search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Minha vesícula encheu de pedras
Doutor João Responde

Minha vesícula encheu de pedras

Semanas após ter sido encaminhada para extrair a vesícula biliar, a paciente retornou ao meu consultório. Satisfeita, ela afirmou: “Minha cirurgia foi um sucesso, doutor”.

Nada lembrava a urgência na qual antes ela havia sido atendida: alquebrada pela dor, carregada de aflição, assustada pelo temor e pensando numa possível operação.

Eu havia ficado preocupado com o seu quadro clínico: pálida, vomitando e com forte dor abaixo da costela. Tudo indicava inflamação da vesícula, quase sempre decorrente da presença de cálculos no seu interior.

A vesícula biliar é um órgão situado no lado direito, sob o fígado, cuja função é armazenar e depois liberar bile no duodeno, auxiliando na absorção de gorduras.

Esse líquido amarelo-esverdeado contém colesterol, lecitina, sais biliares e água. Quando ocorre algum desequilíbrio nos seus componentes, a bile se torna litogênica, ou seja, cristais vão se depositando, até formarem cálculos.

Existe um forte componente hereditário no aparecimento dessa patologia. Além disso, obesidade, dietas ricas em gorduras e mulheres brancas e que já tiveram filhos são os mais propensos de desenvolverem a doença.

No momento em que o paciente perde esse órgão, seu fígado trata de criar milhares de pequenas vesículas dentro de si, visando substituir a vesícula. É necessário compreender que a vesícula apenas armazena bile, cabendo ao fígado produzi-la.

A presença de gordura no duodeno faz o fígado contrair a vesícula, que, por sua vez, joga bile naquela parte do intestino. Na ausência da vesícula, o fígado lança bile diretamente no duodeno, digerindo os lipídios que lá se encontram.

É importante entender que a presença de pedra na vesícula não caracteriza uma infecção. Entretanto, com o passar do tempo, esses corpos estranhos acabarão por irritar a vesícula, produzindo uma inflamação chamada colecistite, com indicação cirúrgica.

Pedra na vesícula é apenas o efeito do órgão doente. Caso o cirurgião retire apenas os cálculos, a vesícula irá, com o passar do tempo, fabricar outros novamente. Como o fígado supre a falta da vesícula, o procedimento se torna viável.

É curioso observar que o aparecimento de cálculos na vesícula lembra a formação de pérolas dentro das ostras. Por algum motivo, cristais se precipitam e vão parar no fundo da concha. Com o passar do tempo, forma-se uma valiosa pérola no seu interior. Costumamos dizer que a pérola é a pedra na vesícula da ostra doente.

Antes de finalizar a consulta, lembrei à operada da necessidade de fazer dieta com pouca gordura, evitando, com isso, sobrecarregar o fígado, causando náuseas, acúmulo de gases e diarreia. Além disso, prescrevi medicamentos para auxiliar a digestão.

Antes de sair, a paciente ainda comentou: “Bem que esses cálculos na minha vesícula poderiam ter o valor das pérolas. Se assim fosse, eu teria adiado minha cirurgia, acumulando mais pedras, até que eu pudesse reformar minha casa e trocar meu carro.”

Conteúdo exclusivo para assinantes!

Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

Matérias exclusivas, infográficos, colunas especiais e muito mais, produzido especialmente pra quem é assinante.

Apenas R$ 9,90/mês
Assinar agora
esqueceu a senha?

últimas dessa coluna


Exclusivo
Doutor João Responde

As perigosas mutações virais

Buscando harmonizar-se como um todo, ignorando o egoísmo humano, a natureza se recicla. Equivocadamente, o Homo sapiens tenta mudá-la, em vez de se ajustar a ela. A natureza costuma ser lânguida, mas …


Exclusivo
Doutor João Responde

Medicina baseada em evidência

“Medicina é como amor: nem nunca, nem sempre”. No passado, o médico nem sempre tinha acesso à pesquisa mais recente. Muitas vezes, ele decidia como tratar um paciente, usando apenas sua própria …


Exclusivo
Doutor João Responde

Consolo da falsa ciência

Em tempos de pandemia, alguns medicamentos têm reivindicado status científico, embora careçam de provas ou plausibilidade. A fronteira entre ciência e pseudociência tem implicações religiosas, …


Exclusivo
Doutor João Responde

Predadora célula cancerosa

Para manter-se vivo, o corpo precisa lutar contra tudo aquilo que desequilibra suas funções, inclusive contra si mesmo. Munido de uma poderosa arma antigênica, o organismo protege a vida que mantém …


Exclusivo
Doutor João Responde

Uso de corticoide em Covid-19

Descobriu-se, recentemente, que o esteroide dexametasona diminui a nefasta reação do sistema imunológico contra o coronavírus, aumentando a chance de sobrevivência do paciente grave. Denominada …


Exclusivo
Doutor João Responde

O asfixiante coronavírus

Flutuando no ar, esse invisível inimigo se espalha por meio de gotículas transmitidas ao ar pela respiração, principalmente quando ocorrem espirros e tosse. Estando presentes ao redor, indivíduos …


Exclusivo
Doutor João Responde

Higienização com álcool em gel

Qual a diferença entre desinfetante, antisséptico e esterilizante? Desinfetar é destruir aquilo que causa infecção. Antissepsia é limpar algo contaminado. Esterilizar se refere a um processo de …


Exclusivo
Doutor João Responde

Em busca da vacina milagrosa

Vivendo entre o sonho e a realidade, ninguém é imune à sentença do tempo. A ansiedade é inimiga mortal da nossa paz. A paz é amiga vital da nossa saúde. Estamos atravessando um período dramático…


Exclusivo
Doutor João Responde

Complicações contra a Covid-19

Indagados por não estarem usando máscaras, muitas pessoas afirmam que são resistentes à Covid-19. Esta declaração categórica é bastante perigosa, uma vez que, diante da pandemia, ninguém pode dispor …


Exclusivo
Doutor João Responde

Baço, um órgão pouco lembrado

A designação desse órgão abdominal originou-se pelo fato dele ser embaçado, não se deixando ser atravessado pela luz. O baço sempre constituiu um desafio à curiosidade dos investigadores que …


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados