Engenheiro é condenado a 27 anos de prisão por matar professora em Vitória
Patrick Noé dos Santos Filgueira foi condenado por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe e feminicídio
O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado de matar a esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, foi condenado a 27 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em regime fechado. A decisão foi proferida pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) nesta quinta-feira (5).
Em sessão do Tribunal do Júri que se estendeu de terça a quinta-feira (3 a 5 de novembro), o réu foi condenado pelo crime de homicídio qualificado, cometido por motivo torpe e feminicídio.
Além da pena de reclusão, a Justiça determinou que o engenheiro pague uma indenização no valor de R$ 500 mil aos familiares da vítima, a título de danos morais.
Segundo o MPES, a condenação considerou o relacionamento abusivo vivido pela vítima.
“Durante o júri, sustentamos que as provas demonstravam um relacionamento tóxico e abusivo, marcado por violência, frieza e desprezo à vítima. Nosso objetivo foi provar que crimes as dessa natureza não podem ficar impunes. A vítima foi covardemente assassinada e a tentativa da defesa de tratar o caso como acidente ruiu diante das evidências”, manifestou a acusação.
Investigação sobre possível vazamento da condenação
Em nota, o Ministério Público informou que requereu a abertura de uma investigação para apurar se o réu foi informado que seria condenado antes de o resultado sair da sala secreta onde acontece a votação com o Tribunal do Júri, uma vez que o acusado deixou o Fórum Criminal antes da leitura da sentença.
O crime
O crime aconteceu em dezembro 2017, quando a vítima tinha 36 anos, no apartamento onde o casal morava, no bairro Jardim Camburi, na capital capixaba.
Na ocasião, Patrick e Danielly, que viviam um relacionamento conturbado, tiveram um desentendimento motivado por ciúmes. Segundo a denúncia, o réu nutria um sentimento de posse e controle sobre a vítima, monitorando suas redes sociais por meio de um “clone” do aplicativo de mensagens.
Em determinado momento, Patrick resolveu sair de casa com seus pertences pessoais, acompanhado de dois familiares que se encontravam no apartamento na ocasião, dirigindo-se ao hospital em virtude de dores decorrentes de uma cirurgia que havia realizado poucos dias antes.
Mais tarde, o réu retornou, acompanhado de um parente, sob o pretexto de buscar um notebook. Após pegar o aparelho, Patrick retornou novamente ao apartamento, alegando ter esquecido alguma coisa, ficando sozinho com Danielly. Até o dia seguinte, ninguém foi visto entrando ou saindo do apartamento, como confirmam imagens da câmera de videomonitoramento.
Danielly só foi encontrada morta no dia 30 de dezembro. De acordo com os laudos periciais, a causa da morte ocorreu por “hemorragia intracraniana, devido a traumatismo cranioencefálico, causado por ação contundente”.
Segundo a polícia, o corpo estava no pé da cama, de bruços, em uma poça de sangue. No quarto, a janela estava aberta, o ar-condicionado ligado, o pé do criado-mudo quebrado e dois porta-retratos estavam virados para baixo.
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