search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

“Não posso ficar doente, doutor!”
Doutor João Responde

“Não posso ficar doente, doutor!”

Há mais de três décadas, eu venho observando os olhares aflitos de alguns doentes, quando confrontados com a realidade da doença. Adoecer significa sair da ativa, tendo em vista que “paciente” quer dizer “ente passivo”, aquele que não atua ou que ficou para trás.

Através de certas alterações no organismo, a doença exige que o paciente diminua suas atividades diárias. Algumas pessoas adquirem status quando adoecem, ganhando atenção da família, que se desdobra nos cuidados, visando ao seu pronto restabelecimento.

Por outro lado, a sociedade não tolera quebra nos elos da corrente que faz girar o mundo, torcendo o nariz para os doentes e seus atestados médicos. Basicamente, há quatro tipos de pacientes:

Aquele que solicita avaliação médica e exames complementares, querendo saber sobre sua doença e se informando sobre quais condutas deverá seguir. Esses são a maioria.

O que quer saber apenas sobre sua doença, dispensando tratamentos, acreditando que, sendo portador do diagnóstico, ele mesmo irá administrar a patologia, achando um jeito de se curar.

Aquele que tem pavor de se descobrir doente, preferindo não saber nada sobre o que está acontecendo, se contentando apenas com os medicamentos.

Finalmente, temos o paciente que morre de medo, não da doença, mas das consequências sociais que ela pode acarretar.

Recentemente eu consultei um empresário que se enquadra nessa última situação. Entrando na sala, ele se queixou: “Doutor, eu não estou nada bem. Ando sentindo uma dor no lado direito, debaixo da costela, acompanhada por náuseas e uma sensação de empachamento. Tenho observado que esses sintomas são mais frequentes depois das refeições”.

No desenrolar da história clínica, descobri que esse paciente é um grande consumidor de alimentos gordurosos, sedentário e com ascendentes familiares que tiveram pedra na vesícula biliar.

Com a hipótese diagnóstica formada na mente, eu solicitei uma ultrassonografia abdominal, que confirmou minha impressão, mostrando uma volumosa pedra obstruindo a vesícula biliar.

Depois de explicar sobre a natureza hereditária da doença e também lembrar sobre a obesidade, a vida sedentária e a hipercalórica alimentação do paciente, sugeri que ele fosse logo operado, alertando que os seus sintomas poderiam piorar, desembocando numa perigosa inflamação. Embora esse tipo de cirurgia, realizado através de laparoscopia, tenha poucos riscos, observei que o paciente murchou.

Abatido, ele perguntou: “Essa cirurgia é demorada? Vou ter que permanecer no hospital? Quando eu posso voltar a trabalhar? Ai, doutor, minha família precisa tanto da minha saúde!”

Curioso que ele não tenha se dado conta de perguntar sobre o risco anestésico e outras complicações que podem ocorrer numa cirurgia; mas dos efeitos que ela poderia trazer para sua vida profissional.

Esse paciente foi operado e já está trabalhando. Reabastecido de prevenção, ele voltou a encontrar a paz da saúde.

Conteúdo exclusivo para assinantes!

Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

Matérias exclusivas, infográficos, colunas especiais e muito mais, produzido especialmente pra quem é assinante.

Apenas R$ 9,90/mês
Assinar agora
esqueceu a senha?

últimas dessa coluna


Exclusivo
Doutor João Responde

Doença como forma de protesto

Quando aquele casal entrou no consultório, eu não imaginava que os sintomas, descritos por ambos, revelavam uma linguagem cifrada para um se queixar do outro. Mal iniciei a consulta do marido, a …


Exclusivo
Doutor João Responde

Fadiga pode ser preguiça ou doença

Minha paciente esteve recentemente em outro médico, queixando-se de vários sintomas, tais como, calafrios, irritabilidade, fraqueza, tontura, dor de cabeça e, principalmente, cansaço que persiste o …


Exclusivo
Doutor João Responde

Quando o estresse vira veneno

Brotam preocupações nos semblantes das pessoas que aguardam na recepção daquele hospital. Na sala ao lado, uma mulher grita. De dentro dela, um médico puxa um neném todo sujo e amassado. Após levar …


Exclusivo
Doutor João Responde

Tenho medo de infartar de novo

Vítimas de infarto costumam temer o retorno da doença. É comum esse tipo de paciente confundir seus sintomas, acreditando que dores e desconfortos sejam sinais de um novo ataque cardíaco. Atendi …


Exclusivo
Doutor João Responde

Tenho angústia ou ansiedade?

Acompanhada pelo marido, visivelmente inquieta, a paciente mal sentou e foi logo dizendo: “Doutor, eu ando muito nervosa e tudo me incomoda. Estou tendo dificuldade de dormir e vivo com dor de …


Exclusivo
Doutor João Responde

Será que tenho mau hálito?

Bom dia! Em que posso ajudá-los? Dessa maneira iniciei a consulta daquela senhora, acompanhada pelo engraçado marido. “Doutor, meu esposo anda com brincadeiras sem graça, por causa do meu hálito. …


Exclusivo
Doutor João Responde

Causas de hemorroidas

Hemorroidas têm atormentado o homem desde tempos imemoriais, quando este tomou a postura ereta, uma vez que essa enfermidade só é encontrada na espécie humana. Existem referências dessa …


Exclusivo
Doutor João Responde

Doenças podem comprometer o funcionamento da tireoide

A glândula tireoide lembra uma borboleta, com seu corpo esguio agarrando-se à parte inferior da cartilagem tireoidiana, que está sobre a laringe, enquanto as asas, os dois lobos da glândula, estão …


Exclusivo
Doutor João Responde

Muitos gênios da humanidade foram disléxicos

Os primeiros profissionais que se interessaram pelos distúrbios da linguagem foram os oftalmologistas, afirmando não serem os olhos que leem, mas o cérebro. É importante lembrar que o indivíduo …


Exclusivo
Doutor João Responde

O nefasto câncer de próstata

Crescer por crescer é a filosofia do tumor. Mesmo que uma pessoa não possa adivinhar o futuro de uma doença, pode remediar o mal, livrando-se de suas consequências, trocando lamentação por prevenção. …


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados