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Nova varíola é transmitida pelo sexo em 95% das vezes

É o que aponta uma pesquisa feita por jornal científico internacional utilizando 528 casos da doença em 16 países

Eduardo Maia, do Jornal A Tribuna | 28/07/2022 16:57 h

Paciente com marcas de varíola
Paciente com marcas de varíola |  Foto: Divulgação
 

A transmissão da nova varíola acontece por meio de relações sexuais em 95% dos casos. Isso é o que defende uma nova pesquisa elaborada e publicada pelo jornal científico New England Journal of Medicine, na última terça-feira. 

A pesquisa usou 528 casos para análise, que aconteceram em 16 países diferentes – nenhum deles foi no Brasil. Os dados foram colhidos entre os meses de abril e junho deste ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS), recentemente, declarou o surto como emergência de saúde pública.

De acordo com o médico infectologista Lauro Ferreira Neto, apesar da transmissão sexual acontecer facilmente, a doença não entra na categoria de  sexualmente transmissível. 

“O contato íntimo propicia a transmissão, já que existe o toque entre os corpos. Porém, a doença será transmitida mesmo se houver uso de preservativo, já que a pessoa terá contato com a pele de outra”, afirmou.

Ainda segundo os dados disponibilizados pela pesquisa, 98% dos  infectados eram homens que se relacionavam com outros homens. Segundo Lauro, é preciso tratar essa informação com cuidado. 

“O número alto de homens infectados que mantêm relações homoafetivas é justificado pelo que aconteceu no início da proliferação do vírus. Os casos começaram a se espalhar após os infectados se relacionarem com vários parceiros ao mesmo tempo, principalmente na Europa”, explicou. 

Ele ainda  atenta para que as pessoas tenham cuidado e não associem a doença aos grupos homoafetivos. 

“Isso aconteceu na época da Aids e, com o estudo, percebemos que a doença poderia infectar qualquer um. A infecção entre grupos homoafetivos é apenas uma das possibilidades”, explicou.

Já o primeiro secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alexandre Rodrigues, aponta que relacionamentos múltiplos oferecem mais riscos, já que neste caso existe contato com mais de um parceiro ao mesmo tempo. 

“O cuidado está no ajuste ao comportamento. É indicado que  as pessoas tenham mais cautela neste momento de proliferação do  vírus”, explicou. 

“Risco de repetir os erros da covid”

Nésio Fernandes, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde  e secretário da Saúde do Espírito Santo, disse que o País tem tomado ações “protocolares” 
e lentas para o combate à nova varíola
Nésio Fernandes, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde e secretário da Saúde do Espírito Santo, disse que o País tem tomado ações “protocolares” e lentas para o combate à nova varíola |  Foto: Dayana Souza
 

Nesta semana, Nésio Fernandes, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e secretário da Saúde do Espírito Santo, declarou que o “Brasil repete os mesmos erros cometidos com o coronavírus”. 

Essa afirmação é porque, segundo ele, o País tem tomado ações “protocolares” e lentas para o combate à nova varíola, também chamada de “varíola dos macacos” (monkeypox).

 Essa também é a visão do subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado, Luiz Carlos Reblin. De acordo com ele, o controle nacional da doença cabe ao Ministério da Saúde. “É preciso decidir as ações de forma mais rápida. Os casos tendem a aumentar e o diagnóstico da doença pode ser dificultado”, defendeu. 

Ainda segundo o subsecretário, quando existe uma suspeita no Espírito Santo, uma amostra do exame do possível contaminado é enviada para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, para a análise.

“Poderíamos realizar esse processo no próprio Estado, já que temos o Laboratório Central equipado e possuímos todos os profissionais capacitados. Porém,  não contamos com os kits, que precisam ser enviados ao Estado pelo Ministério da Saúde”, explicou.

O primeiro secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alexandre Rodrigues da Silva, disse que é importante que o governo tenha transparência de dados. 

“Se não há informação sobre os diagnósticos, o reconhecimento do problema é prejudicado. A gente acaba vendo somente a ponta do iceberg e só percebe toda a questão quando o navio afunda”, explica.


SAIBA MAIS

Qual a situação?

- De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), até o fechamento desta edição, eram 13 casos notificados no Estado.

- Desses, sete foram descartados, dois deram positivo e quatro estão sendo investigados. Os casos positivos são de homens, com faixa etária de 30 a 49 anos, da Grande Vitória.

- Ainda segundo comunicado da Sesa, todos os pacientes suspeitos estão sendo monitorados pela Vigilância Sanitária dos municípios, que também vêm acompanhando as pessoas que estiveram em contato com eles.

- Foram recolhidas amostras dos pacientes, que foram enviadas para o Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen), para que seja feito o diagnóstico.

- Depois desse processo, as amostras deverão ser encaminhadas ao laboratório de referência, localizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sintomas

- De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o caso passa a ser suspeito quando a pessoa apresenta bolhas na pele de forma aguda e inexplicável e esteja em um país onde a varíola  não se caracteriza como doença comum.

- Se o quadro for acompanhado por dor de cabeça, febre acima de 38,5 graus, dores musculares, dor nas costas e fraqueza profunda é necessário fazer os exames.

Dados da Pesquisa

- 95%dos casos estudados foram transmitidos por meio de relações sexuais.

Outras informações

- A pesquisa analisou 528 pessoas infectadas.

- Foram 43 locais, em 16 países.

- Os dados foram colhidos entre 27 de abril e 24 de junho de 2022.

- 98% dos pacientes eram homens que tiveram relações homoafetivas.

- A idade média dos infectados era de 38 anos.

- Os infectados tiveram, em média, nos três meses anteriores à pesquisa, relação sexual com cinco parceiros.

- Cerca de terço dos infectados havia participado de festas de cunho sexual  no mês anterior ao surgimento dos sintomas.

Fonte: OMS, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde  e New England Journal of Medicine.

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