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Descobertas da ciência ajudam a tratar a insônia

Descobertas da ciência ajudam a tratar a insônia

Lorrany Martins | Arte: André Felix
bem-estar e saúde

Terapias, meditação, estudos genéticos e desenvolvimento de tecnologias são usados pelos médicos para cuidar dos pacientes

A insônia é um problema grave na vida de muitas pessoas. Ficar acordado durante a noite, ou ter um sono insuficiente, pode prejudicar a saúde e atrapalhar o dia a dia.

Mas a ciência tem se empenhado em pesquisas para ajudar médicos no tratamento do problema que atinge cerca de 34% dos brasileiros. Terapias comportamentais, meditação, estudos genéticos e desenvolvimento de tecnologias e remédios estão entre as descobertas com resultados positivos.

“O que tem mostrado melhores resultados e cresceu muito na pandemia são as técnicas de meditação que promovem o relaxamento e está ajudando muitas pessoas a dormirem”, ressalta a presidente da Associação Brasileira do Sono no Espírito Santo, Jéssica Polese.

Pneumologista e especialista em Medicina do Sono, Simone Prezotti destacou a terapia cognitiva comportamental (TCC), especializada em insônia.

Pesquisas em todo mundo têm mostrado que a TCC ajuda o paciente com insônia por mais tempo. A médica explica que a técnica faz a pessoa mudar de comportamento em relação ao sono.

“Tem estudos que mostram que a TCC para insônia de maneira digital, com inteligência artificial, funciona tão bem quanto o tratamento pessoalmente”.

Pesquisas têm mostrado também como a luz do sol e a artificial afetam a produção de melatonina, que é o hormônio do sono. Um neurocientista americano defende que o cérebro precisa de sol da manhã para dormir bem. Os médicos indicam tomar sol uma hora depois de acordar, o que ajuda na indução do sono à noite.

O estudo genético também tem se mostrado promissor, e uma esperança. Pesquisadores americanos identificaram um marcador genético ligado ao sono curto, ou seja, de quem dorme menos de oito horas.

Neurologista e especialista em Medicina do Sono do Grupo Fleury, Rosana Cardoso Alves explica que o sono curto não significa insônia. “Há estudos recentes relacionando ela aos genes de transtornos de ansiedade”.

Vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono, Luciano Drager destaca que novas gerações de medicamentos têm a inovação de padrão de sono de cada pessoa e ainda com grau de dependência menor.

Acervo pessoal

Meditação

Pegar no sono era um desafio para universitária Julia Muniz, de 24 anos, e quando conseguia dormir, logo acordava. Ela contou que foi com a meditação que conseguiu ter boas noites de sono.

“Tomei melatonina em comprimido, mas não tive muito resultado. Mas, também não queria ficar refém de remédio para dormir, então fui atrás de aplicativos para meditação guiada, voltada para o sono. Comecei tem três meses, e estou vendo muito resultado! Com dois minutos estou dormindo”.

Entenda

O que é insônia?

Ela é caracterizada por dificuldade em iniciar o sono, ou por acordar durante a noite e não conseguir voltar a dormir. O que traz a sensação de sono não reparador. Tipos de insônia

Inicial ou de conciliação

> É a dificuldade de adormecer quando vai para a cama. A pessoa não consegue pegar no sono

Manutenção ou fragmentado

Há uma dificuldade em permanecer dormindo. Quando acorda durante a noite, demora a voltar a dormir. Acontece de acordar várias vezes à noite.

Tardia ou despertar precoce

Esse tipo se caracteriza pelo despertar precoce. O indivíduo acorda muito antes do horário que se desejaria e não consegue voltar a dormir.

Estágios do sono

A noite começa com o sono não-REM, composto por: N1 – transição da vigília, ainda um sono leve; N2 – desconexão total do cérebro com os estímulos do mundo real; N3 – sono profundo, com descanso da atividade cerebral. Depois, é a fase do sono REM, quando há intensa atividade cerebral e movimentos oculares rápidos.

Fonte: Especialistas consultados.

Acervo pessoal

Acordar cedo

Foi uma mudança total de comportamento e hábitos que fizeram a publicitária Juliana Loyola, de 36 anos, fazer as pazes com o travesseiro depois de muito tempo sofrendo com a insônia.

“Durante um ano, sofri com a insônia. Eu não conseguia dormir e isso era angustiante. Minha ansiedade era muito grande e não conseguia desligar a cabeça”.

Hoje, ela conta que mudou o estilo de vida, a alimentação e criou hábito de tomar sol pela manhã. “Antes ficava no modo zumbi. Hoje, adoro acordar cedo, o dia rende e o sono chega cedo e durmo muito bem”.

Algumas descobertas

Luz do sol

pesquisas em todo o mundo mostram que a luz do sol é importante para ajudar no tratamento da insônia. De acordo com os cientistas, ter luz suficiente ao ar livre durante o dia, pelo menos meia hora pela manhã, oferece um sono melhor à noite.

Um professor de neurociência da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, defende que a ativação do relógio biológico que irá produzir o hormônio do sono, a melatonina, acontece 16 horas depois de os olhos receberem a luz intensa do sol.

Terapia cognitiva comportamental

A terapia comportamental para o sono tem se mostrado muito promissora em pesquisas e consultórios. De acordo com pesquisadores, os resultados são mais sustentáveis do que aqueles com medicamentos.

As melhorias no sono dos pacientes que fizeram terapia cognitiva-comportamental tiveram duração de 12 e 24 meses após o início da terapia. O objetivo da terapia é eliminar as crenças e as atitudes errôneas relacionadas ao sono.

Maconha medicinal

Um estudo da Austrália mostrou que a maconha medicinal pode ajudar no tratamento de pessoas que sofrem com insônia crônica. Os pesquisadores observaram que o efeito de sedação causado pela cannabis serve como tratamento alternativo. A substância melhorou o sono de 36% dos voluntários.

Pesquisadores disseram que os resultados são promissores, mas ainda preveem mais estudos com a substância. Eles querem saber agora a quantidade que pode ser mais eficaz.

Tecnologia do sono

Empresas usam descobertas da ciência para produzir aparelhos que ajudam na manutenção do sono, por exemplo, uma faixa de cabeça que utilizada a estimulação auditiva para ativar o sono de ondas lentas. O produto ainda se conecta a um aplicativo que analisa os padrões de sono de cada pessoa e dá recomendações para melhorá-lo.

além desses, há também o uso de monitores do sono, como pulseiras ou faixas abdominais, que ajudam a detectar distúrbios, como a insônia.

Estudos genéticos

estudos de mapeamento genético começam a desvendar a propensão genética para dormir ou permanecer em vigília e tentam descobrir se há um único gene relacionado à insônia. Os pesquisadores encontraram correlações genética entre a insônia e características psiquiátricas como a ansiedade e a depressão.

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Meditação

Estudos científicos mostram que a meditação pode ser uma intervenção útil para o tratamento e alívio da insônia e também de sintomas de ansiedade e depressão, assim como para melhora na qualidade do sono.

A efetividade da técnica no tratamento da insônia foi comprovada com base na redução do tempo de latência de sono, na melhora da eficiência do sono, no número de despertares e na melhora do tempo total de sono.

Drogas Z

As drogas Z não são ansiolíticas, ou seja, não influenciam no grau de ansiedade. Consideradas hipnóticas, elas são apenas indutoras de sono. Estudos mostram menos efeitos colaterais e menores fatores de dependência nos pacientes. Novas tecnologias em pesquisa dessas substâncias prometem trazer mais eficácia e menos efeitos colaterais.

Medicamentos

Farmacêuticas estão investindo em pesquisas com medicamentos que simulam mecanismos do sono, como por exemplo, remédio direcionar os receptores de melatonina e assim evitar os efeitos colaterais atordoantes dos sedativos. Funcionam retardando o sistema nervoso central.

ASMR

a sigla em inglês para Autonomous Sensory Meridian Response (ASMR), significa em português Resposta Autônoma do Meridiano Sensorial, são barulhos emitidos pela boca, mãos e objetos que são transmitidos por um microfone que capta o áudio de cada movimento.

Estudos recentes do Reino Unido têm mostrado a eficácia da técnica que promove o relaxamento e ajuda a tratar a insônia. De acordo com os pesquisadores há evidências de mudança na atividade elétrica na pele e de diminuição de batimentos cardíacos, mas ainda é preciso outros estudos.

Lente com filtro azul

Cientistas estudam sobre a lente intraocular com filtro azul, frequentemente implantada após a cirurgia de catarata, para reduzir distúrbios do sono. Eles investigam se a lente com filtro azul pode ajudar no sistema biológico das pessoas.

Fonte: Especialistas consultados.

Automedicação piora os casos

A dificuldade para dormir tem levado muitas pessoas a se automedicarem, comportamento que pode piorar a doença e ainda causar outras, como afirmam os médicos.

A pesquisa “O sono dos brasileiros”, feita pela biofarmacêutica Takeda em parceria com o Ibope, revelou que 65% dos brasileiros têm baixa qualidade de sono. Desses, 34% têm insônia, mas só 21% possuem diagnóstico médico.

“A pesquisa mostrou um cenário preocupante. Porém, isso não significa que 65% das pessoas têm insônia. Pode haver outros distúrbios de sono”, explicou o vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono, Luciano Drager.

Ele, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, disse que a dificuldade de dormir acende um alerta para a automedicação. “Inclusive de medicamentos que não têm comprovação científica para serem usados contra a insônia, ou ainda usando remédios que têm efeitos colaterais e podem causar outros problemas”

Médica e doutora em Medicina do Sono, Debora Petrungaro Migueis alerta que a automedicação, além de piorar a insônia, pode causar dependência e abuso de substâncias. “O paciente fica sujeito aos efeitos colaterais destas medicações como sedação e comprometimento de memória.”

Ela explica que o diagnóstico da insônia deve ser feito de forma adequada por um médico capacitado para tratar distúrbios do sono. “A insônia pode ser confundida com distúrbio de ritmo circadiano, e ainda com a má percepção do sono, na qual o paciente se queixa de insônia, mas consegue dormir”.

De acordo com a psicóloga Nataly Martinelli, o diário do sono, onde o paciente relata tudo que acontece, ajuda a identificar a tratar a insônia.

A pneumologista e especialista em Medicina do Sono Simone Prezotti ressalta que a suplementação de melatonina, tão famosa utilizada, não trata insônia. “A melatonina não é um sedativo, é uma substância que o nosso corpo produz. Há algumas situações que são indicadas, tem de ter uma avaliação do médico”.

Ela alerta também para o risco dos benzodiazepínicos, como o Diazepam, que também são usados, mas não são indicados para insônia.

Leone Iglesias/ AT

“Fico estressada”

Dormir durante a noite toda é um dos maiores desejos da auxiliar financeira Erika Zoteli Ricardo, de 40 anos. Ela contou que desde 2017 sofre com a insônia e torce para inovações cheguem logo para que consiga dormir e estar descansada no dia seguinte.

“Faço uso de melatonina  que induz o sono e fluoxetina para ansiedade, mas os resultados não são muito bons. De início durmo bem, mas acordo de madrugada e não consigo mais ficar na cama. Sinto que minha cabeça não descansa. Quando acordo a noite ligo o celular e assisto a filmes. Tem dias que vejo dois filmes  em uma madrugada. Mas sinto que fico estressada, mal-humorada e até brigo com as pessoas por causa da noite mal dormida”, afirmou.

Saiba mais

Memória e concentração

A agitação durante a noite, por conta da insônia, causa indisposição e sonolência em excesso no dia seguinte, prejudicando a memória de curto prazo e a concentração. Para a boa memória, é preciso concentração.

Irritabilidade

A insônia provoca descargas de noradrenalina no corpo. Esse hormônio aumenta a frequência cardíaca e a respiração, e deixa o organismo em alerta. Esse desgaste afeta o humor e causa irritação.

Dores de cabeça

A falta de sono é um dos principais motivos para iniciar uma enxaqueca. Uma pesquisa internacional mostrou que, com a depressão, essa é a maior causa de enxaqueca tensional.

Obesidade

A privação do sono altera o metabolismo e potencializa a predisposição para a obesidade. Sem dormir, os níveis do hormônio da saciedade, a leptina, reduzem e aumenta o hormônio da fome, a grelina.

Fonte: Especialistas consultados.

Acervo pessoal

“Minha cabeça não desliga”

A vendedora Ariadne Toresani Reboli, de 40 anos, contou que faz dois anos que enfrenta problemas com a insônia. Ela revelou que toma remédios para dormir, começou a fazer psicoterapia, mas as brigas com a cama continuam.

“É muito difícil pegar no sono. Às vezes, vou deitar e fico rolando e pensando. Minha cabeça não desliga e no outro dia fico cansada porque demorei muito a dormir.”

Acervo pessoal

Problemas após ter Covid-19

A costureira Elzi Inácia Bastos, de 46 anos, contou que nos últimos seis meses começou a ter problemas para dormir, mas foi depois que teve a Covid-19 que o problema se intensificou.

“Nos últimos 30 dias eu não estou conseguindo dormir. Meu pesadelo é saber que está chegando a noite e eu não consigo dormir. Fico a madrugada toda pensando, quando vejo, já está de manhã e eu não descanso”, disse.

Leone Iglesias - 10/07/2020

Jéssica Polese diz que os hábitos de vida impactam na qualidade do sono

“Não ter respeito pelo sono é um erro”

Médica Jéssica Polese alerta que quem dorme menos de 5 horas tem muito mais riscos de ter doenças psicológicas ou cardiovasculares

Maus hábitos, preocupações e agitação do dia a dia podem provocar insônia. De acordo com a presidente da Associação Brasileira do Sono no Espírito Santo, a médica Jéssica Polese, as pessoas estão desrespeitando o sono e isso é um erro para a saúde.

“O mundo inteiro passou a dormir pouco e a dormir mal. Os hábitos de vida estão muito alterados, o que impacta na qualidade do sono, inclusive, desrespeito a luminosidade, barulho. De uma maneira geral, as pessoas não valorizam o sono como uma coisa importante para se manter saudável. Não respeitar o sono é um erro”, disse.

Um dos prejuízos de se dormir mal, que já está provado pela ciência, é um maior risco para doenças cardiovascular e psicológicas. “Há pesquisas que mostram que o indivíduo que dorme menos de cinco horas por noite tem muito mais risco de doenças cardiovascular e psicológica, por exemplo”.

Vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono, Luciano Drager explica que o sono é parte fundamental para o bom funcionamento do corpo. “Existem evidências que mostram que durante o sono há uma limpeza das toxinas formadas durante o dia por pensamentos, gastos energéticos do dia a dia, que são removidas durante sono”.

O pneumologista e especialista em Medicina do Sono Sérgio Barros ressalta que as pessoas esquecem das implicações de ficar sem dormir. “Tenho esperança de que as pessoas vão dar ao sono a mesma importância que dão para alimentação. O ritmo circadiano é o ritmo biológico, controlado pela luz e pela ausência dela. Quando começa a ter uma desincronização desse ritmo, também é um tipo de alteração que pode desencadear a insônia”.

A luz azul dos aparelhos eletrônicos, por exemplo, é um hábito que atrapalha o sono.

Pneumologista e especialista em Medicina do Sono, Simone Prezotti explica que a luz interfere no ritmo circadiano e na produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono.

Rosana Cardoso Alves, neurologista e especialista em Medicina do Sono do Grupo Fleury, explicou que o padrão de sono pode ter a ver com a genética, ser mais produtivo ao dia ou à noite. “Mas, a insônia está muito mais relacionada a fatores externos e psicológicos”.

Fonte: Especialistas consultados.

Publicado em 13 de setembro de 2020

Reportagem: Lorrany Martins

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