma espécie de “cavalo de Troia”.
Eles reconhecem características das células tumorais e levam a medicação para dentro delas, permitindo uma ação mais assertiva contra o câncer.
3) Imunoterapia contra tumores agressivos
A imunoterapia passou a ser utilizada em determinados casos de câncer de mama triplo-negativo, considerado um dos subtipos mais agressivos.
O tratamento ajuda o sistema imunológico a combater o tumor e aumenta a sobrevida das pacientes.
4) Testes genômicos
Analisam características do tumor e ajudam a identificar mulheres que podem não se beneficiar da quimioterapia, permitindo, em alguns casos, evitar seus efeitos colaterais sem comprometer o tratamento.
5) Novos tratamentos para tumores hormonossensíveis
Novas terapias, como os inibidores de CDK4/6, passaram a integrar o tratamento de tumores hormônio-receptores positivos, atuando diretamente em mecanismos que controlam a multiplicação das células tumorais.
6) Cirurgias menos agressivas
As cirurgias evoluíram para preservar mais o tecido mamário, quando possível.
Em determinados casos, também é possível evitar a retirada extensa dos linfonodos da axila, reduzindo complicações como inchaço no braço e dificuldades de movimentação.
7) Radioterapia mais precisa
Novas técnicas permitem direcionar melhor a radiação para a região afetada, preservando tecidos saudáveis.
Em situações específicas, também é possível reduzir o número de sessões e o tempo total do tratamento.
8) Exames mais detalhados
A mamografia digital e a tomossíntese mamária, conhecida como mamografia 3D, ampliaram a capacidade de identificar alterações pequenas. A tecnologia permite analisar o tecido mamário em diferentes camadas, auxiliando na detecção precoce.
O que vem por aí
1) Biópsia líquida
Pesquisas investigam o uso de exames de sangue para identificar fragmentos do DNA de células tumorais. A tecnologia poderá ajudar a detectar sinais de doença residual antes mesmo que alterações sejam identificadas nos exames de imagem.
2) Vacinas contra o câncer
Cientistas estudam vacinas terapêuticas personalizadas para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas. Proposta é auxiliar o tratamento.
3) Novas gerações de medicamentos
Pesquisadores desenvolvem versões mais avançadas dos anticorpos conjugados a drogas, capazes de atingir diferentes características dos tumores. Também estão sendo estudadas combinações desses medicamentos com imunoterapia.
4) Antecipação da resistência ao tratamento
A análise do DNA tumoral poderá permitir identificar alterações que tornam o câncer resistente a determinados medicamentos.
A expectativa é possibilitar mudanças na terapia antes que a doença apresente sinais de progressão.
5) Tratamento específico
pesquisas buscam remédios capazes de agir sobre mutações específicas, inclusive as relacionadas à resistência a terapias hormonais. A tendência é que decisões considerem características do tumor e sua evolução.
Fonte: Especialistas consultadas.
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